0

Decidida

Minha filha tinha acabado de almoçar e perguntei qual fruta ela queria de sobremesa e ela respondeu:
– Morango com açúcar, mãe.
– Não tem morango, filha.
– Então quero só açúcar.
– Açúcar não é fruta.
– Então quero morango com chocolate.
– Não tem morango, amor.
– Então só chocolate.
– Chocolate não é fruta.
– Tem maçã?
– Tem.
– Então quero banana.

 (Eduarda, 4 anos)

0

Conflito

A Vitória estava discutindo com a mãe porque queria brincar por mais tempo. A mãe se exaltou e disse:
– Vitória, não! Você sabe por que eu brigo com você, filha?
A menina calmamente respondeu:
– Sei, mãe. Porque você é… como fala? Problemática.

(Vitória, 5 anos)

0

Dura realidade

– Pai, quer que eu te conte uma coisa?
– Quero.
– Mas vai arruinar a sua vida. Você quer que eu conte, mesmo assim?
– Quero.
– Papai Noel não existe!

(Bruno, 5 anos)

0

É o amor

O Gustavo chegou triste da escola e nem quis almoçar. Perguntei o que havia acontecido e ele não quis falar.
O João, irmão mais velho, respondeu por ele:
– É que a Vitória não quis brincar com ele hoje, mãe. E o Gustavo não tira a Vitória da cabeça.
Ouvindo o João falar, o Gustavo replicou:
– Não, João! A Vitória não está na minha cabeça. Ela está no meu coração.

(Gustavo, 5 anos e João, 7)

0

Muito difícil

– Yasmin e Giovanni, quando vocês acabarem de brincar com papel e tesoura, vão juntar esta bagunça e organizar tudo, ok?
Yasmin replica:
– Mamãe, eu estou cortando um elefante. Isto é uma tarefa extremamente difícil. Por isto eu não posso me estressar agora, ok?

(Yasmin, 5 anos)

0

Resolvido

Todos no carro quando o pai perguntou:
– Olha, não é aqui a casa do Lucas, Isabella?
– Sim!
A Clara se antecipou:
– É o namorado dela, pai.
A mãe tentando entender a situação, perguntou:
– Mas Isa, você já não gosta do João? Como pode ter dois namorados?
E a Clara arrematou:
– Lógico que ela pode ter dois namorados. Ela tem duas bochechas!

(Clara, 5 anos e Isabella, 7)

0

Fórmula da beleza

– Mãe, por que você corre na esteira todo dia?
– Pra ficar mais bonita, filho.
– Mãe, não está dando certo. Você sai daí toda vermelha e suada. Você é muito mais bonita antes de subir na esteira.

(Arthur, 5 anos)

0

Safári

Estávamos voltando à noite no carro, quando Alana decidiu abrir o vidro:
– Laninha, não abre o vidro porque pode vir algum trombadinha.
– Mamãe, trombadinha é elefante, né?!

(Alana, 4 anos)

0

Esconde-esconde

Bia estava encostada na porta da geladeira. Estranhei e perguntei:
– Oi, Bia. Tudo bem?
– Tudo, mamãe. O gato “não” está dentro da geladeira!

 (Beatriz, 03 anos)

0

Realidade infantil

Estava querendo lavar meu cabelo e a Nina queria brincar comigo.
– Não lave, Isa. Fique aqui, brincando comigo.
– Mas meu cabelo está oleoso, Nina.
– O da minha boneca também.
– Mas ela é de mentira.
– Assim você me magoa, Isa. Para mim, ela é de verdade.
– Mas é a realidade, Nina.
– Sua realidade pode ser um pouco menos verdadeira?

(Isabela, 14 anos e Nina, 7)

0

O sonho não acabou

A mãe percebeu que o Yuri estava com a fralda cheia e teve que acabar com a brincadeira para limpá-lo. Ele olhou bem nos olhos dela e disse:
– Você acabou com os meus sonhos.

(Yuri, 3 anos)

0

Quer pagar quanto?

No dia das crianças, Bia ganhou um telescópio de brinquedo.
Esperamos anoitecer e fomos para o quintal ver as estrelas e a lua. Ajustei tudo, e a vista era mínima. Ela olhou e disse com uma voz meio decepcionada:
– Mãe, nem dá para ver as galáxias!
– Claro né, filha?! É um telescópio de brinquedo. Para ver as galáxias tinha que ser um igual ao da NASA.
Ela pensa por uns segundos e diz com toda naturalidade:
– E tem como comprar um desses parcelado?

(Bia, 9 anos)

0

Higiene

Minha sobrinha estava no banheiro fazendo cocô e quando terminou, gritou:
– Acabei! E acabou o papel “nojênico” também.

(Lígia, 4 anos)

0

Adrenalina

Yanne torceu o balanço o máximo que conseguiu e soltou, fazendo-o girar muito rápido. Então gritou:
– Mãeeee, isso faz cócegas no meu coração.

(Yanne, 3 anos)

0

E agora?

A tia explica para o Bruno a idade que ele precisa dizer que tem para não pagar a tarifa do ônibus:
– Se alguém perguntar, você tem cinco anos, ok?
Eis que o cobrador pergunta:
– Quantos anos você tem?
– Cinco.
– E quando você faz seis?
– Quando eu descer do ônibus.

(Bruno, 6 anos)

0

Tagarela

– Luísa, que cara é essa?
– Eu não dormi direito.
– O que aconteceu?
– O porquinho (de pelúcia) falou a noite inteira.

(Luísa, 3 anos)

0

Amor platônico

Rodrigo estava tomando leite e me olhava fixamente. Então eu perguntei:
– Tá me namorando?
– Não. Eu namoro a Charlie.
– Quem é a Charlie?
– É da minha escola.
– Mas você precisa me pedir pra namorar. Outra coisa: ela sabe que vocês estão namorando?
– Não. É segredo!

(Rodrigo, 6 anos)

0

GPS

As primas conversando pelo telefone:
– Nina, quando você vem aqui em casa, no Rio de Janeiro?
– Não sei. Vem você para São Paulo, Pietra?
– Vou! É para a esquerda ou para a direita?

(Nina, 7 anos e Pietra, 5 anos)

0

Bons tempos

– Mãe, quando você começou a trabalhar na Jovem Pan, já existia computador?
– Sim, tinha apenas um e eu dividia com o tio Marcelo.
– E celular, você tinha?
– Ainda não.
– E o que vocês faziam o dia inteiro sem celular e só com um computador?!

(Arthur, 3 anos)

0

Mãe sabe tudo

Conversando sobre a copa, o Enrico perguntou:
– Mãe, em que ano a seleção nasceu?
– Ah, filho não sei de cabeça, não. Depois a gente pesquisa no Google.
– Mas mãe, você é meu Google!

 (Enrico, 6 anos)

0

Meta

– Papai, eu não vou mais usar chupeta e nem tomar leite na mamadeira. Eu já não sou mais bebê.
– Luísa, meus parabéns! Isso é muito legal. Você decidiu isso agora?
– Sim! Tá na hora de eu mudar de vida.

(Luísa, 3 anos)

0

Vizinho de cima

Estávamos em casa, quando ouvi a Leda falando com alguém pela janela da sala. Mesmo com a rede de proteção, fiquei apreensiva. Fui olhar e a encontrei em cima do sofá, com a cabeça pra fora, olhando pra cima e gritando:
– Põe a cabeça pra baixo… Põe a cabeça pra baixo!
Cheguei perto, olhei pela janela e não vi nada. Então, perguntei:
– Filha, com quem você estava falando?
Ela me respondeu meio sem jeito.:
– Com o Deus. Eu pedi pra ele pôr a cabeça pra fora do céu pra eu ver como ele é.

(Leda, 4 anos)

0

Cheia de razão

Durante a aula particular, Caren queria apontar o lápis, mas o cestinho do apontador estava cheio.
– Tia, tem que desvaziar o cestinho.
 Logo a corrigi:
-Esvaziar, Caren. Desvaziar não existe.
– Mas eu falo desligar!
– Desligar é diferente, é o contrário de ligar.
Ela ficou pensativa e concluiu:
– Então desvaziar é encher!

(Caren, 6 anos)

0

Paulista

Um dia, durante o jantar, a Arianne pergunta:
– Mamãe, eu nasci em São Paulo, não é?
– Sim, você nasceu.
– Mãe, tô achando que eu sou uma Avenida.
– Avenida? Como assim?
– Sou Paulista. Igual a Avenida Paulista.

 (Arianne, 4 anos)

0

Acerto de contas

Na saída da escolinha:
– Amanda, porque você bateu no amiguinho?
– Porque ele me provocou.
– E o que foi que ele disse que te provocou?
– “Não doeu”.

(Amanda, 4 anos)

0

Impressionante

– Enzo, estou gostando de ver como você tem usado direito os adjetivos. Você sabe o que é um adjetivo?
– Adjetivo? É a palavra que a gente usa quando quer impressionar uma pessoa?

(Enzo, 6 anos)

0

Passe errado

Estávamos conversando sobre os desfalques do Palmeiras, quando o Matheus disse:
– Tia, tudo mercenário! Primeiro, foi o Chico Xavier e agora o Alan Kardec.
– Calma, Matheus. Você está misturando religião com futebol. Alan Kardec está certo, mas o outro foi o Cleiton Xavier.

(Matheus)

0

De onde viemos

Estávamos assistindo a um programa do Discovery Channel e minha filha Yasmin nos acompanhava. O assunto era fecundação e ela ficou muito interessada em todos aqueles passos intrauterinos até a fecundação, crescimento do óvulo e nascimento. No dia seguinte, entramos numa van e uma senhora a elogiou:
– De onde foi que veio esta menina tão linda?
Mais do que rápido, Yasmin respondeu:
– De uma minhoquinha chamada “espermozóide” que entrou num ovinho pequenininho e deu eu.

(Yasmin, 3 anos)

0

Praticamente

– Como foi a festinha, Guga?
– Ah mãe, foi boa. Mas coitado do Pedro.
– Por quê?
– Porque ele tem aquela doença que não pode comer doce… a “diabólica”.

(Gustavo, 4 anos)

0

Manso

Estávamos indo pra Jacarepaguá, na casa do meu irmão. Eu dirigindo e as crianças atrás na maior bagunça. No meio da agitação a Julia pergunta:
– Onde estamos indo, mãe?
– Na casa do seu tio. Em Jacarepaguá.
O Pedro parou tudo e perguntou:
– Onde?
– Jacarepaguá.
Pedro parou de pular e ficou sentado, calado.
– Onde mesmo, mãe?
– Jacarepaguá!
Mais cinco minutos e Pedro, num fio de voz:
– Mãe, Jacarepaguá morde?

(Julia, 6 anos e Pedro, 4 anos)

0

A vida é uma caixinha de surpresas

Visitando a casa de amigos da família, Lúcio pediu para ir ao banheiro. A mãe o acompanhou e esperou. Depois de alguns segundos sentado no vaso sanitário e nada acontecido, ele falou:
– Sabe mãe, a vida prega peças na vida da gente. Eu pensei que fosse cocô, mas era só pum.

(Lúcio, 6 anos)

0

Sua Majestade

Cena matinal. O Enzo me entregou o desenho de um castelo com uma pessoa no alto empunhando uma espada:
– Mãe, fiz pra você.
– Que lindo! Amei.
– É um castelo, a ponte e o laguinho.
– Parabéns! Já sei: esse é você, o rei desse castelo.
– Não, mãe! Esse castelo não é meu, é dele. É o ‘Faber Castelo’. Foi ele quem fez esses lápis.

(Enzo, 5 anos)

0

Gula

João brincando de lanchonete:
– Mãe, o que você vai querer?
– Um cachorro-quente, por favor.
– E você, pai?
– Um x-tudo.
– Tudo não, tem que deixar para os outros também.

(João, 4 anos)

0

Boicote

Lauren termina de jantar e imediatamente me pede um biscoito.
– Lauren, dê um tempo para o seu cérebro assimilar a comida. Em 5 minutos te dou um biscoito.
– Ahhh, eu odeio meu cérebro!

 (Lauren, 5 anos)

0

Boa idéia

– Mãe, tem uma menina na minha sala que só me irrita, corta minha conversa e briga comigo. Tô vendo que vou ter que virar amiga dela para ela parar de fazer isso comigo.

(Maria Eduarda, 7 anos)

0

Verba

– Vou dar R$10,00 pra cada um. Mas como só tenho uma nota de R$20,00, vou dar para o seu pai e depois ele divide entre vocês.
– Vó, não dê para o meu pai. Ele desvia todo meu dinheiro.

(Pedro, 6 anos)

0

Se explique

Após a mamãe dar de mamar para o recém nascido e o colocar pra arrotar, escuta:
– Mamãe, por quê o Theo pode arrotar e eu não?

 (Rafael 6 anos)