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Urgência

Sophia é uma vizinha da nossa rua. Ela estava passando pela porta da minha casa e meu pai perguntou:
– Oi, Sophia. Tudo bem? Você não veio mais nos visitar, nunca mais apareceu por aqui.
– É a correria.

(Sophia, 6 anos)

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Lágrimas

Eu e meu pai trabalhamos com salgados. Eu estava cortando cebolas quando a Lívia entrou:
– Tia, por que você está chorando?
– É por causa da cebola, amor.
– Mas o que ela fez pra você?

(Lívia, 4 anos)

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Irresistível

Cecília pediu a chupeta, insistiu. A contragosto, a avó deu. Depois perguntou:

– Cecília, o que tem nessa chupeta? Ela é gostosa?
– Sim.
– Sei… e que gosto tem essa chupeta?

– Tem gosto de vovó.
(Cecília, 2 anos)
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Co-piloto

Estávamos no carro, indo para uma festa e a Cecília, sentada na cadeirinha, dava palpites para o pai enquanto ele dirigia:
– Cuidado com o carro, papai.
– Pode deixar, filha.
– Papai, olhe para frente. Cuidado com os carros.
– Combinado, filha.
– Combinado, não, “obrigado”.

(Cecília, 2 anos)

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Feliz dia dos irmãos

Estava brincando com minha vizinha e o irmão dela de esconde-esconde. Eu pedi para ela ficar em silêncio para nós escutarmos a respiração do irmão dela, quando ela grita:

– Matheus, uma dica: respira!

(Ana, 7 anos)
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Check list

A Júlia viajava pela primeira vez de avião. Ao levantar o voo, ela começou a chorar.
Preocupada perguntei o que estava havendo e ela respondeu:
– Tô emocionada, tia. Realizei meu sonho. Agora só falta o outro.
– Qual?
– Conhecer Jesus.
– Acho melhor deixar para outro dia.

(Julia, 8 anos)

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Amor

Eu estava lavando louça, quando o cachorro começou a se agitar. Minha irmãzinha Gabrielle ouviu aquilo e logo foi ver o motivo da agitação. Eram dois gatinhos. Ela entrou correndo e gritou:
– Lê, eu acho que eles vão ter filhotinhos!
Surpresa, perguntei:
– Como assim, Gabi?
E ela, na maior inocência do mundo, respondeu:
– É que eles estão passando o narizinho um no outro.

(Gabrielle, 10 anos)

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Nome próprio

– Quem te deu esse colar, Josi?
– Foi minha mãe.
– Ah, é?! E como ela se chama?
– Margarida.
– Margarida??
– Isso, nome de flor. E a sua mãe, como chama?
– Zil, nome de gente mesmo.

(Lara, 4 anos)

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Feliz ano velho

Era o último dia do ano. David, Raquel e João estavam na casa da avó no interior e ela disse:
– Vão dormir, crianças. Já vai dar meia-noite.
Curioso, David perguntou:
– O que é meia-noite?
O João respondeu:
– Meia-noite é quando hoje já é amanhã.
E Raquel complementou:
-E meia-noite de ano novo, é quando hoje já é ano que vem.

(João, 8, Raquel, 6 e David, 4 anos)

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Usuário de Crocs

Meu marido comprou um Crocs para meu enteado, mas comprou um número errado. Meu irmão chegou e falou:
– Nossa, Rafa, está de Crocs novo?
– É, tio. Mas ficou faltando o dois para servir.
– O “dois”? Como assim?
– É, tio. Esse aqui é o 30 e eu uso 32. Faltou o 2 para servir.

(Rafael, 6 anos)

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Reza

Pedi para o Theodoro orar porque a mamãe estava com dor de dente. A oração foi a seguinte:
– Papai do céu, obrigado por esse dia. Abençoe a dor de dente da mamãe e nunca deixe faltar. Em nome de Jesus, amém!

(Theodoro, 2 anos)

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Palavrinha mágica

A Cecília estava em frente à TV e eu queria assistir um programa, então falei:
– Cecília, saia da frente da TV, por favor.
Achei que ela não tinha escutado e falei novamente:
– Cecília, saia da frente da TV, por favor.
E ela respondeu:
– Você quis dizer “dá licença”, vovó?

(Cecília, 2 anos)

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Sensibilidade

Minha irmã estava me contando que meu sobrinho ficou emocionado com o episódio de Acapulco do Chaves. E ele comentou:
– Do nada começou a sair lágrimas dos meus olhos. E a musiquinha também é muito triste. Foi mais pela musiquinha mesmo, eu acho.

(Raphael, 7 anos)

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Família

Em um trabalho relacionado à família na escola, perguntaram ao meu irmãozinho:
– Como é a sua família, Uriel?
– É um monte de gente que briga, mas que se beija.

(Uriel, 5 anos)

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Saudade

– Acho que minha mãe sente saudade de ser criança.
– Por quê?
– Ah, porque ela brinca comigo de vez em quando.

(Estella, 6 anos)

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Cúmplice

– O que foi, Duda? Cadê suas amigas?
– Estão de castigo.
– O que aconteceu? Por que elas estão de castigo?
Depois de um silêncio, respondeu:
– Se eu te contar mãe… você vai me colocar de castigo também.

(Maria Eduarda, 5 anos)

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Presente

Estávamos conversando sobre o verdadeiro valor das coisas e falei para a Cecília:

– Não me importo com presente de dia das mães. Prefiro uma filha boa e educada todos os dias. Esse é o meu melhor presente.
– Mãe, não se pode ganhar presente todos os dias.
(Cecília, 5 anos)
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Questão de tempo

Eu e meu namorado estamos fazendo intercâmbio na Irlanda. Conversamos sempre com a Júlia, filha dele, por videoconferência e há um fuso horário de 4 horas. Em uma dessas ligações, surgiu esse diálogo:
– Ei, Júlia, tudo bem? Já tomou banho para ir para a escola?
– Não, papai. Está cedo ainda.
– Que horas são aí?
– Agora são 11h. E aí, que horas são?
– Aqui são 15h, Júlia.
– Nooossa! Como a hora passa rápido aí, né?!

(Júlia, 7 anos)

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Agosto

Eu estava colocando roupas para lavar na máquina e a Isa no balanço:
– Mãe, que mês nós estamos mesmo?
– Em agosto, filha.
– Huumm… que bom, né?
– Bom por quê? 
– É bom porque dá para a gente sentir o gosto dele. Já é agosto.

(Isadora, 5 anos)
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Pai é pai

Sofia entrou na sala e pediu:
– Pai, não imite a mamãe, tá?
– Tá bom, Sofia.
– Então posso chupar gelinho?
– Não.
– Eu falei que não era para imitar a mamãe!

(Sofia, 4 anos)

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Pai

– Meu pai é o mais legal de todos os pais. Ele é forte, duro, me leva no fundão do mar e não me deixa afogar.
– E a mamãe?
– A mamãe é macia.

(Pedro, 4 anos)

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Comemoração

– Mamãe, o que é comer?
– É quando você põe a comida na boca, mastiga e engole.
– Mamãe, o que é morar?
– É quando você tem uma casinha para ir todo dia, então você mora nela.
– Mamãe, o que é “comermorar”?

(João Augusto, 3 anos)
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Lógica

Sou enfermeira em uma unidade de saúde e ao atender uma criança, perguntei:
– Me conte, André, quando você completa cinco anos?
– No meu próximo aniversário, tia.

(André, 4 anos)

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Luz

– Mãe, não consigo dormir, estou com medo do escuro.
– Como, filha, se deixei a luz do banheiro acesa?
– Mas quando fecho o olho, apaga!

(Marina, 6 anos)

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Profissão

– Filho, o que você vai ser quando crescer?
– Lindo da mamãe e do papai.
– Não, filho. A mamãe está perguntando de trabalho, de um emprego…
– Aah, sim… o Thor ou o Capitão América.

(Rafae, 2 anos)

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Palavras-cruzadas

Moramos em Genebra, na Suiça. Meu filho entende português, mas quando responde mistura português e francês: 

– Mamãe, me faz um mamá? 
– E a palavra mágica? 
– Por favor.
 Fui fazer o mamá e na volta:
 – Toma, meu amorzinho. O que você diz agora? Mer…
– Meeeerrrda!
– Ei! Isso não se diz!
– Ops, desculpe, mamãe. Merci!

(Lorenzo, 4 anos)
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Latin lover

Em uma roda de conversa familiar, Alejandro falou:
– Vó, você está tão bonita, mas tão bonita, que os idosos vão chamá-la para dançar Despacito. 

(Alejandro, 8 anos)

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Saudável

– Vamos parar o carro para tomar suco e comer pastel?
Giovanna sussurrou:
– Pode parar de reclamar, barriga. Você queria refrigerante mas minha mãe disse que será suco.

(Giovanna, 4 anos)

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Oração

– Mãe, o que eu fiz de errado?
– Como assim, filha?
– Na oração falam assim: “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a Keila que nos tem ofendido”.

(Keila, 6 anos)

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Já que tá

Fomos abastecer o carro, meu tio abaixou o vidro e falou:
– Me vê cinquenta reais de gasolina.
Minha prima atrás, no embalo:
– E para mim também.

(Bianca, 5 anos)

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Não posso ficar

Minha afilhada passou uma noite na minha casa com a minha amiga, mãe dela. No dia seguinte, na hora de ir embora, eu perguntei:
– Mas já vai embora, Alice?
– Vou. Tem muita gente que me ama me esperando.

(Alice, 3 anos)

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Bem-estar

– Mamãe, eu quero mais arroz.
– Filha, coma só o franguinho. O arroz branco vira açúcar no nosso organismo.
– Ah, então o arroz integral vira açúcar mascavo?

(Rebecca, 8 anos)

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Drive thru

Estávamos em uma lanchonete, quando ela veio com a seguinte pergunta:
– Mãe, a gente vai viajar para onde?
– Para lugar nenhum, Nanda. Tá doida?
– Ué, então porque o meu pai falou para a moça que a batata frita era pra viagem?

(Fernanda, 8 anos)

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Amor

Estava brincando com minha priminha no pula-pula, quando ela me olhou e disse:
– Eu vou ter você para sempre né, Laís?

(Yasmin, 4 anos)

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Identidade

Na preparação para festa junina:
– Filho, por que você não quer usar costeleta e bigode na festa?
– Ahhh não, mamãe, é muito feio e eu não gosto.
– Mas, todo mundo usa…
– É, mas eu não sou todo mundo, lembra?

(Higor, 7 anos)

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Tempus fugit

– Mamãe, o buraco no bumbum se chama tempo.
– O quê? Quem te falou isso?
– A tia da escola.
– Certeza?
– Sim.
Minha irmã, ouvindo isso, entendeu e disse:
– O nome é anus.
– Ah. É isso mesmo. Às vezes eu confundo os nomes.

(Mateus, 5 anos)

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Melhor prevenir

Estava almoçando uma salada com a filha de uma amiga e ela, do nada, puxou o assunto:
– Tia Jessica, nós nunca vamos ter câncer de próstata!
Quase engasguei rindo mas perguntei:
– E você sabe o que é próstata, menina?
– Não! Mas eu sei que tomate previne câncer de próstata.

(Vitória, 5 anos)

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Sabedoria

A nossa tia me olhou e disse:
– A flor no cabelo da Luíza está muito grande, não acha?
Antes que eu respondesse a Luíza soltou:
– Tá, sim. E se você reclamar, titia, a mamãe planta um jardim aqui.

(Anna Luíza, 5 anos)