Estava distraída, quando escutei:
– Mamãe, você fica tão fofa com a carinha assim!
Então eu sorri, claro. E ela emendou:
– Assim não fica.
(Valquiria, 4 anos)
Estava distraída, quando escutei:
– Mamãe, você fica tão fofa com a carinha assim!
Então eu sorri, claro. E ela emendou:
– Assim não fica.
(Valquiria, 4 anos)
Meu filho me disse que queria estudar em Harvard. Fiquei toda orgulhosa e perguntei:
– Mas, por que você quer estudar lá?
– É que quando eu crescer quero arrumar um emprego na lanchonete Subway.
(Raul, 5 anos)
Estávamos no carro e ele perguntou:
– Mãe, quem trabalha na padaria e padeiro, né?
– Sim, filho.
– E na marcenaria é marceneiro?
– Sim.
– E quem entrega iFood?
– Entregador de lanche.
– Não, mãe! É ifoodeiro!
(João Paulo, 9 anos)
– Pai, será que eu posso dormir dois dias na casa do Pedro?
– Acho que sim, filha. Vamos ver com a tia.
– Eu queria ir hoje porque é sexta-feira.
– Tá. Então vamos falar com a mamãe porque ela é que tem o telefone.
– Mas, é que pai… sabe, a mamãe não é muito boa em deixar eu fazer essas coisas.
(Cecília, 7 anos)
Meu irmão ama imitar as propagandas da TV. Outro dia, depois de assistir ao comercial de uma clínica para homens, ele soltou:
– Tem problemas de eleição ou pra controlar a tosse?*
(*problemas de ereção ou ejaculação precoce?)
(Arthur, 4 anos)
Hoje abracei Joaquim e disse:
– Queria ficar agarrada com você pra sempre!
– Pra sempre não dá, mãe. A gente nasce, cresce, fica velho, tem verruga e morre!
(Joaquim, 5 anos)
– Filho, quando eu era da sua idade, não existia muita coisa que tem hoje. Não tinha celular e nem telefone na casa de mamãe…
– Sua casa era no Egito?
(Vinicius, 5 anos)
– Mãe, quero ganhar um celular da maçã mordida.
(João Pedro, 6 anos)
Íris estava no sofá e eu a abracei e beijei muito. Ela ria bastante. Quando acabei, ela suspirou e me disse sorrindo:
– Ai, ai, mamãe… o amor faz cócegas.
(Íris, 4 anos)
– Mãe, ir para a escola deveria ser igual ter um trabalho.
– Por quê? – imaginando que a resposta dele seria sobre receber um salário.
– Pra poder pedir demissão!
(Raul, 6 anos)
– Mamãe, o papai também é médico, igual você?
– Não, filho, ele é advogado.
– Mas, o que um advogado faz?
– Ele cuida da justiça.
– Da liga? Da Liga da Justiça?!
(Tomaz, 3 anos)
– Ah, filha, você é um amor! Nem sei como te agradecer.
– É fácil, eu ensino: você diz “obrigado” e eu respondo “de nada”.
(Nina, 2 anos)
Estávamos brincando de fazer caretas. A Cecília fazia e eu imitava. Em certo momento, encantada com as carinhas dela, eu disse:
– Filhinha, você não consegue ficar feia!
– Você consegue, mamãe!
(Cecília, 3 anos)
Meu terceiro filho, Gustavo, havia acabado de nascer. Com duas semanas em casa, meu filho do meio chegou em mim uma hora para conversar sobre o irmão:
– Mãe, posso te perguntar uma coisa?
– Claro, Gui.
– Mãe, o Gu é legal e tudo mais… mas quando é que ele vai embora?
(Guilherme, 4 anos)
Estava tudo em silêncio em casa, quando de repente escutei:
– “Escravos de Jó, jogavam Satanás…”
(Alice, 2 anos)
Meu cabelo é azul. Um belo dia, minha aluna chegou com a mãe e foi me apresentar:
– Olha mãe, essa é minha professora. Ela tem cabelo azul, mas tem emprego.
(Helena, 7 anos)
Depois de levar uma bronca, meu filho soltou essa:
– Quando crescer, eu vou ter a minha esposa e aí quem vai mandar em mim vai ser ela.
(Eduard, 6 anos)
– Mãe, decidi o que quero ser quando crescer: turista!
(Clara, 6 anos)
Levi e o avô estavam brincando no quintal quando passou um avião lá no alto. Ele olhou e comentou:
– Este avião aí é chato. Só cabe gente pequena nele…
(Levi, 7 anos)
Fui fazer exame de sangue e o Lucas foi junto. Durante a espera, ele queria me convencer de que não faria exame de jeito nenhum:
– Se eu ficar doente, vou ficar com febre! E se eu ficar com febre, só vou ter que colocar o quilômetro.
– Colocar o quê, Lucas?
– O quilômetro! Aquele negócio que coloca debaixo do braço!
(Lucas, 5 anos)
O pai estava com a bebê de 5 meses no colo e a Celine pediu pra tirar uma foto:
– Mamãe, tira uma foto nossa?
– Claro, filha. Vai lá com eles.
– Vou ficar do lado do papai porque ele não baba…
(Celine, 2 anos)
Estávamos na sala brincando de médica e a Tauane falou:
– Vamos ver o coração do tigre.
– Vamos.
– Deixe eu pegar o negócio pra escutar.
– Tá certo.
– Agora vamos escutar o coração dele. Tum tum tum tum…
– O que ele tem, Tau?
– Coração partido.
(Tauane, 7 anos)
Depois do almoço minha cunhada pediu ao meu sobrinho para que ele contasse uma história. Ele então começou a contar a história da menina do zoológico de Toronto.
– Luan, que bichinhos tinham no zoológico?
– Ah, tinha panda, girafa, gorila, tigre, morangotango…
(Luan, 3 anos)
– Gosto de cachorros porque eles parecem crianças!
(Lívia, 3 anos)
Estava no mercado com o Miguel e passamos pelo corredor de rações. Vi uma com a foto de um cachorro e expliquei:
– Essa é comida do cachorrinho.
E ele, vendo um gato em outra embalagem:
– E essa é do gatinho.
– Isso mesmo.
Depois, entramos no corredor onde tinha um desinfetante Pato Purific e ele:
– E essa é a comida do patinho!
(Miguel, 3 anos)
Uma amiga minha mandou uma mensagem de áudio via WhatsApp para o Matheus:
– Oi, Matheus, você foi na aulinha de funcional hoje?
Ele prontamente respondeu:
– Sim! Eu fui na aulinha e já tô funcionando!
(Matheus, 4 anos)
Sou enfermeira e estava trabalhando na linha de frente durante a pandemia, longe de casa e da família. Quando encontrei meu filho, eu o abracei toda enrolada em panos. Assim que saí, minha irmã enviou uma mensagem sobre um comentário dele:
– Quando vi minha mãe, eu fiquei tão feliz quanto um rato com um queijo na mão.
(Bento, 5 anos)
Um parente distante faleceu e passamos no velório rapidinho, só para acolher a família. Na hora de ir embora, o Diogo falou bem alto:
– Mas, mamãe, a gente não pode ir embora antes de cantar parabéns!
(Diogo, 3 anos)
Depois de ouvir a história do Saci, o Cadu quis brincar:
– Mamãe, eu vou ser o Saci. E você, quer ser “assassina”?
(Cadu, 4 anos)
– Mamãe, vamos jogar futebol?
– Vamos.
– Então vamos fazer um combinado? Se eu ganhar, você me dá uma surpresa.
– E se a mamãe ganhar?
– Aí você não me dá a surpresa!
(Arthur, 4 anos)
Estava incentivando meu filho a praticar leitura com a professora na escola:
– Filho, o que você fez hoje na escola?
– Fomos no parquinho e lemos um livro.
– Que legal! E você ajudou a sua professora a ler?
– Não! Ela já sabe.
(Paco, 6 anos)
Eu estava assistindo uma live pelo celular. Daniel olhou a tela e pensou que eu estava numa ligação com a psicóloga dele. Todo simpático, ele acenou:
– Oi, tia Regina!
– Ela não é a tia Regina, filho. É só parecida.
Ele acenou novamente:
– Oi, Parecida!
(Daniel, 2 anos)
Pedimos para Mariana desenhar um balão no computador. Ela fez um monte de rabiscos na tela e meu irmão comentou:
– Mas, isso não é um balão!
E ela, no mesmo instante:
– É porque está estourado.
(Mariana, 2 anos)
Moramos nos EUA e avó veio nos visitar. Na hora de dormir, a Gaia escolheu um livro em inglês para ler e a avó comentou:
– Mas eu não sei ler em inglês.
– Leia em português então.
A avó tentou explicar que não dava e a Gaia pegou outro livro:
– Lê esse. É em português?
– Não é. Olha só, o nome dele é “Dear Girl”.
– Ah, viu? Você sabe ler em inglês!
(Gaia, 2 anos)
– Mamãe, eu quero uma bicicleta.
– Ah, então vamos pedir para o Papai Noel e no fim do ano ele te traz.
– Não, mãe. Eu só quero ir numa loja comprar!
(Melina, 3 anos)
Em uma conversa com meu filho, eu disse:
– Filho, amanhã você vai pra escola.
– Ah, não, mamãe. Eu não quero ir, quero ficar em casa com você.
– Filho, você tem que ir. Tem que estudar pra ser alguém na vida.
– Você é minha vida, mamãe.
(Matheus, 3 anos)
Estava falando com minha irmã:
– Fui no cinema com meu namorado na semana passada.
– Eu adoro quando vocês fazem pombagem.
– O que é pombagem, Ana?
– Ué, é quando vocês ficam que nem pombinhos, bem juntinhos.
(Ana Luisa, 8 anos)
Estávamos experimentando alguns picolés. Então, comentei com meu marido:
– Nossa, esse picolé de milho é muito bom!
E a Cecília entrou na conversa:
– Eu também acho!
– Como você sabe? Você nunca quis experimentar esse sabor!
– Estou brincando! Falei só para socializar.
(Cecília, 7 anos)
– Você foi no “Ponto” Socorro, papai?
– Sim. Mas o correto é Pronto Socorro, filha.
– Não! É “Ponto” Socorro. Porque as pessoas dão ponto e gritam “socorro!”
(Mariana, 6 anos)
Estávamos brincando com a Isabela de falar palavras pra ela repetir:
– Isa, fale “casa”.
– Casa.
– Cachorro.
– Cachorro.
– Helicóptero.
Ela demorou uns segundos, olhou pra nós e falou:
– Avião.
(Isabela, 2 anos)
Chegamos na casa da minha neta, que nos esperava na porta e, depois de um beijo, foi logo dizendo:
– Vó Mari, vem ver o meu quarto.
Segui a pequena, que saltitava na minha frente.
– Que lindo, Teresa. Tá bem bonito, em ordem. Parabéns!
– O papai falou que você vinha e que a gente tinha de arrumar tudo correndo…
(Teresa, 2 anos)
Lohan estava brincando de vender nossa gatinha:
– Olha a gata! É pretinha e solta pelo! Só por um milhão de dólares!
– Hum, eu pago um açaí por ela.
– Negócio fechado!
(Lohan, 6 anos)
– Tia Jú, você gostou desse desenho que a gente estava assistindo?
– Sim, muito legal!
– Esse desenho é da minha infância, sabia?
– Jura?
– Sim, eu assistia muito quando eu tinha 4 anos!
(Pedro, 5 anos)
Estava limpando o espaço da minha cadela e meu sobrinho me observando com cara de atenção. Então perguntei:
– Dadá, por que você é tão lindo assim?
– Ah, tia Lala, acontece que eu não sou tããão lindo assim. É que você me ama muito e o amor faz com que a gente enxergue beleza nas coisas.
(Davi Lucca, 4 anos)
Estamos na Alemanha e, vendo as notícias da guerra tão perto de nós, Kiran comentou:
– Mãe, vou falar pra esse moço que não pode jogar bomba nas pessoas. Nas pessoas, a gente faz é carinho!
(Kiran, 4 anos)
Falei pro meu filho:
– Heitor, você tem que arrumar seus brinquedos e separar alguns para doar para quem não tem.
– Mãe, você tem brinquedos?
– Não.
– Então vou doar para você.
(Heitor, 4 anos)
Quando Nina tinha dois anos, fomos morar nos EUA e ela nunca tinha tido uma aula de inglês. Lá, começou a frequentar uma escolinha.
– Nina, como foi a escola hoje?
– A professora conversou comigo.
– E o que ela falou?
– Ela disse: gtrsjiut asftinbf xbhyrrd!
– Ah é? E o que você respondeu?
– Respondi: kjgddryui schjutt dfcvbbh!
(Nina, 2 anos)
– Mãe, o que é certificado?
– É quando a pessoa conclui um curso. No final, ela ganha um certificado.
– E por que a igreja tem certificado?
– Como assim, filha?
– Assim, mãe: “Pai nosso que está no céu, certificado seja o teu nome…”
(Melissa, 7 anos)
Fomos tirar fotos com minhas priminhas. Estavam todas organizadas para a foto e só faltava o sorriso. Eis que a Valentina grita:
– PIIIIIX!
(Valentina, 3 anos)
O Gustavo chegou triste da escola e nem quis almoçar. Perguntei o que havia acontecido e ele não quis falar.
O João, irmão mais velho, respondeu por ele:
– É que a Vitória não quis brincar com ele hoje, mãe. E o Gustavo não tira a Vitória da cabeça.
Ouvindo o João falar, o Gustavo replicou:
– Não, João! A Vitória não está na minha cabeça. Ela está no meu coração.
(Gustavo, 5 anos e João, 7)