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Compensação

– Papai, não quero que minha mãe doe minhas roupas.
– Mas filha, as roupas não cabem mais. Você tem que dividir com uma amiguinha que não tem roupas.
– E porque ela não tem roupas?
– Porque o papai dela não teve dinheiro para comprar.
– Então você divide o seu cartão como ele.

(Júlia, 3 anos)

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Coração de mãe

Minha mãe é professora do ensino fundamental numa escola da zona rural, no interior de Pernambuco e estava explicando sobre as olimpíadas no Brasil. Depois de mostrar todos os países do mundo no mapa mundi, ela disse:
– Pessoas do mundo inteiro virão ao Rio de Janeiro para assistir aos Jogos.
Então o Lucas perguntou:
– E eles vão caber aqui, professora?

(Lucas, 6 anos)

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Vocação

Um dia, meu sobrinho conversava com seus pais tentando entender o porquê de alguém que não precisa mais estudar, optar por continuar estudando. Seu pai explicou que a faculdade servia para que as pessoas pudessem aprender a fazer algo legal para depois trabalhar com isso e ganhar dinheiro. Ele refletiu um pouco e disse:

– Ah, entendi! Tipo entregador de pizza, né?

(Lucas, 7 anos)
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Soletrando

Minha afilhada veio aqui em casa. Eu estava conversando com sua mãe, quando ela contou: 
– A Manuela aprontou!
– É, eu fiz M – disse Manu.
– M de quê, Manuela? – perguntei, curiosa.
– M de besteira!


(Manuela, 6 anos)
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The boss

– Alice, quando começar a propaganda vamos tomar banho, ok?
– Mãe, eu também quero ter uma filha.
– Mesmo?
– Sim. Também quero ter alguém para mandar.

(Alice, 4 anos)

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Ligeiramente grávida

Elisa estava brincando de grávida com o primo e carregava uma boneca embaixo da blusa. Depois de um tempo, Gustavo foi para outro cômodo da casa. Então, a Elisa chamou:

– Vem aqui, amor.
E ele saiu falando sozinho:
– Isso foi a pior coisa que eu já ouvi na minha vida.
(Elisa, 4 anos e Gustavo, 5)
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Mundo mágico

– Mamãe, todas as princesas moram no castelo da Cinderela, aqui na Disney.

– Verdade, filha?
– Sim. Menos o príncipe.
– E onde mora o príncipe?
– Lá em casa. É o meu papai.
(Helena, 3 anos)
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Fraldário

Estava na casa da minha sogra com o meu sobrinho. Certa hora, meu namorado foi ao banheiro. Ele começou a demorar e eu comentei:
– Nossa, que demora!
Aí meu sobrinho disse:
– Ô, tia Fran, a mãe dele não vai subir pra limpar ele, não? Acho que ele ta é esperando.

(João Victor, 5 anos)

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Ihc!

Meu sobrinho estava com soluço. Veio correndo e disse:
– Tia Fraaaaan, pega no meu coração?
– O que tem o seu coração?
– Ele tá tossindo.

(João Victor, 5 anos)

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Gênio indomável

Estava fazendo uma pesquisa com estudantes de altas habilidades para entender sobre suas personalidades. Em uma entrevista, perguntei para um menino:
– Quais são suas atividades além de estudar?
– Eu gosto de ler.
– Que tipo de livro?
– Tipo análises sociais e filosofia.
Impressionado pedi um exemplo:
– Ah professor, tipo Diário de um Banana.

(11 anos)

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Só o básico

Estava muito frio e meu chuveiro havia queimado. Por isso, tive que dar banho no meu filho usando um balde e uma canequinha, com água aquecida no fogão. Ele não parava de brincar e conversar, adorando a novidade. Então falei:
– Anda, Ryan, banho de caneca precisa ser rápido, tem que lavar só o básico!
– O quê?!
– Banho de caneca tem que ser rápido e lavar só o básico.
Ao que ele respondeu prontamente:
– Mas eu não tenho básico.

(Ryan, 4 anos)

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Tão perto, tão longe

Meu filho estava sentado ao meu lado no sofá e perguntou:
– Mamãe, você está com saudades de mim?
– Não, filho. Você está aqui ao meu lado. A gente só sente saudades de quem está longe.
Ele imediatamente corre para a outra ponta do sofá, vira pra mim e diz:
– E agora, mamãe? Você está com saudades de mim?

(Heitor, 3 anos)

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Corrigindo

Estava discutindo com meu irmão mais novo, quando ele falou:
– Eu vou brincar, sim.
– Vai uma ova!
– “Ova”, não. O-vo.

 (Richard, 5 anos)

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Xing ling

A Isabela ficou encantada com o Google Tradutor:
– Mãe, eu vou escrever aqui: “minha mãe é chata”. Mas não precisa ficar triste porque vou ver em chinês e não em português, tá?!

(Isabela, 5 anos)

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Que seja eterno enquanto dure

Como não tenho nenhum parentesco direto com o João, falei para ele, já tem algum tempo, que seria sua tia “emprestada” até quando ele quisesse. Hoje, tivemos o seguinte diálogo:
– Hoje você é minha tia.
Perguntei:
– Até quando?
– Até o fim dos números.

 (João, 5 anos)

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Teacher

Meu filho me perguntou como se fala “porta” em inglês e eu respondi:
– Se fala “door”, filho.
Ele me olhou e disse:
– Ahhh, por isso que quando prendemos o dedo na porta, falamos “que door!”.

(Cairê, 7 anos)

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Estoque

Diálogo entre a professora e os alunos:
– Minha voz está ruim hoje.
– Eu tenho várias “voz”. A vó Neuza, a vó Terezinha…

(Mariah, 2 anos)

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Amor

Caio olha para seu bisavô sentado na poltrona e pergunta:
– Por que seu braço tá murcho?
O bisavô começa a chorar e diz:
– Tô velho. Tem que jogar fora, no lixo…
– Nããão. Eu gosto de braço murcho.

(Caio, 4 anos e seu bisavô 89)

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São Fofão

Papo da noite na hora de escovar os dentes:
– Pai, hoje a gente leu a história do homem cabeludo na igreja.
– Ah é, filha?
– É, do Fofão.
O pai, sem prestar muita atenção, foi dando corda e concordando com a filha:
– É, filha, o Fofão era cabeludo mesmo e…
Até que a mãe gritou lá do quarto:
– É Sansão!

(Clarice, 4 anos)

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Menino do tempo

Na volta do shopping, tivemos que pegar outra rota já que a via principal estava interditada por causa da neve. Liguei meu GPS e de repente meu filho começou a falar lá do banco de trás:
– Meu Deus do céu, estamos perdidos. Não vamos chegar em casa a tempo.
– A tempo de quê, meu filho?
– Eu não sei, mãe. Só a tempo.

(Eduardo, 7 anos)

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Plural

– Vitória, o que é esse buraquinho na barriga?
– Umbigo.
– E se fossem dois buraquinhos na barriga?
– Seria “doisbigo”.

(Vitória, 5 anos)

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Cavalheiro

Meu sobrinho estava com minha mãe no campo, quando ela se machucou. Vendo que começou a sangrar,  ele falou:
– Calma, vovó. Depois de casar sara.
Já em casa, minha mãe perguntou:
– Mas como poderia sarar depois de casada se eu já me casei?
E ele respondeu:
– Eu sei, vovó. Era só para te acalmar.

 (Murilo Gabriel, 5 anos)

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Virando bicho

– É um leão – disse o Daniel fazendo careta de leão.
– Na verdade é uma onça, filho – disse a mamãe.
– Não é! É um “onço”, não está vendo que é um menino? Está até todo pintado – retrucou a Luisa. 

Daniel (2 anos) e Luisa (5 anos)

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Diga xis

Nina no laboratório, depois de fazer um raio-x:
– Papai, eu olhei na foto que o médico tirou de mim mas não vi Jesus lá dentro.

(Nina, 4 anos)

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Você me paga

Estava muito frio. O Rafa tinha que tomar banho e foi direto para o banheiro, sem levar nada. Eu o chamei e disse que tinha uma sugestão:
– Pegue a roupa que vai usar depois para já vesti-la no banheiro e não ter que sair pelado pela casa até o quarto, passando frio.
Ele então me disse:
– Ótima sugestão, Zeize. Obrigado. Merece um abraço, um abraço de uma hora.
Ele veio e me abraçou. Então eu disse que era melhor ele ir logo tomar banho, mas que depois eu iria cobrar meu abraço de uma hora. E ele:
– Ah, mas sabe como é, o imposto tira a metade.

(Rafael, 9 anos)

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Classificados

– Vovó, você tem namorado?
– Não, não tenho, Vitoria.
– Não se preocupe. Eu vou arranjar um para você, bem velhinho, igual a senhora.

(Vitoria, 5 anos)

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Doeu?

– Dinda, a dentista arrancou meu dente.
– Por quê?
– Porque doía muito.
– Hum, e agora não dói mais?
– Não sei.
– Como não sabe?
– Eu não estou mais com ele.

(Isabele, 5 anos)

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Atitude

– Tatá, achei um bicho na cozinha.
– Bruninho, você achou um grilo.
– Um grilo?
– Igual ao grilo do Pinóquio, um grilo falante.
– Não, Tatá. É um grilo pulante.

(Bruno, 4 anos)

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Brinquedo

João Pedro fez um pequeno machucado no dedo e acabou saindo a pele.
Então, de manhã, meus dois filhos estavam na minha cama e o Julio, de apenas 4 meses, pegou na mão do João. Na hora o João tirou a mão e disse:
– O maninho, não mexa no meu dodói. Está faltando peça.

(João Pedro, 2 anos)

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Ensinando

– Ah, filha. Você é um amor. Nem sei como te agradecer.
– Ah, mamãe, é fácil. Eu te ensino. Você diz “obrigado” e eu respondo “de nada”. Assim.

(Nina, 2 anos)

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Com ou sem emoção?

Meu filho Isaque recebeu um amigo em casa e na hora do lanche falei:
– Hoje cada um faz seu lanche e lava sua louça. Ok?
O Edú topou mas o Isaque falou:
– Ah, não. Eu não quero lavar a louça.
– Vai lavar, sim. Cada um lava a sua, filho.
– Ah, pai. Eu não gosto de lavar a louça.
A Thais também entrou na conversa:
– Gostar, também não gosto, mas precisa lavar. É a vida.
– Mas a vida precisa ser mais do que isso.

(Isaque, 10 anos)

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Mãe com açúcar

Quando eu tinha 40 anos, nasceu minha filha Clara e com o passar dos anos eu disse para ela:
– Ihhhh! Quando você fizer 10 anos a mamãe vai fazer 50!
Na mesma hora ela saiu com essa:
– Então você vai ser minha avó?

(Clara, 4 anos)

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Golpe

– Mãe, hoje eu tive aula de karatê na escola. É assim, ó…
Depois de fazer alguns movimentos com seu jeitinho de criança, falei:
– Filha, acho que isso é aula de judô.
– Não, mamãe, ele não ajudou. Ele ensinou.

(Estela, 4 anos)

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Dose dupla

– Lara, desça da cadeira. Você vai cair.
Ela nem me respondeu.
– Lara, eu vou tomar essa cadeira de você.
– Não.
– Então você vai tomar cuidado?
– Vou. Vou tomar tudo.

(Lara, 4 anos)

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Embrulho

O Caique estava aprendendo a olhar aqueles encartes de propaganda. Então, apontou para um brinquedo do encarte e pediu:
– Tia, dá esse brinquedo pra mim?
– A tia não tem dinheiro pra comprar presente pra você, querido.
Ele logo disse:
– Não precisa vir de presente, não. Pode vir na sacolinha mesmo.

(Caique, 3 anos)

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Tattoo

Conversando com a minha prima, comentei:
 – Isa, que legal! Você fez tatuagem de henna?
Ela prontamente respondeu:
 – Não, de borboleta.

 (Isabella, 6 anos)

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O que há, velhinho?

Em nossa oficina Da Horta para a Mesa, estávamos conversando sobre a horta, colhendo cenouras e beterrabas, quando perguntei ao aniversariante:
– Você gosta de cenoura?
E ele respondeu com toda a sinceridade de uma criança aos 3 anos:
– Eu prefiro chocolate!

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Plano B

– Heloísa, já falei dez vezes para colocar o tênis. Por que ainda está sem tênis?
– Ué?! Porque você ainda não pegou o tênis pra mim.
– Ah, tá! Então você só põe o tênis se eu pegar? E se eu morrer você vai fazer o quê?
– Vish, mãe! Acho que vou usar só chinelo.

(Heloísa, 5 anos)

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Buraco negro

Pedro estava mascando chiclete e depois de um tempo o pai perguntou:
– Pedro, cadê seu chiclete?
– Caiu.
Já procurando pelo chão e entre as cobertas, o pai perguntou:
– Onde caiu? Você engoliu, Pedro?
– Eu não engoli. Ele caiu bem aqui, na minha garganta.

(Pedro, 3 anos)