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Dunga, Zangado ou Soneca?

-Mãe, vou pentear seu cabelo!
Depois de estar toda descabelada, eu disse:
-Deixa eu ver no espelho… Tô bonita? Tô parecendo com quem?
-Tá linda, tá parecendo a Branca de Neve!
-Owmm… Obrigada! E o pai, tá parecendo com quem?
-Ele tá lindo. Tá parecendo com os sete anões!

(Joaquim, 4 anos)

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A troca

O Victor estava com a mãe e a irmãzinha, quando a mãe lhe pediu um favor:
-Victor, espera um pouco que vou trocar a sua irmã.
E ele suplica:
-Troca não mãe, eu gosto muito dela.

(Victor, 5 anos)

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O primeiro pedaço

Aniversário da Nicolly, hora de cortar o bolo:
– Filha, de quem vai ser o primeiro pedaço?
– Meu.
Insisti para ela oferecer o primeiro pedaço, mas ela estava irrevogável:
– É meu.
Então expliquei que o bolo todo era dela, mas que ela tinha que dar o primeiro pedaço para alguém. E tentei uma alternativa:
– De quem é que você gosta mais?
Ela, sem exitar, respondeu:
– Do bolo!

(Nicolly, 3 anos)

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B1 e B2

A mãe tinha um filho de 5 anos e filhos gêmeos de 8 meses. Ela costumava vesti-los com cores diferentes e os deixava um de frente para o outro no berço, com brinquedinhos no meio para se entreterem. Certa vez, ela foi ao banheiro e pediu ao mais velho que olhasse os irmãos. Quando saiu, um dos gêmeos, sem muita firmeza, perdeu o equilíbrio e caiu com a cabeça entre as pernas do outro, que então começou a bater no irmão. O garoto mais velho correu em pânico para avisar a mãe:
– Mãe, vem ligeiro porque o azul tá batendo no vermelho!

Enviado pela Michelle Freire

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Tempestade

Apresentando a cidade:
– Olha, ali fica a igreja, mais pra frente tem um barzinho e ali é onde o meu pai trabalha.
– Que perto! Ele deve vir trabalhar à pé.
– Ah, quando não chove, ele vem tranquilo, sim.
– E quando chove, vem nervoso!?

(Vinícius, 3 anos)

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Vota Brasil

– Pai.
– Oi, filha.
– O que é preciso pra ser presidente?
– É assim: as pessoas que se acham capazes se candidatam, daí o Brasil inteiro vota. O que tiver mais votos será o Presidente.
– Eu queria que você e a mamãe fossem candidatos
– Ah, obrigado, filha!
– É porque daí a gente não ia precisar pagar por nada.

(Ellen, 6 anos)

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Panelastation 3

O Daniel pegou o folder de uma loja na mão e começou a analisar:
– Mãe, eu já sei o que é isso.
– O que é, filho?
– É um fogão. E isso é uma geladeira, isso é um secador, isso é uma chapinha e… e isso aqui mãe?
– Isso é um jogo de panelas.
– Mas, mãe, como é que se joga um jogo de panelas?

(Daniel, 2 anos)

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Bi-bi, fom-fom, do-dói

Estávamos passeando de carro quando o Konrado perguntou:
– Mãe, carro fica doente?
– Doente, não! A gente diz que ele tá doente quando tá com algum defeito…
– Então por que naquela oficina de carro tá escrito “Injeção”?

(Konrado, 7 anos)

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Era uma vez…

Li o livro “Lino” na escola e disse às crianças que quem o escreveu foi André Neves. No dia seguinte reli o livro e perguntei:
– Quem é o autor do livro?
E o Wenderson gritou todo animado:
– Branco… Branca… Branca de Neve!

(Wenderson, 5 anos)

Enviado pela Erica Bosi

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O Horário

O Henrique sempre bebe um copo de leite antes de dormir, mas certa noite ele insistiu para tomar mais cedo:
– Mamãe, eu quero tetê
– Henrique, você tem que esperar o horário chegar
– Mas se o horário não chegar, você pode fazer a tetê por ele?

(Henrique, 2 anos)

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Imparcial

A Nina viu alguma cena na televisão e ficou impressionada.
– Mamãe, um dia você vai se separar do papai?
– Não, filha. Fique tranquila, a mamãe nunca vai se separar do papai.
– Até porque você ia sentir muito a minha falta, né?

(Nina, 5 anos)

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Embaladinha

Eu estava me arrumando para sair com meu marido e a Maria Luísa apareceu:
– Que bonita, mamãe. Onde você vai?
– Vou sair filha, mas é um passeio de adulto.
Então ela vira para o pai e diz:
– Papai, a mamãe vai sair num passeio de adulto. E a gente vai aonde?

(Maria Luísa, 2 anos)

Enviado pela Flávia Trigueiro

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Pink

– Filha, quer um pedaço de queijo branco?
– Não, mamãe, obrigada. Prefiro rosa!

(Valentina, 2 anos)

Enviado pela Inês Gianni

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Glutão

A família toda estava reunida para o almoço num restaurante elegante e a mãe, preocupada com o comportamento dos quatro filhos, resolveu se prevenir. Dentre os conselhos, disparou:

– Por favor, mastiguem de boquinha fechada. Vocês sabem o que acontece com quem mastiga de boca aberta? Entra mosca!

O João, todo macho, emendou de peito estufado:

– Pode deixar que eu engulo a mosca!

(João, 3 anos)

Enviado pela Gabi Burcci

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Castidade

Eu estava deitado no sofá, assistindo tv e o João Victor chegou:

– Daniel você é virgem?
Engoli seco, fiquei paralisado, não sabia o que responder. Então devolvi a pergunta:
– Tu é virgem, guri?
Ele imediatamente me respondeu:
– Nããoooo… Eu sou católico!
(João Victor, 5 anos)
Enviado pelo Daniel Hugo, via Facebook
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A prova d’água

A Isabella jogou o celular da mãe no chão e acabou indo ficar de castigo. Trinta segundos depois, a mãe olhou para ela e questionou:

– Isabella, você está chorando? Você fez besteira, não pode jogar o celular da mamãe no chão…
– Isabella não tá chorando.
– Ah… você não tá chorando? Então que é isso no seu olho?
– Maquiagem.
(Isabella, 2 anos)
Enviado pela Marcella Maciel
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Orgulhosa

A família toda no carro, a Nina chama lá de trás:
– Mamãe?
– Oi, filha.
– Você tem orgulho do seu pai?
– Tenho, sim, Nina. Tenho muito orgulho do meu pai. E você?
– Eu também.
E o pai, que dirigia, sorriu todo cheio.
– Mamãe?
– Oi.
– O que é orgulho?

(Nina, 5 anos)

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Ufa!

– Mãe, lembra quando a gente saiu e eu disse pra você que vi alguns extraterrestres do outro lado da rua?
– Lembro.
– Então, era mentira. Só queria te assustar.

(Natália, 6 anos)

Enviado pela Katiusca Arruda

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Mãe Diná

A mãe chega em casa à noite e encontra um bilhete:

“Mãe, o Rafa e a Ana não quiseram me falar que dia foi depois de amanhã.
Boa noite.
Beijos e abraços.
Natália”

(Natália)

Enviado pela Ana Julia Zecchin

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Fases de crianças

Antes que elas cresçam
Affonso Romano de Sant’Anna
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.
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Quer pagar quanto?

Estávamos numa livraria comprando um presente para a mamãe e eu resolvi checar o preço do livro num daqueles leitores de código de barras. Coloquei o livro, esperei e o preço apareceu na tela. Então, me dirigi à fila do caixa pra pagar. Quando olhei para trás, a Nina estava ali parada em frente ao equipamento passando a mãozinha pelo leitor.
– Vem, Nina, vem logo!
Desapontada, ela olhou pra mim e se lamentou:
– Puxa, minha mão não vale nem 1 real!?

(Nina, 5 anos)

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Centrífuga

A Maria Eduarda estava brincando com água e eu alertei:
– Vê se não molha o cabelo, hein?
Passados alguns minutos, ela volta com a franjinha toda molhada e se explicando:
– Mãe, eu molhei a franja sem querer. Mas eu já torci…

(Maria Eduarda, 6 anos)

Enviado pela Malu Almeida