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Diretas já

Estávamos na igreja estudando a história de Sara (esposa de Abraão). Ela era humilhada por Agar (concubina de Abraão) por não poder gerar filhos. Eu repeti algumas frases que Agar dizia a Sara:
– Coitada, você não pode ter filhos, você é amaldiçoada. Abraão vai ter herdeiros porque eu posso gerar filhos.
De repente, um aluno levanta a mão e diz:
– Ei, tia, então foi aí que surgiu as indiretas?
(Iago, 7 anos)
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Um passo de cada vez

Levei minha irmã ao parquinho, como minha mãe havia mandado. Ela brincou um pouco, então perguntei enquanto ela se balançava:

-Elloa, você vai chegar até o céu?

Ela me olhou e disse:

– Sim, algum dia!


(Elloa, 7 anos)

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Música para meus ouvidos

Em um shopping, havia diversos instrumentos musicais disponíveis para tocar: guitarra, baixo, piano, bateria, pandeiro… depois de uma hora tocando todos, perguntei:

– Maya, qual instrumento você mais gostou?

Ela pensou um pouco e me respondeu:

– Eu gostei mais de tocar com você, papai.

(Maya, 4 anos)

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Item de compra

Acabamos de receber uma visita e minha sobrinha conversou por muito tempo com a mulher. Logo em seguida ela perguntou: 
– Você fala muito, é muito esperta. Qual seu signo?
Ela fez uma careta e falou: 
– Vixe, tia. Eu não tenho isso, não. Mas meu pai já falou que vai comprar. 

(Jennyfer, 4 anos)
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Ele sabe

– Mãe, como coloca água dentro do côco?
– Meu filho, para tudo isso há uma explicação. 
– Me explique, por favor, porque isso só pode ter sido coisa de Deus.

(Nilton Gabriel, 6 anos)

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Espécie

A Helena estava descalça, então eu disse:
– Helena, tire esse pé do chão.
E ela, simplesmente, me respondeu:
– Não dá. Eu não sou voadora.

(Helena, 4 anos)
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Milagre

– Levei minha filha na quermesse e ela ganhou no jogo da pescaria uma coroa de princesa e uma varinha de condão.

Chegando em casa, ficou brincando de fada e falou:
– Mãe, vou fazer uma mágica para você.
– Então faz uma mágica para a mamãe ficar magra.
Ela levantou a varinha, olhou bem para mim, pensou um pouco e falou: 
– Mãe, mas você sabe que é de brincadeira, né?

(Ana Clara, 5 anos)
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O último romântico

– Mãe, como a senhora sabe que alguém está apaixonado por você mas sem que ela fale?
– Ué, filho, pelas atitudes da pessoa. Se ela me tratar com carinho, se fizer as coisas que eu gosto… Mas porque você está me perguntando isso?
– Porque quando eu crescer, quero saber quando alguém estiver apaixonada por mim, mesmo sem falar. 

(Vinícius, 4 anos)

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Ops

– Mãe, passei um mico no aniversário da minha amiga. Eu estava me segurando para não soltar um pum, mas aí deu vontade de espirrar. Quando eu espirrei, soltei o pum junto.

– E alguém ouviu?

– Só a aniversariante. Olha que sorte!

(Nina, 9 anos)

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Bons olhos

Estávamos na fila para pagar a conta da farmácia, apareceu minha irmã com uma embalagem de escova de dentes e perguntou:

– Mãe, vamos comprar? Está barato.
– Isso deve estar caro, Raica.
– Claro que não. Custa um real. Está escrito: leve dois pague um.

(Raica, 8 anos)
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Contato

Temos um primo que faleceu há dois meses. Então hoje o Arthur me perguntou:
– Tata, se eu mandar uma mensagem para o Rapha ele vai responder lá do céu?
– Não, Arthur. Mas ele vai ver.
– Então se eu mandar vai aparecer visualizado?

(Arthur, 10 anos)

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Lugar

Abrimos o cofre do Miguel e diante de tantas moedas indaguei:
– Filho, quanto dinheiro! Você já sabe aonde vamos gastar?
– Já sei, mamãe. Na zona.
Assustada, perguntei:
– Miguel, você sabe o que é uma zona?
– Sim, mamãe. É aquilo que fazemos na sala de brinquedo.

(Miguel, 6 anos)

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Par

Meu sobrinho contou que iria na festa junina e eu perguntei:
– Você vai dançar quadrilha?
Ele me olhou com um olhar de censura e respondeu:
– Não, tia. Vou dançar com a Júlia.

(Bruno, 7 anos)

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Carta fora do baralho

– Pai, qual é o nome dessa ferramenta?
– É um esquadro, filho.
– Tu não gosta mais dele?
– Por que, filho?
– Porque tudo que começa com “ex” a gente não gosta mais. Tipo: ex marido, ex namorado.

(Artur, 6 anos)

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Preferências

– Mãe, eu gosto de um menino da minha sala.
– E ele é bonito, Malu?
– Não… Mas ele conta um monte de piadas. Eu gosto dele pela diversão.

(Malu, 6 anos)

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Varejo

A vovó estava conversando com a Alice e disse:
– Você é o bebê do seu papai e o seu papai é o bebê da vovó.
– Onde você pegou o seu… não tinha pequenininho?

(Alice, 2 anos)

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Função

Voltando de carro da casa dos avós, observando os moinhos de vento pela janela (moramos na Holanda), Yasmin perguntou:
– Porque é que venta? O vento serve para quê?
O papai manteve a idéia de motivar ela a pensar e perguntou:
– Para que você acha que serve o vento? Me conta?
– Eu acho que serve pra secar a roupa do varal. Senão como iríamos vestir roupa sequinha?

(Yasmin, 3 anos)

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Cuidando

O avô fumando cigarro na sala e o neto falou:
– Vô, pare de fumar ou vá fumar lá fora.
Rindo o avô respondeu:
– Léo, vai cuidar da sua vida.
– Ué, mas é isso que eu estou fazendo.

(Leonardo, 6 anos)

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Vocação

No carro:
– Mãe, quando eu crescer quero ser professora de natação, motorista de táxi e cowboy. Mas sabe mesmo o que eu quero?
– Que legal, filha. O quê?
– Quero ter um caminhão de lixo bem grande para levar você e o papai para passear.

(Beatriz, 5 anos)

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Acordo sindical

Manu arrancou seu primeiro dente na casa da Dinda, que perguntou:
– Manu, com quanto será que a Fada do Dente vai te presentear?
A mãe dela prontamente respondeu:
– Uma moedinha de um Real, claro!
Manu disse:
– Fiquei sabendo que as Fadas dos Dentes agora só trabalham com notinhas…

(Manuela, 5 anos)

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Control+Z

– Meninos, semana que vem vocês vão dormir um dia na vovó. O papai e eu precisaremos estar bem cedo no hospital porque o papai vai operar.
– Operar o que, mãe?
– Ele vai fazer uma cirurgia para não ter mais filhos.
– Meu Deus, mãe! Então a gente não vai mais ser filho dele?

(Davi, 7 anos com Pedro, 9 e Lucas, 4)

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Exames

Fui fazer um exame em uma clínica de medicina diagnóstica e levei a Raínne comigo.
Nós aguardamos o atendimento ao lado da atendente que marcava os exames dos pacientes pelo telefone. Ela ficou observando a moça trabalhar e quando chegamos em casa, ela colocou uma mesinha na sala, pegou um telefone velho e começou a brincar de atendente.
Quando passei perto dela, disfarcei pra vê-la brincado e ouvi:
– Tudo bem senhor Roberto, sua ultra-sonografia transvaginal foi marcada com sucesso. Tenha uma boa tarde!

(Raínne, 7 anos)

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Poliglota

– Filho, que música é essa que você está assobiando?
– Não adivinhou, papai?
– Assobia novamente!
– Em inglês ou português?                                           

(Piero, 7 anos)
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Fôlego de vida

A amiga da minha filha foi dormir na nossa casa e quando apagamos as luzes ela perguntou:
– Aqui tem monstros?
Minha filha respondeu:
– Não! Só espírito.
Assustada a Olívia perguntou:
– Mas como assim?
– Espírito, ué?! Espírito de Deus.

(Mariane e Olívia, 6 anos)

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Check in

Estava sentado no sofá, a Anne chegou e disse:
– Quero sentar aqui, tio. Eu estava sentada aqui.
E assim ficou insistindo, até que respondi:
– Não estou vendo nenhum “A” de Anne aqui, marcando seu lugar.
– Mas ali do lado está escrito “tio Daniel”.

(Anne Louisa, 3 anos)

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Fica a dica

Minha filha estava jogando Mortal Kombat e deu um golpe muito bom. Perguntei na hora:
– Como você fez isso, Malu?
– O segredo é não olhar, mãe! Eu não olho e aperto todos os botões.

(Malu, 6 anos)

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Etapa

Bia me pergunta se eu sei como é a idade dos gatos, já que a dos cachorros ela sabe que é 7 anos para cada ano do ser-humano. Eu digo que não sei, que apenas sei que os primeiros seis meses são a infância, dos seis meses à um ano é a adolescência e de um ano em diante é a idade adulta. Ela, então, na lata diz:
– Meu Deus, se ele tem 4 meses, então meu filho é um pré-adolescente. A pior fase!

(Bia, 9 anos)

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Consagrado

Rafaella foi à missa com sua vó. A avó decidiu tomar a hóstia e foi para a fila. Rafaella foi junto pois estava muito curiosa sobre o que estava acontecendo. Após ver a avó receber a hóstia ela perguntou:
– Vó, o que é isso que está comendo?
– É o corpo de Cristo.
A Rafaella fiou brava e disse:
– Vó, você é vegetariana. Não pode!

(Rafaella, 7 anos)

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Alimento

Minha irmã contou que tinha feito purê de batata para o almoço e meu sobrinho respondeu:
– Mamãe, purê de batata é igual oração, né?
– Igual oração, Arthur? Por quê?
– Olha, mamãe: – Papai do céu, muito obrigado “purêsse” papá, amém.

(Arthur, 3 anos)

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O país do futuro

Estava assistindo ao desenrolar da crise política na TV e a Nina, sentada ao meu lado, lia alguma coisa. No final da reportagem, ela baixou o livro e me perguntou:
– Pai, me explica o que aconteceu?
Tentei resumir a coisa toda. Falei sobre corrupção, sobre o sistema político no país e como algumas pessoas desviavam dinheiro de empresas públicas e agora estavam sendo descobertas e investigadas. Concluí tentando mostrar que quem sofria com isso tudo era o povo, que o dinheiro roubado, no fim, deixava de ser investido em hospitais, escolas e benefícios para as pessoas que mais precisam:
– No fim, filha, a maioria só está preocupada em tirar vantagem para si. Eles não pensam no povo. Eles roubam muito. E para piorar, ficam ricos, muito ricos, desviando o nosso dinheiro e tirando dos mais pobres.
Ela refletiu um segundo…
– Entendi. Mas então eu acho que vou ser política, pai.
– Por que, Nina?! Você não entendeu o que eles fazem?
– Entendi. Mas alguém tem que chegar lá para arrumar essa bagunça.

(Nina, 10 anos)

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Pinóquio?!

Virou para a vó recém operada de câncer de pele no nariz:
– Vovó, o que aconteceu com o seu nariz?
– A vovó tirou um pedacinho.
– Vovó, você andou mentindo?

(Lavínia, 4 anos)

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Extra! Extra!

Cheguei em casa depois do trabalho e meu irmão falou:
– Bú! Bú! A mãe vai ser repórter!
– Como assim? Repórter por quê?
– É porque ela foi fazer entrevista de emprego.

(Matheus, 9 anos)

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Amparo

A avó chegou em casa cansada, cheia de coisas para fazer e falou consigo mesma:
– Meu Deus, nem sei onde estou.
A Laura de longe, ouvindo tudo, chegou perto e disse olhando nos olhos dela:
– Tá difícil! Você está em casa! Esta aqui é a sua casa!

(Laura, 5 anos)