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Diretas já
Um passo de cada vez
Levei minha irmã ao parquinho, como minha mãe havia mandado. Ela brincou um pouco, então perguntei enquanto ela se balançava:
-Elloa, você vai chegar até o céu?
Ela me olhou e disse:
– Sim, algum dia!
(Elloa, 7 anos)
Música para meus ouvidos
Em um shopping, havia diversos instrumentos musicais disponíveis para tocar: guitarra, baixo, piano, bateria, pandeiro… depois de uma hora tocando todos, perguntei:
– Maya, qual instrumento você mais gostou?
Ela pensou um pouco e me respondeu:
– Eu gostei mais de tocar com você, papai.
(Maya, 4 anos)
Item de compra
Ele sabe
– Mãe, como coloca água dentro do côco?
– Meu filho, para tudo isso há uma explicação.
– Me explique, por favor, porque isso só pode ter sido coisa de Deus.
(Nilton Gabriel, 6 anos)
Espécie
A Helena estava descalça, então eu disse:
– Helena, tire esse pé do chão.
E ela, simplesmente, me respondeu:
– Não dá. Eu não sou voadora.
Meio
Aumentativo
– Matheus, gostou do vídeo-game que você ganhou do Papai Noel?
– Mamãe, o vídeo-game é mais do que ótimo. É otimista!
(Matheus, 6 anos)
Só os mano
Milagre
– Levei minha filha na quermesse e ela ganhou no jogo da pescaria uma coroa de princesa e uma varinha de condão.
O último romântico
– Mãe, como a senhora sabe que alguém está apaixonado por você mas sem que ela fale?
– Ué, filho, pelas atitudes da pessoa. Se ela me tratar com carinho, se fizer as coisas que eu gosto… Mas porque você está me perguntando isso?
– Porque quando eu crescer, quero saber quando alguém estiver apaixonada por mim, mesmo sem falar.
(Vinícius, 4 anos)
Ops
– Mãe, passei um mico no aniversário da minha amiga. Eu estava me segurando para não soltar um pum, mas aí deu vontade de espirrar. Quando eu espirrei, soltei o pum junto.
– E alguém ouviu?
– Só a aniversariante. Olha que sorte!
(Nina, 9 anos)
Bons olhos
Estávamos na fila para pagar a conta da farmácia, apareceu minha irmã com uma embalagem de escova de dentes e perguntou:
Times em campo
– Eu sou Vasco. E você?
– Eu sou Larissa.
(Larissa, 2 anos)
Contato
Temos um primo que faleceu há dois meses. Então hoje o Arthur me perguntou:
– Tata, se eu mandar uma mensagem para o Rapha ele vai responder lá do céu?
– Não, Arthur. Mas ele vai ver.
– Então se eu mandar vai aparecer visualizado?
(Arthur, 10 anos)
Ele está no meio de nós
A Aylla saiu da sala e eu perguntei:
– Você vai me deixar sozinha?
Ela me olhou e respondeu:
– Não, mamãe. Fica com Deus.
(Aylla, 3 anos)
Lugar
Abrimos o cofre do Miguel e diante de tantas moedas indaguei:
– Filho, quanto dinheiro! Você já sabe aonde vamos gastar?
– Já sei, mamãe. Na zona.
Assustada, perguntei:
– Miguel, você sabe o que é uma zona?
– Sim, mamãe. É aquilo que fazemos na sala de brinquedo.
(Miguel, 6 anos)
Dupla personalidade
– Alexandre, qual o nome da sua professora nova?
– Batman, tia.
Olhei o caderno estava escrito: Professora Fátima.
(Alexandre, 5 anos)
Par
Meu sobrinho contou que iria na festa junina e eu perguntei:
– Você vai dançar quadrilha?
Ele me olhou com um olhar de censura e respondeu:
– Não, tia. Vou dançar com a Júlia.
(Bruno, 7 anos)
Carta fora do baralho
– Pai, qual é o nome dessa ferramenta?
– É um esquadro, filho.
– Tu não gosta mais dele?
– Por que, filho?
– Porque tudo que começa com “ex” a gente não gosta mais. Tipo: ex marido, ex namorado.
(Artur, 6 anos)
Feliz dia dos namorados
– Lara, o que é o amor?
– Amor é quando alguém te dá coxinha.
(Lara, 7 anos)
Preferências
– Mãe, eu gosto de um menino da minha sala.
– E ele é bonito, Malu?
– Não… Mas ele conta um monte de piadas. Eu gosto dele pela diversão.
(Malu, 6 anos)
Localização exata
– Lú, cadê meu ovo?
– Está circulando no meu sistema digestório.
(Luani, 10 anos)
Varejo
A vovó estava conversando com a Alice e disse:
– Você é o bebê do seu papai e o seu papai é o bebê da vovó.
– Onde você pegou o seu… não tinha pequenininho?
(Alice, 2 anos)
Função
Voltando de carro da casa dos avós, observando os moinhos de vento pela janela (moramos na Holanda), Yasmin perguntou:
– Porque é que venta? O vento serve para quê?
O papai manteve a idéia de motivar ela a pensar e perguntou:
– Para que você acha que serve o vento? Me conta?
– Eu acho que serve pra secar a roupa do varal. Senão como iríamos vestir roupa sequinha?
(Yasmin, 3 anos)
Definições de integral
Servi arroz integral em casa e minha filha disse:
– Que arroz estranho é esse?
– É arroz integral. Não conhece?
– Conheço, sim. Tem crianças integrais na minha escola também.
(Isadora, 3 anos)
Cuidando
O avô fumando cigarro na sala e o neto falou:
– Vô, pare de fumar ou vá fumar lá fora.
Rindo o avô respondeu:
– Léo, vai cuidar da sua vida.
– Ué, mas é isso que eu estou fazendo.
(Leonardo, 6 anos)
Vocação
No carro:
– Mãe, quando eu crescer quero ser professora de natação, motorista de táxi e cowboy. Mas sabe mesmo o que eu quero?
– Que legal, filha. O quê?
– Quero ter um caminhão de lixo bem grande para levar você e o papai para passear.
(Beatriz, 5 anos)
Santo Swarovski
Miguel rezando:
Acordo sindical
Manu arrancou seu primeiro dente na casa da Dinda, que perguntou:
– Manu, com quanto será que a Fada do Dente vai te presentear?
A mãe dela prontamente respondeu:
– Uma moedinha de um Real, claro!
Manu disse:
– Fiquei sabendo que as Fadas dos Dentes agora só trabalham com notinhas…
(Manuela, 5 anos)
Nacionalidade
-Dudu, quem nasce no Brasil é o quê?
-Bebezinho!
(Eduardo, 2 anos)
Control+Z
– Meninos, semana que vem vocês vão dormir um dia na vovó. O papai e eu precisaremos estar bem cedo no hospital porque o papai vai operar.
– Operar o que, mãe?
– Ele vai fazer uma cirurgia para não ter mais filhos.
– Meu Deus, mãe! Então a gente não vai mais ser filho dele?
(Davi, 7 anos com Pedro, 9 e Lucas, 4)
Exames
Fui fazer um exame em uma clínica de medicina diagnóstica e levei a Raínne comigo.
Nós aguardamos o atendimento ao lado da atendente que marcava os exames dos pacientes pelo telefone. Ela ficou observando a moça trabalhar e quando chegamos em casa, ela colocou uma mesinha na sala, pegou um telefone velho e começou a brincar de atendente.
Quando passei perto dela, disfarcei pra vê-la brincado e ouvi:
– Tudo bem senhor Roberto, sua ultra-sonografia transvaginal foi marcada com sucesso. Tenha uma boa tarde!
(Raínne, 7 anos)
Expectativa baixa
– Luiza, agora que passamos o shampoo, vamos passar o condicionador.
– Não, vó! Agora preciso esperar um pouco para o shampoo fazer defeito.
(Luiza, 5 anos)
Poliglota
Eu vou chamar o síndico
Estava tocando a música “W/Brasil” do Jorge Ben Jor no carro. Quando acabou, Cecilia disse:
– Pai, dessa música eu só sei cantar aquela parte que fala assim: “Desmaia”.
(Cecilia, 4 anos)
Fôlego de vida
A amiga da minha filha foi dormir na nossa casa e quando apagamos as luzes ela perguntou:
– Aqui tem monstros?
Minha filha respondeu:
– Não! Só espírito.
Assustada a Olívia perguntou:
– Mas como assim?
– Espírito, ué?! Espírito de Deus.
(Mariane e Olívia, 6 anos)
Check in
Estava sentado no sofá, a Anne chegou e disse:
– Quero sentar aqui, tio. Eu estava sentada aqui.
E assim ficou insistindo, até que respondi:
– Não estou vendo nenhum “A” de Anne aqui, marcando seu lugar.
– Mas ali do lado está escrito “tio Daniel”.
(Anne Louisa, 3 anos)
Fica a dica
Minha filha estava jogando Mortal Kombat e deu um golpe muito bom. Perguntei na hora:
– Como você fez isso, Malu?
– O segredo é não olhar, mãe! Eu não olho e aperto todos os botões.
(Malu, 6 anos)
Não basta ser mãe?
– Mamãe, eu vou ser desenhista quando crescer. E você, mamãe, vai ser o quê?
(Manú, 4 anos)
Medidas
– Vou te comprar um chinelo, Duda.
– Eba.
– Quanto você calça?
– Eu calço dois.
– Dois é muito pequeno.
– É nada. Eu calço um em cada pé.
(Duda, 6 anos)
Etapa
Bia me pergunta se eu sei como é a idade dos gatos, já que a dos cachorros ela sabe que é 7 anos para cada ano do ser-humano. Eu digo que não sei, que apenas sei que os primeiros seis meses são a infância, dos seis meses à um ano é a adolescência e de um ano em diante é a idade adulta. Ela, então, na lata diz:
– Meu Deus, se ele tem 4 meses, então meu filho é um pré-adolescente. A pior fase!
(Bia, 9 anos)
Consagrado
Rafaella foi à missa com sua vó. A avó decidiu tomar a hóstia e foi para a fila. Rafaella foi junto pois estava muito curiosa sobre o que estava acontecendo. Após ver a avó receber a hóstia ela perguntou:
– Vó, o que é isso que está comendo?
– É o corpo de Cristo.
A Rafaella fiou brava e disse:
– Vó, você é vegetariana. Não pode!
(Rafaella, 7 anos)
Alimento
Minha irmã contou que tinha feito purê de batata para o almoço e meu sobrinho respondeu:
– Mamãe, purê de batata é igual oração, né?
– Igual oração, Arthur? Por quê?
– Olha, mamãe: – Papai do céu, muito obrigado “purêsse” papá, amém.
(Arthur, 3 anos)
O país do futuro
Estava assistindo ao desenrolar da crise política na TV e a Nina, sentada ao meu lado, lia alguma coisa. No final da reportagem, ela baixou o livro e me perguntou:
– Pai, me explica o que aconteceu?
Tentei resumir a coisa toda. Falei sobre corrupção, sobre o sistema político no país e como algumas pessoas desviavam dinheiro de empresas públicas e agora estavam sendo descobertas e investigadas. Concluí tentando mostrar que quem sofria com isso tudo era o povo, que o dinheiro roubado, no fim, deixava de ser investido em hospitais, escolas e benefícios para as pessoas que mais precisam:
– No fim, filha, a maioria só está preocupada em tirar vantagem para si. Eles não pensam no povo. Eles roubam muito. E para piorar, ficam ricos, muito ricos, desviando o nosso dinheiro e tirando dos mais pobres.
Ela refletiu um segundo…
– Entendi. Mas então eu acho que vou ser política, pai.
– Por que, Nina?! Você não entendeu o que eles fazem?
– Entendi. Mas alguém tem que chegar lá para arrumar essa bagunça.
(Nina, 10 anos)
Pinóquio?!
Virou para a vó recém operada de câncer de pele no nariz:
– Vovó, o que aconteceu com o seu nariz?
– A vovó tirou um pedacinho.
– Vovó, você andou mentindo?
(Lavínia, 4 anos)
Silêncio
– Analu, não quero falar para você ficar quieta novamente.
– É só não falar.
(Analu, 5 anos)
Extra! Extra!
Cheguei em casa depois do trabalho e meu irmão falou:
– Bú! Bú! A mãe vai ser repórter!
– Como assim? Repórter por quê?
– É porque ela foi fazer entrevista de emprego.
(Matheus, 9 anos)
Amparo
A avó chegou em casa cansada, cheia de coisas para fazer e falou consigo mesma:
– Meu Deus, nem sei onde estou.
A Laura de longe, ouvindo tudo, chegou perto e disse olhando nos olhos dela:
– Tá difícil! Você está em casa! Esta aqui é a sua casa!
(Laura, 5 anos)