– Tia, vamos tomar banho de chuva?
– Não, eu tô gripada.
– Mas, tia, você já está gripada. Se tomar banho de chuva ou não a senhora vai continuar gripada.
(João, 8 anos)
– Tia, vamos tomar banho de chuva?
– Não, eu tô gripada.
– Mas, tia, você já está gripada. Se tomar banho de chuva ou não a senhora vai continuar gripada.
(João, 8 anos)
Cauã e Yasmin conversando:
– Meu pai é policial e vai para a delegacia. A minha mãe e arquiteta.
– O que é arquiteta?
– Não sei… Acho que é quem vai pra academia.
(Cauã, 4 anos e Yasmin, 5)
A professora chamando atenção
– Crianças, sem correr!
– Por que, profe? O próprio nome diz: “corredor”!
(Maria Clara, 8 anos)
Estava tentando convencer a minha filha a nadar, mas ela estava com medo. Eu disse:
– Filha, eu jamais vou deixar que você se afogue.
A avó, para ajudar a convencê-la, perguntou:
– Malu, se alguma coisa ruim acontecer com você, quem mais vai sofrer no mundo?
E ela, mais que depressa:
– Eu, ué!
(Malu, 6 anos)
– Teve atividade do Natal e eu pintei um sino, o Papai Noel e uma rena.
– Que lindo, Gi!
– Sim. E a rena eu pintei de ovinho.
– Ovinho?
– É, uma cor que parece o roxo.
– Ah, a cor vinho!
(Giovanna, 5 anos)
– Mamãe, o que você vai me dar de Natal?
– Beijos.
– Não, mãe, de Natal!
– Então! Vou dar beijos.
– Mãe, beijos é de amor, não de Natal.
(Laura, 4 anos)
Em classe, os alunos faziam um trabalho relacionado ao Natal. O Gabriel levantou com uma dúvida:
– Professora, como é que se escreve “áspero”?”
Intrigada, a professora soletrou a palavra. No final da aula, ela recebeu o trabalho estava escrito: “Feliz Natal e um áspero Ano Novo!”
(Gabriel, 8 anos)
– Filho, o que você vai querer de presente do Papai Noel?
Ele pensou, pensou, pensou e respondeu:
– A moto do homem da pizza, mamãe.
(Luccas, 3 anos)
Em casa, estávamos conversando sobre o Natal e comentei:
– Sabe, acho que nem deveríamos ganhar presentes no Natal. O aniversário é de quem?
– De Jesus.
– Então quem deveria ganhar o presente?
– Ah… Mas Jesus não está dentro de nós?
(Miguel, 4 anos e André, 10)
Em um dia de muito calor:
– Nossa, prima, eu tô com tanto calor, mas tanto calor que eu colocaria o mar inteiro dentro de mim.
(Gabriel, 9 anos)
O Tiago se aproximou e começou a cochichar:
– Mamãe, preciso te falar um segredo.
– Oi. Qual segredo?
– Eu sei onde o Papai Noel mora!
– É, no Polo Norte. Eu também sei!
– Não! É no Shoping Viva Loucos*.
*Villa Lobos
(Tiago, 3 anos)
– Bruna, vira e mexe a gente fala e você não presta atenção, não responde… É feio deixar as pessoas falando sozinhas, sabia?
– Como assim, mamãe? Eu sempre respondo. É que às vezes estou cansada e respondo em pensamento.
(Bruna, 9 anos)
Minha sobrinha Ana Laura começou a soluçar e então falou para a mãe dela:
– Mamae olha isso – e deu um soluço.
– É, filha. Isso é um soluço.
– Esse senhor Lúcio não quer ir embora…
(Ana Laura, 3 anos)
Isis viu um inseto pousado no chão e refletiu:
– A vida é igual… você vê um bicho e logo ele voa. Se a gente não aproveitar, ela também voa e perdemos a oportunidade. Não é isso, mamãe?
(Isis, 5 anos)
– André, você tem avaliação na escola hoje?
– Não sei. Por que você está perguntando?
– Vi no grupo das mães vários comentários de que passaram o fim de semana estudando com os filhos.
– Ué, por quê? Eles não aprenderam na escola?
(André, 10 anos)
– Mãe, o Papai Noel não pode levar o Covid embora?
(Gustavo, 11 anos)
O pai foi brigar com o cachorro que fez xixi no lugar errado. O Santiago entrou na frente e disse:
– Não, pai, Pistache (nome do cachorro) é minha jurisdição.
– Jurisdição? Filho, como você conhece essa palavra com 7 anos?
– Eu tenho 7 anos só por fora. Por dentro, tenho 50.
(Santiago, 7 anos)
– Filha, não tem mais espaço para guardar brinquedos. Precisamos doar o que você não usa mais.
– Claro, mamãe!
– O que você quer separar pra doar?
– As embalagens.
(Maya, 3 anos)
Eu estava em um momento bem complicado, com repetidas crises de ansiedade. Minha mãe e meu irmão vieram me visitar. Ele notou que eu chorava muito, então se aproximou e disse:
– Irmã, vamos lá pra nossa casa dormir com a gente. Lá tem amor, carinho e remédio.
(Davi, 6 anos)
– Julia, que bichinho a mamãe parece? Uma gatinha, um cachorrinho ou uma coelhinha?
– Uma vaca. Você parece uma vaquinha rosa bem linda.
(Julia, 6 anos)
Estávamos fazendo uma atividade sobre a dengue com a Maria Fernanda e lemos juntos:
– A dengue hemorrágica é uma versão grave da doença que pode levar à morte.
Assustada, ela retrucou:
– Credo, não fale assim! Fale falência…
(Maria Fernanda, 8 anos)
– Meninas, está na hora de escovar os dentes para dormir.
Ao que a Júlia sugeriu:
– Mamãe, eu tenho um plano. Vamos brincar mais um pouco e depois escovar os dentes?
E a Clara emendou:
– Mamãe, eu também tenho um plano… o plano de saúde.
(Clara, 6 anos e Júlia, 4)
– Mãe, eu não gosto de beijinho, tá?
Um pouco triste, perguntei:
– O beijinho da mamãe, filho?
– Não! Aquele outro beijinho, o primo do brigadeiro.
(Murilo, 7 anos)
Todo dia, é uma batalha para convencer Breno a dormir na sua cama. Da última vez, eu falei:
– Breno, vai dormir na sua cama. Aqui não é o seu lugar.
– Mas esse é meu “quase” lugar. E eu acho quase algo muito importante.
(Breno, 7 anos)
– Mamãe, eu te amo tanto, mas tanto, que não aguento mais você em meu coração.
(Julia, 4 anos)
Davi estava chorando porque queria ir brincar na rua. Então perguntei:
– Por que você não vai brincar com seu amigo imaginário ou assistir um desenho?
– Todo dia, quando eu fico mais velho, morre um amigo imaginário meu. Todo dia!
(Davi, 5 anos)
Minha sobrinha fez aniversário e depois nos enviou uma mensagem pelo celular que dizia:
– Muito obrigada para quem me mandou feliz aniversário. Eu não queria fazer nove anos porque estou crescendo eu não quero ter que pagar conta de luz, nem de água.
(Patrícia, 9 anos)
Em conversa com meu filho, perguntei:
– Qual é o planeta Saturno?
– É o que tem o bambolê!
(Enzo, 5 anos)
– Por que o nome dele é Edmundo se “mundo” não tem “e”?
(Anny Carollini, 8 anos)
– Mamãe, por que as pessoas negras são mais pobres?
– Quem te disse isso?
– Eu vejo!
(Tobias – 6 anos)
Eu estava nervosa com a rotina da casa e do trabalho e o Benício estava fazendo birra e querendo colo o dia todo. Até que falei:
– Filho, eu preciso que você me ajude. Não posso ficar com você no colo o dia todo.
– Mamãe, eu não entendo adulto. Como eu posso te ajudar?
(Benício, 2 anos)
– Filha, qual é a sua sopa favorita?
– Yaki sopa!
(Cecília, 6 anos)
À noite, na hora do banho:
– Filha, ajude o papai a levar seus brinquedos lá pra cima?
– Coragem, papai! Você consegue.
(Barbara, 3 anos)
Estávamos conversando com o padre após a missa e ele pediu para o Miguel rezar a oração que ele mais gostava. Então ele começou:
– Creio em Deus pai…
E lá no meio:
– …nasceu da Virgem Maria, padeceu sobre todos pelados.
(Miguel, 3 anos)
– Mãe, a senhora vai fazer o Enem?
– Sim, meu bem.
– Tomara que a senhora passe. Mas se não passar, não tem problema. O importante é que a senhora tentou.
(Emanuel, 7 anos)
O Luan estava fazendo a lição de casa:
– Mas, tia, eu ainda não sei ler.
– Luan, é fácil. Como é P+A?
– Pa.
– E T+O?
– To.
– Isso! Então qual animal formou?
– Peixe.
(Luan, 5 anos)
Ao ver a Maitê agarrada numa vassoura, perguntei:
– Gostou da vassoura, filha?
– Gostei, papai. Mas ela não voa, né?
– É porque você é uma princesa. Só bruxas que voam com vassoura.
– Me dei mal. Queria ser bruxa.
(Maitê, 3 anos)
– Papai, mamãe, vocês são velhos…
– Ah, é? E o que quer dizer ser velha?
– Quer dizer que você já brincou muito.
(Violeta, 3 anos)
– Tatá, onde é que tem água gelada na sua casa?
Ele pegou um copo, encheu de água natural e comentou:
– Primeiro você faz assim. Depois você coloca na geladeira e deixa cinco minutos. Se não ficar gelada é porque o copo tá com defeito.
(Otávio, 8 anos)
– Como foi o seu dia?
– Foi muito bom, eu nem chorei!
(Kiara, 5 anos)
Estávamos almoçando frutos do mar e chegaram patinhas de caranguejo empanadas. Bernardo viu aquilo e perguntou:
– Dinda, o que é isso?
– Patinhas de caranguejo…
– E eles fritam?
– Sim, depois de empanar.
Ele arregalou os olhos e gritou:
– Luisa Mell! Luisa Mell! Corra aqui!
(Bernardo, 4 anos)
Todos os dias, durante os momentos felizes, Patrick diz a seguinte frase:
– Hoje é o melhor dia da minha vida!
Observando isso, perguntei:
– Mas, filho, todo dia é o melhor dia da sua vida?
E ele, todo entusiasmado:
– Pai, todo dia é o melhor dia da minha vida!
(Patrick, 7 anos)
– Mãe, não é verdade que o Papai Noel pega os presentes emprestados para dar para as crianças?
– Não. Ele recebe doações e aí dá para as crianças!
– Se ele quiser, pode vir aqui em casa pegar minha bola para dar para as crianças que ficam na rua e não tem brinquedos.
(Felipe, 5 anos)
Eduardo foi com o pai ao supermercado e a energia acabou quando eles estavam na fila do caixa. Quando chegaram em casa, perguntei ao Eduardo como ele se sentiu:
– Mamãe, eu não fui corajoso. Eu fiquei com medo.
– Mas, filho, porque ficou com medo? Você estava com o papai e o escuro é normal…
– Eu fiquei com medo da luz não voltar, porque daí a geladeira não ia funcionar e todos os sorvetes iam derreter!
(Eduardo, 3 anos)
Levei meu gato para tomar injeção e meu sobrinho estava comigo. Como o gato estava um pouco assustado, eu disse “calma, meu bebê, vai ficar tudo bem”. Dias depois, Theo viu meu gato novamente e perguntou?
– Dinda, ele é o seu bebê?
– Sim.
– É que ele parece um gato…
(Theo, 3 anos)
Observando o quanto a Malu é cuidadosa com os primos pequenos, falei:
– Malu, você leva muito jeito com crianças. Acho que um dia você vai trabalhar com crianças. Pode ser professora, pediatra, fonoaudióloga, psicóloga infantil…
E ela respondeu:
– Pode até ser, tia. Mas, se for pra ser psicóloga, vou querer ser de adulto pra ficar sabendo dos babados.
(Maria Luiza, 11 anos)
– Filha quando estiver na casa da vovó nada de fazer bagunça, tá bom? Se a vovó me contar, eu vou te buscar na mesma hora.
– Eu só vou ter uma chance?
– Sim, só uma.
– Vou perder, não vai ter jeito.
(Larissa, 6 anos)
– Mãe!
– Oi, Duda.
– Minha boca tá doendo. Tenho certeza que tô com África*!
*Afta
(Duda, 5 anos)
– A vovó me chamou pra dormir na casa dela.
– Por quê?
– Acho que ela e o vovô brigaram…
– E você perguntou o motivo?
– Não
– Por quê?
– Porque não é da minha conta.
(Theo, 5 anos)
Estávamos assistindo a um documentário sobre memória, quando meu sobrinho veio correndo do quarto e falou:
– Tia, sabia que quando a pessoa não lembra quem ela é, pode estar com uma doença?
– É mesmo? Que doença é essa?
– Magnésia.
*Amnésia
(Henri, 5 anos)