Estávamos brincando com a Isabela de falar palavras pra ela repetir:
– Isa, fale “casa”.
– Casa.
– Cachorro.
– Cachorro.
– Helicóptero.
Ela demorou uns segundos, olhou pra nós e falou:
– Avião.
(Isabela, 2 anos)
Estávamos brincando com a Isabela de falar palavras pra ela repetir:
– Isa, fale “casa”.
– Casa.
– Cachorro.
– Cachorro.
– Helicóptero.
Ela demorou uns segundos, olhou pra nós e falou:
– Avião.
(Isabela, 2 anos)
Chegamos na casa da minha neta, que nos esperava na porta e, depois de um beijo, foi logo dizendo:
– Vó Mari, vem ver o meu quarto.
Segui a pequena, que saltitava na minha frente.
– Que lindo, Teresa. Tá bem bonito, em ordem. Parabéns!
– O papai falou que você vinha e que a gente tinha de arrumar tudo correndo…
(Teresa, 2 anos)
Lohan estava brincando de vender nossa gatinha:
– Olha a gata! É pretinha e solta pelo! Só por um milhão de dólares!
– Hum, eu pago um açaí por ela.
– Negócio fechado!
(Lohan, 6 anos)
– Tia Jú, você gostou desse desenho que a gente estava assistindo?
– Sim, muito legal!
– Esse desenho é da minha infância, sabia?
– Jura?
– Sim, eu assistia muito quando eu tinha 4 anos!
(Pedro, 5 anos)
Estava limpando o espaço da minha cadela e meu sobrinho me observando com cara de atenção. Então perguntei:
– Dadá, por que você é tão lindo assim?
– Ah, tia Lala, acontece que eu não sou tããão lindo assim. É que você me ama muito e o amor faz com que a gente enxergue beleza nas coisas.
(Davi Lucca, 4 anos)
Estamos na Alemanha e, vendo as notícias da guerra tão perto de nós, Kiran comentou:
– Mãe, vou falar pra esse moço que não pode jogar bomba nas pessoas. Nas pessoas, a gente faz é carinho!
(Kiran, 4 anos)
Falei pro meu filho:
– Heitor, você tem que arrumar seus brinquedos e separar alguns para doar para quem não tem.
– Mãe, você tem brinquedos?
– Não.
– Então vou doar para você.
(Heitor, 4 anos)
Quando Nina tinha dois anos, fomos morar nos EUA e ela nunca tinha tido uma aula de inglês. Lá, começou a frequentar uma escolinha.
– Nina, como foi a escola hoje?
– A professora conversou comigo.
– E o que ela falou?
– Ela disse: gtrsjiut asftinbf xbhyrrd!
– Ah é? E o que você respondeu?
– Respondi: kjgddryui schjutt dfcvbbh!
(Nina, 2 anos)
– Mãe, o que é certificado?
– É quando a pessoa conclui um curso. No final, ela ganha um certificado.
– E por que a igreja tem certificado?
– Como assim, filha?
– Assim, mãe: “Pai nosso que está no céu, certificado seja o teu nome…”
(Melissa, 7 anos)
Fomos tirar fotos com minhas priminhas. Estavam todas organizadas para a foto e só faltava o sorriso. Eis que a Valentina grita:
– PIIIIIX!
(Valentina, 3 anos)
O Gustavo chegou triste da escola e nem quis almoçar. Perguntei o que havia acontecido e ele não quis falar.
O João, irmão mais velho, respondeu por ele:
– É que a Vitória não quis brincar com ele hoje, mãe. E o Gustavo não tira a Vitória da cabeça.
Ouvindo o João falar, o Gustavo replicou:
– Não, João! A Vitória não está na minha cabeça. Ela está no meu coração.
(Gustavo, 5 anos e João, 7)
Manu entrou correndo na cozinha:
– Mãe, mãe! A Isa não pagou o mal com o bem!
– O que ela fez, Manu?
– Eu bati nela e ela bateu de volta em mim! Não pode! Ela tem que pagar o mal com o bem.
(Manu, 4 anos)
O Victor estava com a mãe e a irmãzinha, quando a mãe lhe pediu um favor:
– Victor, espere um pouco que eu vou trocar a sua irmã.
E ele suplicou:
– Troca não, mãe. Eu gosto muito dela.
(Victor, 5 anos)
Estava brincando de médico com o Arthur (em casa chamamos ele de Tutu). Então, no meio da brincadeira, eu disse:
– Tutu, põe a mão no coração da mamãe. Olha, ele faz tutu… tutu… tutu…
E com aquela carinha linda, ele vira para mim e diz:
– E o meu coração faz mamãe… mamãe… mamãe!
(Arthur, 2 anos)
Fui ao dentista com a Luísa. Expliquei que a cárie era um bichinho e precisávamos tirar. No meio do procedimento ela pergunta para a doutora:
– Que barulho é esse?
– É desse aparelho que estou usando.
– Aah sim, pensei que era a cárie gritando.
(Luísa Rocha, 6 anos)
Conversa antes de dormir:
– Lívia, do que o vovô gosta?
– Da vovó Sueli!
– Que lindo. E do que a vovó Sueli gosta?
– De pão de queijo!
(Lívia, 2 anos)
– Mãe, no céu tem comida?
– Não, filha. Não precisa.
– Credo, mãe. Quando eu for pro céu, vou levar um cachorro-quente pra mim e pra você!
(Maria Júlia, 5 anos)
Júlia estava lendo e confundiu a palavra “solidária” com “solitária”. A frase perdeu o sentido, então ela me pediu:
– Titia, explica o significado dessas palavras?
Expliquei, ela ouviu atentamente e comentou:
– Preciso ler mais. Um errinho e a gente deixa de ser uma pessoa querida e passa a ser triste.
(Júlia, 8 anos)
– Meri, você sabe nadar?
– Não, mas eu sei aprender.
(Meri, 2 anos)
– Laura, quem é seu melhor amigo?
– O Miguel – primo dela, de três anos.
– Por quê?
– Porque quando eu caio no chão é ele quem me ajuda a levantar.
(Laura, 4 anos)
– Pietro, temos que comprar uma lembrancinha de dia dos professores para seu professor. O que será que ele gosta?
– Ah mamãe, sei lá, acho que de silêncio.
(Pietro, 10 anos)
A Maitê brincando de escolinha:
– Crianças, comam tudo! Se não comerem… eu vou comer.
(Maitê, 3 anos)
Certa noite, antes de dormir, chamei Sophia para orar. Ela perguntou
– Mamãe, Papai do Céu é esquecido, é?
– Não, filha, por quê?
– Porque todo dia a gente tem que falar com ele as mesmas coisas?
(Sophia, 5 anos)
Estávamos no trânsito e tivemos que desviar de um carro que quase bateu em nós. Assustada, eu pedi:
– Deus, livrai-nos do mal!
E a Marina completou:
– Do mal e da burrice também, né? Senão não adianta nada!
(Marina, 10 anos)
Gustavo estava brincando quando olhou para o pai dele e perguntou:
– Papai, você é meu irmão?
– Não, filho. Sou só seu pai mesmo.
– Ah… é porque eu te acho minha cara.
(Gustavo, 4 anos)
Bruno até hoje dorme com a babá eletrônica ligada. Dia desses, ele acordou super cedo e veio com essa:⠀
– Alô, papai? Tá na escuta?
(Bruno, 4 anos)
– Guilherme, o que você quer ser quando crescer?
– Quero ser piloto de avião, pai.
Gabi entrou na conversa e comentou:
– Eu quero ser igual a Ná.
– Que linda, filha. Quer ser arquiteta!
– Não, pai. Solteira!
(Gabi, 4 anos)
Eu estava passando creme no meu rosto e a Malu perguntou:
– Tia Lu, o que é isso?
– É ácido, Malu. Pra ficar mais jovem.
– Não tá funcionando…
(Malu, 2 anos)
– Mamãe, hoje eu chorei quando você foi para o trabalho.
Com a voz embargada, respondi:
– Ahh filha, eu também senti saudades e quase chorei.
– Não, mãe. Eu chorei porque a minha chupeta ficou no seu carro.
(Ana, 3 anos)
Meu marido e eu estávamos brincando e ele me chamou de palhaça. Rapidamente, meu filho retrucou:⠀
– Papai, minha mãe não é palhaça!
– Não, filho, a mamãe é linda.
– Ela não é linda… ela é feia, mas é a minha mãe.
(Viccenzo, 3 anos)
Quantos anos você tem, Elis?
– Três.
– E que dia você faz aniversário?
– No dia que minha mãe fizer a festa.
(Elis, 3 anos)
– Filho, você seria um psicólogo quando crescer?
– Não!
– Mas, por quê?
– Eu sou muito fofoqueiro.
(Enzo, 9 anos)
Antes de ir para a escola, Maria estava um pouco chorosa e eu perguntei:
– Você está triste, filha? O que houve?
– A raiva… Ela tá chegando e vai me pegar.
– Ah, então como é que a gente faz para a raiva não chegar?
Maria Alice inspirou e expirou profundamente e disse:
– Pronto, agora ela foi embora.
(Maria Alice, 2 anos)
Estava brincando com o filho da minha amiga, quando peguei a foto de um cachorro e perguntei:
– O que é isso? É um ‘au au’?
– Não é au au, é cachorro!
(Daniel, 2 anos)
Estávamos em um retiro espiritual onde a comida era vegetariana. Avisei a Laís:
– Vá até lá, pegue sua comida e não reclame.
Ela devolveu:
– Então eu pego lá e reclamo aqui?
(Laís, 6 anos)
– Mãe, por que nos casamentos o padre fala para o noivo beijar a noiva e não fala para a noiva beijar o noivo?
(Kayla, 8 anos)
Tomei um remédio para alergia e depois me deitei na cama esperando a crise passar. Ronaldo entrou no quarto e me viu deitada olhando para o teto:
– O que você está fazendo aí?
– Tô esperando a alergia passar.
Ele deitou do meu lado e ficou olhando fixamente para o teto. Depois de alguns minutos, virou pro meu lado e sussurrou:
– Cadê?
– Cadê o quê?
– A alergia passando…
(Ronald, 3 anos)
Caio estuda numa escola católica. Pensando nas canções religiosas, pedi para ele me cantar sua música favorita. Empolgado, ele começou:
– Ô sol, vê se não me esquece e me ilumina… amém!
(Caio, 3 anos)
Estávamos comendo frutas. Quando terminei de comer a minha, Pedro disse:
– Mamãe, você é uma boa garota, comeu toda a fruta!
A vovó perguntou na sequência:
– E a vovó, é uma boa garota?
– Não, vovó, a senhora é uma ótima velha!
(Pedro, 4 anos)
Minha irmã e eu estávamos conversando sobre nossos maiores sonhos. Eduardo, ouvindo a conversa, falou com lágrimas nos olhos:
– Gente, vocês sabem qual é o meu maior sonho? Meu sonho é ter um galinheiro!
(Eduardo, 5 anos)
Julia me entregou dois brinquedos velhos e disse:
– Papai, dá para doação.
A avó, professora, corrigiu:
– “Dar para doação” é pleonasmo.
Eis que Julia a reparou:
– Não, vovó, é bondade!
(Julia, 6 anos)
– Por que o nome desse bairro é Itaim Bibi?
– Não faço ideia, filha.
– Deve ser porque tem muito carro, mãe.
(Teresa, 8 anos)
– Filha, você sabia que Deus dá dons para cada um de nós? Você sabe qual é o seu dom?
– Eu ainda não sei, mãe. Mas eu sei o seu!
– Ah é? E qual é o meu dom?
– O seu dom é ser mãe!
(Pyetra, 8 anos)
A pediatra receitou um remédio contra vermes para a Lívia tomar. Antes de medicá-la, avisei:
– Esse é um remédio para vermes que a médica pediu para eu te dar.
Fui levando a colher até a boca dela, que perguntou:
– Mas, é para quê?
– Para matar.
Desesperada, ela afastou a cabeça:
– Me matar?!
(Lívia, 6 anos)
Estava brincando com minhas filhas que elas eram as arquitetas e eu uma cliente. Enquanto eu contava tudo o que gostaria que a casa tivesse (incluindo silêncio, ambiente aconchegante, paz…), a Cecília me interrompeu:
– Controle-se! Não cabe tudo isso numa casa. Nós somos arquitetas, não terapeutas.
– Mas, como assim não cabe tudo o que eu quero no projeto? Vocês não são arquitetas?
– Você contratou a gente. Estamos fazendo o nosso trabalho, não critique.
Ela anotou algumas coisas e perguntou:
– Cliente, você gostaria de ter uma árvore bem grande para escalar?
– Sim, por favor. Tenho uma filha que ama escalar árvores. Parece uma macaquinho ruiva.
Ela me olhou sorrindo e mandou:
– Seria um mico-leão-dourado?
(Cecília, 9 anos)
Minha sobrinha e sua amiga estavam assistindo a um desenho e o protagonista era uma macaco. De repente, ela perguntou:
– Ana Júlia, qual é esse macaco mesmo? Morangotango?
(Helena, 7 anos)
– Mãe, onde fica o livro “Filé Mignon” na Bíblia?
– Filemon, filha?
(Clara, 10 anos)
Hoje a Mafê falou assim:
– Sabia que hoje eu ouvi essa música: “vaca amada, Brasil”?
(Maria Fernanda, 4 anos)
Laura tinha riscado todas as paredes da casa e nossa diarista conseguiu limpar. Eu comentei com o Lucas:
– Meu filho, a Ana fez um milagre na parede!
Minutos depois, ele entrou correndo no quarto e falando:
– Mamãe, a Laura está fazendo um des-milagre!
Estava tudo riscado de novo.
(Laura, 3 anos e Lucas, 7)
Estávamos no carro com o Benjamin e comentei:
– Vou ao mercado mais tarde.
– Mamãe, eu vou “comigo”.
– Não é comigo meu filho, é “com você”.
– Isso mesmo, mamãe, é comigo.
(Benjamin, 4 anos)