ME AMARROTA QUE EU TÔ PASSADA
Quase entrei em pânico quando ouvi a Julia me contando uma barbaridade:
– Mas, Julia, você falou isso para alguém?
– Não.
E toda animada, completou:
– É pra falar?!
(Julia, 6 anos)
ME AMARROTA QUE EU TÔ PASSADA
Quase entrei em pânico quando ouvi a Julia me contando uma barbaridade:
– Mas, Julia, você falou isso para alguém?
– Não.
E toda animada, completou:
– É pra falar?!
(Julia, 6 anos)
Minha mãe, meu filho e eu estávamos conversando e comentei que estava nervosa com uma prova importante que iria fazer e que tinha medo de não passar. Então o Emanuell segurou meu rosto e disse:
– Mamãe, todas as vezes que vou fazer uma prova, fico com medo de não passar. Mas eu lembro que você me ensinou direitinho e fico mais tranquilo. Não se preocupe, você irá passar na sua prova.
(Emanuell, 8 anos)
A mãe do Henrique foi buscá-lo de ônibus na escola. De repente, entrou uma freira e ele gritou:
– Mãe, Jesus tá no ônibus!
(Henrique, 4 anos)
Estávamos conversando sobre profissões e então comentei que cada pessoa no mundo escolhe uma área pra estudar. Tem os que querem ser engenheiros como o papai, os que optam por ser fonoaudiólogos como a mamãe, os que buscam ser médicos como o dindo… a certa altura, perguntei:
– O que você pensa em ser quando crescer, Lili?
– Uma borboleta!
(Maria Olívia, 3 anos)
Estávamos no supermercado e de repente a Aninha soltou:
– O melhor produto de limpeza é a água “solidária”!
(Ana Luísa, 6 anos)
Miguel chegou da escola falando que contou para a professora que havia separado brinquedos para dar para outras crianças. Então me perguntou qual era o nome disso.
– É doação – respondi.
– Não, mamãe. O nome disso é solidariedade.
(Miguel, 6 anos).
Constantemente abraço, beijo e falo que amo muito minha filhinha. Outro dia, fui beijá-la mas ela me afastou um pouquinho e disse:
– Mamãe, pare. Você já está me amando muito.
(Maria Izabel, 2 anos)
O pai estava arrumando Odara para ir à escola:
– Me dá o pé, Loro! – pedindo o pézinho dela para calçar o tênis.
– Pai, eu sou preta, não loura!
(Odara, 3 anos)
– Mãe, você sabia que não tem mamãe pra dar beijo em Star Wars? É por isso que o Darth Vader não sabe amar.
(Arthur, 4 anos)
Estávamos trabalhando nos preparativos para o casamento da minha prima. A conversa começou a ficar mais animada e paramos tudo pra conversar sobre o evento. Com a voz exaltada, a Sarah falou:
– Galeraaaa! Falem menos e trabalhem mais!
(Sarah, 4 anos)
(Maria Eduarda, 4 anos)
Me vendo fazer gelatina:
– Uau, mamãe! Você é uma cozinheira de verdade.
(Julia, 4 anos)
Às seis da manhã…
– Mãe, eu já acordei faz um tempão.
– E o que você estava fazendo desde que acordou?
– Ah, aproveitei para dormir mais um pouco.
(Julia, 6 anos)
Estávamos fazendo a lição de casa. Quando soletrei a palavra bola, comentei:
– A primeira sílaba é “bo”. Filho, como fica B com O?
– “BO”, mãe. E B.O. é problema… Sempre que acontece algum problema você fala que “deu B.O.”
(Gabriel 6 anos)
Uma das questões na tarefa de ensino religioso era “Deus criou o homem e a mulher e lhes deu o nome de…”. E o Rapha respondeu:
– João e Maria.
(Raphael, 10 anos)
Vitor me entregou o espelhinho que carrego na bolsa e disse:
– Mamãe, abre que tem uma surpresa pra você aí dentro.
Abri e não vi nada. Então olhei atentamente e vi um beijinho no espelho.
– Agora você tem meu beijinho guardado sempre com você.
(Vitor, 5 anos)
Estávamos jogando Jogo da Vida e perguntei:
– Você quer comprar seguro de vida, Julia?
– Quero. Porque assim eu não vou morrer.
(Julia, 6 anos)
– Mãe, você viu o brinquedo que saiu daquele filme?
– Não, filha. Qual o filme?
– Aquele que você foi assistir no cinema.
– Filha, preciso saber o nome do filme.
– O “Vingadores: eu te mato*”.
*ultimato
(Milena, 6 anos)
A escolinha me ligou para falar sobre as conversas excessivas da Sarah. Dei uma bronca nela e conclui a conversa dizendo:
– Eu te dou mais uma chance. Se não reduzir as conversas, vou tirar você da escola.
– Mamãe, com uma chance eu não consigo. Eu preciso de quatro!
(Sarah, 4 anos)
Estávamos jogando Cara a Cara e a Julia perguntou:
– O seu tem cabelo grelhado*?
*grisalho
(Julia, 6 anos)
Na hora do almoço:
– Mamãe, coloca farofa no meu prato?
– Peça com gentileza, Benjamin.
– Coloca gentileza com farofa no meu prato, por favor?
(Benjamin, 3 anos)
Um dia, Guilherme pegou a tesoura e fez um buraco no próprio cabelo. O pai o levou ao salão e conseguiram consertar.
Dias depois, nos encontramos e perguntei:
– Gui, por que você cortou seu cabelo?
– Porque eu queria ficar elegante.
– Mas você é cabeleireiro?
– Estou treinando pra ser!
(Guilherme, 5 anos)
– Mãe, tem criança que nasceu em 1987?
Ao pensar que quem nasceu em 1987 já é adulto hoje em dia, respondi:
– Não.
– As crianças não existiam em 1987?
(Julia, 5 anos)
– Filho, o que você gostaria de agradecer e pedir pra Deus?
– Quero agradecer a saúde.
– E o que você gostaria de pedir?
– Uma pizza.
(Levi, 3 anos)
Estávamos passando perto do parque ecológico de Indaiatuba, escutei:
– Mãe, esse também é o rio Tio E.T.? (Rio Tietê)
(Clara, 8 anos)
Os meninos estavam assistindo à história em que Jesus lavou os pés de Pedro:
– Olha, Heitor. Faltou Jesus lavar as mãos do Pedro e depois passar álcool gel!
– É que lá não tem Covid.
– Maravilha. Quero morar lá.
(Evaldo, 7 e Heitor, 6 anos)
Daniel estava teimando com a avó, quando foi repreendido pela tia:
– Daniel, olha o respeito com a tua avó, ela já tem sessenta anos nas costas.
– E na frente quantos ela tem?
(Daniel, 6 anos)
No Dia das mães:
– Mamãe, eu não sei escrever amor infinito, então eu vou escrever finito, tá?
(Julia, 4 anos)
– Mãe, o que é “solesmãe”?
– Onde ouviu isso, Brunna?
– No hino nacional: “solesmãe” gentil, pátria amada Brasil.
(Brunna, 7 anos)
Estava conversando com minha tia e meu primo estava ao nosso lado. Comentei que minha avó tinha ido ao INSS fazer prova de vida. Ao que ele perguntou:
– E ela tem quanto tempo ainda?
(Rhyam, 11 anos)
– Mamãe, você já terminou de ser ocupada?
(Julia, 4 anos)
Estávamos nos arrumando para sair, quando Antônio virou para a avó e disse:
– Olha, vovó, como a mamãe está linda! Ela é a rainha, eu sou o príncipe e você, vovó, é o dragão.
(Antônio Henrique, 4 anos)
– Laura, você tomou a vacina da gripe hoje?
– Não, papai, eu tomei a vacina da saúde!
(Laura, 3 anos)
– Que delícia esse chocolate! Vamos comer mais um para comemorar?
– Comemorar o quê?
– Que a gente gostou do chocolate.
(Julia, 4 anos)
Minha prima apontou para a panturrilha e perguntou como se chamava aquela parte do corpo.
– É a batata da perna – respondi.
Assustada, ela devolveu:
– Mas essa a gente frita também?!
(Maria Clara, 5 anos)
– Mãe, quando eu for astronauta, vou até a Lua para ver Jesus.
– Sério, filho? Que legal!
– Sim. E também vou trazer o Papai do Céu para almoçar com a gente.
(Patrício, 4 anos)
Na escola em que trabalho, em razão da pandemia, cada criança precisava ficar restrita a brincar num quadrado distante das outras. A Mariani saiu do seu espaço para interagir com uma amiguinha e precisei orientá-la:
– Mari, meu amor, volte para seu quadrado e brinque com a sua caixa de brinquedos…
Ao que ela me respondeu:
– Eu não quero caixa, quero amigos.
(Mariani, 3 anos)
Moramos nos EUA por um tempo. Certo dia, depois que já tínhamos voltamos para o Brasil, a Julia me perguntou:
– O Canadá é pertinho, não é, mamãe?
– Era, filha…
– Eles mudaram o Canadá de rua?
(Julia, 4 anos)
Tocou o alarme do microondas e o Thiago veio correndo para a cozinha:
– Ei, o que é isso?
– É um bolo de caneca.
– Ahh mas eu queria bolo de chocolate.
(Thiago, 5 anos)
Eu estava triste porque um amigo faleceu. O Murilo me viu chorando e perguntou:
– Mamãe, porque você está chorando?
– Porque meu amigo virou uma estrelinha.
– Ele morreu, foi?
– Sim, filho.
– Mamãe, ele mora no seu coração.
(Murilo, 3 anos)
Querendo que a Julia falasse qual era a profissão do avô, perguntei:
– O que o vovô faz?
– Exame.
(Julia, 4 anos)
No churrasco da família, o Rafael ganhou uma caixa de chocolates. Todo mundo começou a pedir um pouco para ele e chegaram a dizer:
– Rafa, Jesus ensinou a dividir. Ele dividiu o pão e o vinho.
– Mas Jesus não ensinou a dividir o doce.
(Rafael, 4 anos)
A Luísa rabiscou a parede da sala com giz de cera colorido. Eu fiquei brava e a chamei para perguntar:
– Pode me dizer o que é isso, Luísa?!
E ela respondeu:
– É um Dinossauro.
(Luísa, 2 anos)
– Mãe, o que tem lá no beleléu?
(Julia, 4 anos)
Minha irmã estava na piscina e comentou:
– Eu “se” afoguei.
Tentando corrigi-la, respondi:
– Eu me afoguei.
Ela olhou assustada:
– Nossa, eu também!
(Marina, 7 anos)
– Papai, quero tomar um iogurte quando chegar em casa.
– Ok, filho. É só chegar e tomar.
– Mas, papai, o iogurte que tem lá já está fora da realidade*.
*validade
(Gael, 5 anos)
– Will, sabia que tenho um vídeo game bem antigo, mas muito louco?
– É, Luan? Qual?
– Nintendo.
– O que você não entende?
(Willian, 4 anos)
– Julia, a gente vai chegar em cima da hora!
– Mas a gente ia chegar embaixo da hora?
(Julia, 4 anos)
Cecília é apaixonada por animais, de qualquer tipo. Ontem, ela encontrou uma joaninha em casa e não a largava de jeito nenhum. A certa altura, falei:
– Filha, por favor, solte essa joaninha no jardim. Ela precisa voltar para a família dela.
Decepcionada, ela obedeceu. Foi até a varanda com ela nas mãos e eu escutei a despedida:
– Adeus, Joana…
(Cecília, 6 anos)
Meu irmão achou um chapéu de cowboy, colocou na cabeça e falou:
– Pronto! Agora estou pronto para um romance.
(José Luiz, 6 anos)