Filha, qual a música de carnaval que você mais gostou?
– A da Bela Adormecida.
– Que música é essa, filha?
– Se você fosse sincera, ô ô ô ô Aurora…
(Júlia, 4 anos)
Filha, qual a música de carnaval que você mais gostou?
– A da Bela Adormecida.
– Que música é essa, filha?
– Se você fosse sincera, ô ô ô ô Aurora…
(Júlia, 4 anos)
Estava passando a máquina depiladora na perna enquanto Mariana saltitava feliz, com sua fantasia de carnaval, pronta para saírmos.
Quando ela me viu, disse:
– Não precisa passar essa maquininha, mamãe. Deixe assim e você pode ir de cactos.
(Mariana, 4 anos)
– Tio Alvaro, o que é isso?
– Isso é um enfeite, Rafinha.
– O que é enfeite?
– Enfeite é uma coisa que se usa para decoração. Você sabe o que é decoração?
– Sei sim, tio Alvaro. É quando você dá um presente de coração.
(Rafael, 4 anos)
– Mamãe, a caneta cabeu.
– Se fala “coube”, filho.
– Mamãe, a coube cabeu.
(Luís, 3 anos)
Estávamos discutindo no carro porque meu filho mais velho achava a escola nova muito difícil.
Até que paramos no sinal e Any, que estava olhando para fora, comentou:
– Coloca o Yan nessa escola ao lado… aqui o ensino é Médio!
(Any, 11 anos)
Meu irmão estava brincando de vendedor e falou:
– Promoção! Promoção! Leve 1 e pague 2!
(Hector, 6 anos)
Mateus veio correndo para a sala com um dinossauro na mão, rugindo e me mostrando os dentes.
Entrei na brincadeira e falei:
– Socorro, um dinossauro.
Ele ficou preocupado e me acalmou:
– Não, mamãe. Não fica com medo. Sou eu, Mateus.
(Mateus, 3 anos)
– Filha, vou comprar sua fantasia de carnaval. Você vai querer se fantasiar de quê?
– Cinderela, mãe.
– Se eu não achar da Cinderela, compro qual?
– Você procura em outra loja, né mãe?!
(Maria Eduarda, 4 anos)
Pedro entrou no carro da mãe chateado e reclamando da irmã que dá trabalho:
– Sophia é fogo, mãe! É fogo!
– Ué, Pedro, se ela é fogo, você é o quê? Água?
– Não, sou um pingo.
– Um pingo?
– Sim, um pingo. Porque eu só dou um pingo de trabalho.
(Pedro, 5 anos)
– Mãe, quero um bolo de chocolate.
– Vai lá na tia Cieuda, pega um fiado e diz que eu pago amanhã.
– Mãe, eu não gosto de fiado, gosto de bolo de chocolate.
(Maria Lili, 6 anos)
– Gú, amanhã a vovó vai no hospital tirar uma verruga.
– Mas você é uma bruxa, vó?
– Bruxa é sua mãe.
– Mas minha mãe não tem verruga.
(Gustavo, 9 anos)
Toda terça e quinta a avó vai buscar o Bento na escola.
Certa quinta, vovó teve de viajar e apenas o avô foi buscá-lo.
Indignado com a ausência da avó no compromisso, Bento pediu para que o avô ligasse para ela.
Feliz com a ligação do neto, a avó explicou calmamente o porquê da sua ausência…
Com voz firme e pouco amigável, Bento questionou:
– Vó, onde você está?
– Meu querido, a vovó teve de viajar à trabalho, mas nos veremos no final de semana.
– Você não foi me buscar na escola hoje, é isso que você quer da sua vida?
(Bento, 4 anos)
Ninguém queria guardar os brinquedos. A sala uma bagunça e não me escutavam. Apelei:
– Não querem guardar? Tudo bem, mas a consequência vai chegar!
Pararam na hora e começaram a arrumar tudo com cara de assustadas. Terminam e a Antonella veio pro meu colo. Perguntei:
– O que foi?
– Tô com medo.
– Medo do quê?
– Medo dessa mulher que você disse que vai chegar.
(Antonella, 5 anos)
Estávamos na sorveteria quando entrou uma menininha fantasiada de Mulher Maravilha. Ela deveria ter uns dois aninhos e brinquei:
– Nossa, a Mulher Maravilha também veio.
Minha filha a viu e ainda tomando seu sorvete comentou:
– Eu não sabia que ela era tão pequena.
(Cecília, 4 anos)
Benjamin, Lucas e Davi são trigêmeos idênticos. Davi estava fazendo o dever de casa:
Qual é o teu nome: Davi
Como tua família te chama: Davi
Como teus amigos te chamam: Às vezes me chamam de Lucas
(Davi, 5 anos)
Após uma disputa de brinquedos na sala de aula, uma das crianças sai chorando. Enrico prontamente deixa sua brincadeira de lado, senta ao lado do amigo, da um abraço e diz:
– Vai ficar tudo bem!
(Enrico, 3 anos)
– Amor, você é o meu melhor amigo?
– Não mamãe. Eu sou o seu super-herói!
(Bruno, 4 anos)
– Eduardo, você vai para escola esse ano?
– Vou.
– E o que vais fazer lá?
– Amigos.
(Eduardo, 2 anos)
Primeiro dia de aula da minha filha na escola nova:
– Fiquei triste por mudar de escola, não conheço ninguém lá…
Henrique tentando consolar:
– Vai ser legal, Geovanna. Só você falar seu nome e sua cor favorita e vai fazer um monte de amigos.
(Geovanna, 15 anos e Henrique 5)
Helena chega no churrasco que vovó e vovô estão fazendo para os amigos. Uma das amigas da vovó se apresenta:
– Oi, tudo bem? O meu nome é Branca. E o seu?
Helena dá um sorrisinho e responde:
– Azul! – em homenagem a sua cor preferida.
(Helena, 2 anos)
Beatriz tinha três amigos imaginários: Pedrinho, Narizinho e Emília.
Antes de dormir, o papai passava repelente na Bia que pediu o mesmo tratamento para os referidos amigos. O papai logo os “convocou” pedindo que fizessem uma fila mas Bia o alertou:
– Passe só na Narizinho e no Pedrinho. Emília é de pano e quem é de pano não tem sangue. Mosquito não morde quem não tem sangue.
(Beatriz, 3 anos)
– Filho, vá até a sala, desligue a tv e a luz e venha deitar.
– Mamãe, não quero ir sozinho. Vem comigo? Isso é amizade.
(Davi, 3 anos)
– Anna, o que é morrer?
– É uma coisa que ninguém gosta.
(Anna Lívia, 5 anos)
– Mamãe, não vejo a hora de ficar adulta.
– Ah é?! O que você vai fazer quando ficar adulta?
– Tomar café.
(Mariah, 4 anos)
⁃ Tia, senta aqui perto de mim.
⁃ Mariana, aqui tá bom.
⁃ Não, eu estou com saudade e você está mais perto do longe.
(Mariana, 3 anos)
– Mãe, por que o navio se chama Tio Tanic?
(Rebeca, 5 anos)
– Ri, vou comprar uns pãezinhos só pra enganar a fome.
– Minha fome é inteligente, mãe.
(Ricardo, 7 anos)
– Mãe, tenho uma nova amiga.
– Qual o nome dela, filha?
– Começa com T… Karatê! Não, não…
Então a irmã ajudou:
– Maitê.
(Alice, 5 anos)
E na oração de hoje à noite:
- Papai do céu, abençoe o papai, a mamãe, o Caco, a Nina, a vovó… ah, e não se importe do Caco ter me chamado de feia hoje na escola. Amém!
(Cecília, 4 anos)
– Mamãe, tô com muito medo de voltar pra escola amanhã. Eu não vou conhecer ninguém.
– Ah não, deixa eu te contar… Você não vai acreditar quem está na sua sala.
– Queem?
– Chuta.
Ela começou a chorar a falou:
– Eu não conheço a Chuta.
(Malu, 5 anos)
– Mamãe, que dia é o Halloween?
– No Brasil não tem Hallowwen, amor.
– Oxente! A gente mora no Brasil, é?
– Sim.
– Ah, eu pensei que a gente morasse na França.
(Pietro, 4 anos)
Meu marido perguntou:
– Filha, nós somos rico ou pobres?
– Pai, nós somos apertados.
(Helena, 5 anos )
– Filha, mais um dia você acordando ao meio dia?
– Mamãe, é que eu não vi que já era dia.
(Amabilli, 5 anos)
Eu estava recolhendo a roupa do varal e a Mariana só olhando. Então perguntei pra ela:
– Quer ajudar o papai, filha?
– Não, pai. Muito obrigada.
(Mariana, 4 anos)
Murilo estava lendo o problema da tarefa:
– Paloma mandou 92 mensagens para a amiga.
Pensou e disse:
– Meu Deus, essa Paloma fala, hein?!
(Murilo, 8 anos)
– Ô, mãe… “É pra hoje” é palavrão?
– Não. Por quê?
– Porque a professora foi botar pasta na minha escova de dentes e eu perguntei: “é pra hoje?”.
Ela ficou brava e me botou de castigo.
(Murilo, 6 anos)
– O que é saudade?
– É aquilo que ficou, daquilo que já foi.
(Gustavo, 9 anos)
Dou aula para adultos à noite. Cheguei na sala e uma aluna precisou levar o filho junto. O cumprimentei:
– Oi… Quem é você?
– Eu sou o filho da mãe.
(João Vítor, 4 anos)
Conhecemos um senhor chamado Lauro, e por educação sempre o chamamos de “seu” Lauro. Um dia meu irmãozinho o viu e disse:
– Oi, meu Lauro, tudo bem?
(Adriano, 5 anos)
A família reunida, minha tia preocupada com o que levar na confraternização do trabalho, perguntou:
– Gente, que prato que se come frio?
– A vingança! – respondeu Miguel com toda a naturalidade de seu ser.
(Miguel, 6 anos)
– Clara, hoje vou conversar com a sua psicopedagoga. Tem alguma coisa que eu precise saber por você antes de falar com ela?
Com aquela carinha de quem deve, já começou se justificou:
– Mãe, se você está falando de comportamento, eu fiz o melhor que eu pude.
E após uma pausa dramática, concluiu:
– E se ela reclamar, não tem problema, né? Porque não somos o tipo de pessoa que fica preocupada com o que os outros pensam.
(Clara, 7 anos)
Contando pra minha prima o verdadeiro nome das pessoas que chamamos por apelidos:
– Helena, você sabe o nome da tia Shery?
– Não.
– É Maria José.
– Ué… Mas Maria e José não foi aquele casal de namorados que tiveram um filho chamado Deus?
(Helena, 5 anos)
Julia estava escrevendo um cartão de aniversário para a minha irmã e perguntou:
– Tia, como se escreve “zanos”?
– “Zanos”? De qual palavra, amor?
– “Muitozanos” de vida.
(Julia Eduarda, 6 anos)
– O que é o amor?
– Tia, amor é uma coisa que você gosta, mas que as pessoas não tem tempo para falar.
(Yan, 11 anos)
Estava com minhas alunas preparando o lanche, quando uma delas chegou toda animada e me disse:
– Tia Gi, eu trouxe uma coisa deliciosa pra você.
– O que é, amor?!
– Um espírito, tia.
Fiquei assustada e sem entender, mas disse que estava ansiosa para ver o espírito.
Quando fui ver, era um suspiro!
(Anitta, 5 anos)
O Eduardo reclamou:
– Eu não gosto do Rafa.
E o Rafa se defendeu:
– Eu adoro eu.
(Eduardo, 6 anos e Rafael, 3)
Meu namorado e eu saímos para tomar sorvete com a sobrinha. Ela escolheu o sabor de chiclete e quando foi tomar perguntou:
– Pode engolir?
(Ísis, 4 anos)
– Mamãe, está na hora de colocar água nas nossas plantas.
– Estou ocupada, Luan. Agora não posso.
– Não pode ajudar as plantinhas a viverem bem… mas quer continuar respirando melhor?
(Luan Miguel, 7 anos)
Íamos passear em um novo parque no final de semana, e o Miguel comentou:
– Estou muito curioso para passear.
– Mi, não seria ansioso?
Expliquei a diferença entre curiosidade e ansiedade, quando ele me falou:
– Ah mãe! Existem muitas formas de felicidade.
(Miguel, 4 anos)
Estávamos lendo uma matéria na internet enquanto Arthur jogava no meu celular. Do nada ele começou a falar sozinho durante o jogo:
– A gente cria essa expectativa, esse mundo na nossa cabeça… aí vem a realidade e destrói tudo. Por isso eu prefiro a expectativa. Na realidade, eu sempre perco nesse jogo. Expectativa é melhor.
(Arthur, 9 anos)