Na sala com meu filho recém nascido no colo e a mais velha ao meu lado no sofá.
– Mamãe, brinca comigo no meu quarto?
– Brinco. Só vou colocar o Théo no carrinho.
– O Théo? Trivago!
(Clara, 2 anos)
Na sala com meu filho recém nascido no colo e a mais velha ao meu lado no sofá.
– Mamãe, brinca comigo no meu quarto?
– Brinco. Só vou colocar o Théo no carrinho.
– O Théo? Trivago!
(Clara, 2 anos)
Minha prima estava andando de bicicleta na fazenda e passou em cima de uma cobra. Veio correndo contar para os adultos e eles foram até o local matá-la. Quando voltaram, questionaram porque ela tinha descrito a cobra menor do que realmente era. E ela respondeu:
-Eu não vi direito. Meu olho estava enchendo de lágrima…
(Amanda, 6 anos)
– Mãe, do que o Renato Russo morreu?
– Morreu de aids, meu amor. Você sabe o que é?
– Sim, Aids Aegypti, aquele do mosquito.
(Melissa, 10 anos)
Pedro estava chorando porque não queria ir para a casa do pai. A tia viu ele chorando e falou:
– Pedro, você é um falso sabia? Quando não é dia de ir para a casa do seu pai, chora porque quer ir. Quando é dia de ir, chora porque não quer.
– Tia Marina, eu não sou falso! E sabe por quê? Porque eu nem sei o que é isso.
(Pedro, 5 anos)
– Filha, você não pode ser assim.
– Ué, mãe, você vive me falando que temos que aceitar as pessoas como elas são. Me aceite assim.
(Larissa, 7 anos)
Após escovar os dentes, meu filho me disse:
– Mamãe, agora eu quero passar o enxaguante do caos.
(Miguel, 5 anos)
– Mamãe, quero batata frita.
– Aqui não vende batata, Miguel.
– Então vamos vender aqui.
(Miguel, 4 anos)
Meus filhos estavam discutindo quando a Maria Rita falou:
– Você é um diabético!
O Gabriel, indignado, veio reclamar comigo e perguntei:
– Gabriel, você sabe o que quer dizer a palavra diabético?
– Só pode ser alguma coisa de diabo, né? Diabético!
(Gabriel, 10 anos e Maria Rita, 7)
Estava no meu quarto lendo um livro enquanto meu irmão assistia o casamento real britânico na sala. Extasiado, resolveu me chamar:
– Pamelaaaaa! Vem ver o casamento do Harry Potter, tá passando!
(Juan, 7 anos)
– Mamãe, posso comer dois chicletes?
– Não. Eu já deixei você comer um saco de salgadinho. É muita porcaria para um dia só.
– Mas, mamãe, dois é pouco.
– Não, Malu. Dois não é pouco.
– É pouco, sim. E se eu tirasse dois na prova?
(Malu, 6 anos)
Mateus estava fazendo a tarefa de catecismo e diante de uma dúvida eu disse:
– Filho, em primeiro lugar devemos amar a Deus.
Para me certificar do entendimento dele, perguntei:
– Filho, quem você ama em primeiro lugar?
– Deus.
– E em segundo lugar?
– O papai.
– Como assim o papai? Achei que em segundo era a mamãe.
– Ué, era você. Mas você colocou Deus na história.
(Mateus, 6 anos)
– Ana Clara, por que minha mãe te chama de Zika? Por causa do Zika vírus?
– Não é Zika, é Chica.
– Ah tá, então é Chikungunya.
(João Pedro, 10 anos)
– Mãe, você é preta porque é mulher, sabia?
A mãe pensando que o filho sofreu algum tipo de preconceito racial, falou:
– Filho, tem pessoas de várias cores mas todos nós somos iguais.
– Não, mãe. Quando é homem é preto.
(Matheus, 4 anos)
Levei o Enzo no supermercado comigo e passamos por uma pilha de Nutella. Ele virou para mim e disse:
– Tia Mary, eu gosto de Nutella. Mas não podemos comprar todo dia porque custa milhões..
(Enzo, 5 anos)
Eu estava na cama e minha filha andando com o skate do tio, no quarto.
– Mãe, Deus está me segurando?
– Sim, filha. Ele esta sempre cuidando de você.
– Poxa, eu queria aprender a andar sozinha.
(Lara, 5 anos)
Estava contando sobre minha capacidade de fazer várias coisas:
– Matheus, além de ser professora; sou psicóloga, dançarina, atriz, cantora… Preciso saber um monte de coisas.
– Nossa, mãe, você tem mais profissões que o Seu Madruga.
(Matheus, 10 anos)
Cecília estava com febre e dor de garganta. Na hora de beber um leite, ela comentou, toda dengosa:
– Papai, eu quero beber meu leitinho, mas minha boca não deixa.
(Cecília, 3 anos)
Pedro, ao chegar da escola:
– Mamãe, eu arrumei um emprego na escola. Eu faço e vendo desenhos para os meus amigos. Só que eles não pagam em dinheiro, pagam em felicidade.
(Pedro, 7 anos)
Estávamos fazendo uma cartinha para o dia das mães e peguei os meus dois alunos nesse diálogo:
– Vinicius porque sua mãe é rosa?
– Minha mãe é rosa porque o lápis marrom quebrou a ponta.
(Vinícius, 7 e Samuel, 8 anos)
– Mamãe, fofa, você é meu recheio.
(Arthur, 4 anos)
– Mãe, o Lula foi preso, né?!
Estranhando, respondi:
– Sim, filha. Mas você nem sabe quem é o Lula.
– Claro que eu sei. É aquele que você foi no show.
– Que eu fui ao show… Como assim, filha?
– Foi sim, mãe. No “Lulapalooza”.
(Melissa, 4 anos)
Confeitando um bolo na cozinha, escuto:
– Vovó, posso te ajudar?
– Depois você ajuda.
– Mas vovó, ajuda é sempre bom na vida.
(Miguel, 3 anos)
Cheguei do trabalho e Ágata já foi me contando que tinha comprando meu presente de Dia das Mães. Quando o pai disse que não deveria ter contado, ela prontamente falou:
– Papai, não se preocupe. Eu contei para a mamãe sobre o presente, mas não contei qual era o cheiro!
(Ágata, 5 anos)
Cecília estava brincando com seus bonecos e cada hora que eu perguntava, ela dava um nome diferente para eles. Então comentei:
– Cecília, se você ficar trocando o nome do urso toda hora, quando você chamar, ele não vai saber que é ele.
– Então eu vou chamar ele de Luiz Carlos, meu amigo Caco.
(Cecília, 3 anos)
Durante a conversa da noite aqui em casa a Olívia estava mostrando uma picada nova no joelho e eu falei:
– Mas filha, a gente passou repelente hoje. Como que o mosquito picou aí?
– Mas é que ele não sabia, mãe.
(Olívia, 3 anos)
Pedro empurrou o Joaquim que se desequilibrou e caiu de bumbum no chão. A avó que presenciou tudo o repreendeu:
– Pedro, não empurre seu irmãozinho. Ele ainda é pequeno.
– Vovó, ele precisa aprender a se equilibrar na vida!
(Pedro, 4 anos e Joaquim 1 ano)
– Vovó, o carro está indo pra frente, ou mundo está ficando pra trás?
– O que você acha, Arthurzinho?
– Acho que o carro está indo pra frente e o mundo está ficando pra trás.
(Arthur Roberto, 5 anos)
A mãe falou pra ela comer e parar de assistir televisão, mas nada da Camila obedecer. Até que depois de pedir varias vezes ela tomou o controle remoto das mãos da Camila e disse:
– Muito bem, mocinha. Agora come! E eu só vou te devolver este controle remoto quando eu achar oportuno!
Então a Camila abriu um berreiro e perguntou:
– E onde está esta tal de ‘portuno’?
(Camila, 3 anos)
Estávamos todos no quarto conversando quando minha mãe começou a chorar. Meu irmão viu minha mãe chorando e ofereceu o doce que ele estava comendo:
– Come, mamãe. Para passar a dor.
(Vitor, 4 anos)
– Júlia, pegue a Alice senão o ventilador vai cair em cima dela.
– Ah, mãe, deixa cair. Assim ela cria anticorpos…
(Julia, 10 anos e Alice 10 meses)
Francisco enterrou uma tartaruguinha de brinquedo no parquinho e a deixou lá. Na semana seguinte, ele se lembrou da tartaruga e foi cavar para procurar. Cavou, cavou, cavou tanto que praticamente tomou para si todo o espaço da areia. Foi então que se aproximou um bebezinho e começou a jogar areia no imenso buraco que ele fazia. Ele olhava para o bebê e não dizia nada. Ele cavava e o bebê jogava a areia de volta. Até que ele suspirou, olhou em volta e perguntou num tom impaciente, mas sem irritação:
– Quem é mãe desse bebê?
Uma moça, meio sem graça, disse que era ela. E ele disse:
– A senhora pode avisar seu bebê que ele está atrapalhando o trabalho da ciência?
A mãe, já rindo, perguntou que trabalho era esse. E ele:
– Uma escavação arqueológica. Estou procurando os restos fossilizados de uma tartaruga pré-histórica! E seu bebê está me atrapalhando!
(Francisco, 7 anos)
– Papai, o que é tumitinhas?
– Tumitinhas, filha?
– Sim, papai. O que é tumitinhas?
– Mas onde você viu isso?
– “O amor que tumitinhas era pouco e se acabou.”
(Maria Luiza, 3 anos)
Estávamos deitadas em minha cama e vi uma espinha no rosto da minha filha. Não resisti e espremi. Ao sair o líquido eu disse:
– Que nojo!
– A mãe está espremendo minha espinha e queria que saísse o quê? Glitter?
(Kauany, 12 anos)
Na sua primeira viagem de avião, o Eduardo estava bem ansioso e falante. Quando o avião decolou ele ficou quieto e com uma cara de assustado. Eu perguntei:
– Dudu, tá tudo bem?
– Sim, mamãe. Eu só estou sentindo um pouco de tontura na barriga.
(Eduardo, 4 anos)
– Anna, você engoliu seu dente?
– Engoli, Heloá.
– Mas pode?
– Minha mãe disse que nossos dentes são de leite.
– Nossa, deve ser uma delícia. Quando o meu cair também quero comer.
(Anna, 6 anos e Heloá, 5)
Willians cantando o Hino Nacional:
– Entre os seios, ó liberdade…
(Willians, 6 anos)
– Profe, preciso de um dado para o jogo que criei.
– O que você acha de fazer um com massa de modelar?
– Tá bom.
– Lucas, você tem certeza que tem os números 7 e 9 nos dados?
– Profe, meu jogo, minhas regras.
(Lucas, 5 anos)
Conversando com os meus filhos sobre o meu pé quebrado, escuto o Gabi me consolando:
– Mãe, não se preocupe. O seu pé logo vai melhorar.
E a Sarah, tentando ajudar, completou:
– É… daqui uns 40 anos fica bom.
Ao ver minha cara de decepção com o tempo me dado pela Sarah, Gabi falou:
– Tá louca, Sarah? Daqui 40 anos a mamãe já vai ter morrido.
(Gabriel, 8 anos e Sarah, 6)
– Mamãe, qual é o nome desse passarinho?
– É o canário.
– E ele roubou a mulher de quem pra ser canalha?
(João Rodrigo, 6 anos)
– Mãe, fale mais alto porque meu nariz está entupido.
(Robert, 7 anos)
– O que você quer ser quando crescer, Sther?
– Velha.
(Sther, 3 anos)
Eu estava conversando com minha tia quando de repente meu afilhado super intrigado me perguntou:
– Dinda, teu nome é Jessica?
– Sim, amor. Como tu achou que fosse?
– Dinda, ué!
(Arthur 3 anos)
– Mãe, já sei o que é “o Tchan”. É o nome de um menino. Eles dizem “segura o Tchan, Tchan, Tchan”.
– É mesmo João?!
– Sério, mãe. E os pais dele são separados. Por isso eles falam “domingo ele não vai, não vai, não vai…”
(João Pedro, 7 anos)
Fernanda ganhou uma vaquinha inflável que veio furada. Encheu uma vez e ela esvaziou. Encheu de novo e esvaziou. Depois da terceira vez começou a chorar e xingar a vaquinha.
A irmã olhou para ela, toda calma, e disse:
– Fê, relaxa. Estamos em época de vacas magras.
(Bruna e Fernanda, 7 anos)
– Mamãe, como será que uma pessoa de doze anos faz para fazer diferença no mundo?
– É só perceber as necessidades de quem está em volta e do mundo; e fazer o que estiver ao alcance para ajudar. Se cada um fizesse isso, o mundo seria perfeito.
– Mas, se o mundo fosse perfeito, o que iria sobrar para a gente fazer?
(Bruna, 12 anos)
Infelizmente, Cecília provou refrigerante pela primeira vez.
Eu, tentando influencia-la, perguntei:
– É ruim, né filha? Você gostou?
– É uma pouquinho ruim, papai.
– Sim…
E ela emendou:
– Mas é bastante bom.
(Cecília, 2 anos)
– Filha, você quer ovo frito ou cozido?
– Eu quero ovo de Páscoa, mamãe.
(Melissa, 2 anos)
Voltando da escola a Maria Laura comentou:
– Mãe, a minha professora disse que a Páscoa não é só ovo de chocolate, não.
E a Lívia interrompeu a irmã:
– Claro que não, Maria Laura, é bombom também.
(Maria Laura, 5 anos e Lívia, 3)
Minha prima estava tomando banho de água quente, quando minha avó disse:
– Rafaella, não pode tomar banho de água quente, você fica com rugas.
– Você tomou muito banho de água quente, né vó?
(Rafaella, 5 anos)
Eu estava lendo uma história, quando disse:
– Então ele olhou para o rebanho…
– O que é rebanho?
– É um conjunto de animais.
– Ah, tá. Achei que era quando a gente não tomava banho direito e aí tinha que tomar de novo.
(Julia, 8 anos)