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Arte de rua

– Pai, tá vendo aquela marca ali? – ela perguntou, com ar de contraventora, enquanto apontava para dois rabiscos feito a giz no chão da garagem.
– Tô. O que tem?
– Fui eu que fiz.
– Sério? E o que quer dizer?
– Ah, pai. É um M de Manú, nome da mamãe, e N de Nina.
– Ahn… mas, filha, então você estava pixando? – resolvi provocar.
E ela mais que depressa:
– Claro que não, pai! É grafite.

(Nina, 7 anos)

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CDF

Conversando com o Pedro sobre as notas escolares:
– Então, mãe… eu tirei 8 em matemática outra vez. Isso é bom?
– É bom sim, mas pra ficar melhor tem que tirar 10, né? Faz tempo que você não recebe um 10. Estude um pouquinho mais, que você consegue. Você é inteligente!
– Sabe, mãe, eu queria que existisse a nota 12. Daí, com certeza eu conseguiria um 10.

(Pedro, 6 anos)

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Recarregando

A Bruna estava quietinha no sofá, esperando o almoço e não brincava com as outras crianças. Fui até ela e disse:
– Bruninha, vai brincar…
– Estou esperando o almoço.
– Vai brincar, quando estiver pronto, eu te chamo.
– Não dá, tio. A minha bateria está acabando.

(Bruna, 8 anos)

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Frases de cachorros – os cartoons do Frodo

O nome já diz e a gente se empenha em manter o plano: esse é um blog de frases. E frases de crianças. Mas desde o nosso último aniversário temos trabalhado para ampliar a produção para outras coisas relacionadas ao tipo de conteúdo que gostamos e compartilhamos. E dentre tantas ideias, uma de que gostamos especialmente são as tirinhas (ou cartoons, como dizem os mais fanáticos).

Uma das pessoas que tem nos ajudado no plano de criar e publicar tirinhas de humor sobre crianças aqui no blog é o Gordon Bagshaw. O Gordon é um cartunista canadense talentosíssimo que publica regularmente na internet cartoons sobre o Frodo, seu sheltie de estimação.

Pois o Frodo cresceu, ganhou público nos últimos tempos, ganhou fama internacional e ganhou um ebook só pra ele. O livro foi lançado em outubro e pode ser comprado na Amazon. As tirinhas estão em inglês, mas a linguagem é fácil de entender, o traço do Gordon deixa a compreensão intuitiva e, para ajudar, no final do livro tem um glossário de apoio para quem não é fluente no idioma.

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Por que sua barriga é grande assim?

Entrei em um ônibus e sentei ao lado de um garotinho de, no máximo, quatro anos. A certa altura, ele perguntou:
– Moça, por que sua barriga é grande assim?
– Por que tem um bebezinho aqui dentro.
– Uau! Um bebê de verdade!?
– Sim. Um bebê de verdade.
Depois de alguns segundos pensando, ele fala para a barriga:
-Viiiu porque eu me comporto?
Ao risos, expliquei que os bebês tem que ficar na barriga da mãe e blá blá blá. Ele pensou um pouco e devolveu:
-Aaah entendi! Você é uma mamãe canguru!

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Waze

– Pai, por favor, vamos na pizzaria!
– Hoje não, filha. Está um trânsito danado.
– Ah, pai, por favor, vai?
– Não, Nina, já falei, está muito trânsito, ninguém vai sair na rua hoje.
– Então, se não vai ter ninguém, dá pra gente ir.

(Nina, 6 anos)

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A melhor hora da escola

Estava olhando a caderneta da escola do Mateus. Havia um quadrinho que marcava todos os horários de aulas que ele tinha. Aula de música, aula de artes, educação física, expressão corporal etc. Achei muito interessante e por curiosidade perguntei:
– Mateus, qual hora você mais gosta da tua aula?
E ele, sem pensar:
– A hora que acaba!

(Mateus, 4 anos)

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Tempestade em copo d’água

Era sexta-feira, jornal da manhã passando na TV, fim de semana com Dia das Mães pela frente. A apresentadora da previsão do tempo mostrava os mapas e dizia que o fim de semana teria frio e chuva. A Anna Beatriz ficou em pé no sofá da sala e perguntou:
– Mãe, mas vai chover aqui em casa ou lá dentro da televisão?

(Anna Beatriz, 3 anos)

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Saudades de cama

– Luísa, você dormiu bem?
– Sim, papai, dormi!
– E sua cama te abraçou e beijou gostoso?
– Ela beijou, abraçou e até mordeu meu bumbum.
– Mordeu seu bumbum?
– É, mas foi de levinho… Ela tava com muita saudade!

(Luísa, 3 anos)

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Refletindo

A mãe estava ralhando com a Luísa que não lhe dava atenção:
– Se certa pessoinha prestasse atenção, as coisas seriam mais fáceis!
A Luísa continuou olhando para a televisão e disse:
– Certa pessoinha está pensando o que vai responder.

(Luísa, 3 anos)

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Bola de ferro

O Lincoln ganhou uma camiseta nova de um personagem em quadrinhos. Quando a avó chegou, elogiou:
– Nossa, que camiseta show de bola!
E ele corrigiu:
– Não é show de bola, vó. É o Homem de Ferro.

(Lincoln, 3 anos)

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Gentleman

Uma amiga nos visitava em casa, quando o Caio disse:
– Tia Thayza, vai embora!
A mãe, na hora, repreendeu:
– Mas que falta de educação, Caio!!
E o menino, educadamente:
– Desculpa! Tia Thayza, você pode, por favor, ir embora?

(Caio, 4 anos)

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Miss simpatia

– Filha, você está indo com a mamãe para o trabalho, então, por favor, se comporte. Eu quero que você cumprimente e sorria para todo mundo. Combinado?
– Combinado, mamãe.
– Muito bem.
– É porque você quer que depois as pessoas comentem: “nooossa, como a sua filha é simpática!”, né?

(Nina, 6 anos)

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Com jeitinho

– Mãe, a Marina hoje não quis me emprestar o brinquedo.
– E você fez o que, Isabella? Bateu nela?
– Nããããããooo! Eu pedi por favor!
– E ela deu?
– Deu.
– E se ela não tivesse dado?
– Aí eu batia nela.

(Isabella, 3 anos)

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Decorando

Quando o Davi começou a falar, eu queria que ele aprendesse o nome dele completo. Então eu falava:
– Filho, o seu nome é Davi Medeiros Rosa.
E ele, sério, me olhava e dizia:
– Rosa não, mãe. Azul!

(Davi, 2 anos)

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Tableft!

As crianças na escola em que trabalho levam o tablet para brincar depois do almoço. Eu peguei um emprestado e estava bem concentrada jogando, quando falei:
– Esse jogo é tão legal! Vou pedir um tablet desse pro Papai Noel.
De repente a Maria me olha e diz:
– Profe, tens um celular quebrado que nem pagasse ainda. Como queres um tablet?

(Maria)

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Micro-reza

– Mamãe, conta uma história pra eu dormir?
– Conto, qual delas você quer?
– Antes vamos rezar, tá, mamãe?
– Vamos. Pai Nosso que estais no céu.
– Pai nosso quitá no céu.
– Santificado seja o vosso nome.
– Santitado sosso mone.
– Venha a nós o vosso reino.
– Vassueino.
– Mamãe…
– Oi, filha.
– Vamos rezar a ôta poque essa tá muito compicada?

(Luísa, 5 anos)