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Tempestade

Apresentando a cidade:
– Olha, ali fica a igreja, mais pra frente tem um barzinho e ali é onde o meu pai trabalha.
– Que perto! Ele deve vir trabalhar à pé.
– Ah, quando não chove, ele vem tranquilo, sim.
– E quando chove, vem nervoso!?

(Vinícius, 3 anos)

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Vota Brasil

– Pai.
– Oi, filha.
– O que é preciso pra ser presidente?
– É assim: as pessoas que se acham capazes se candidatam, daí o Brasil inteiro vota. O que tiver mais votos será o Presidente.
– Eu queria que você e a mamãe fossem candidatos
– Ah, obrigado, filha!
– É porque daí a gente não ia precisar pagar por nada.

(Ellen, 6 anos)

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Panelastation 3

O Daniel pegou o folder de uma loja na mão e começou a analisar:
– Mãe, eu já sei o que é isso.
– O que é, filho?
– É um fogão. E isso é uma geladeira, isso é um secador, isso é uma chapinha e… e isso aqui mãe?
– Isso é um jogo de panelas.
– Mas, mãe, como é que se joga um jogo de panelas?

(Daniel, 2 anos)

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Bi-bi, fom-fom, do-dói

Estávamos passeando de carro quando o Konrado perguntou:
– Mãe, carro fica doente?
– Doente, não! A gente diz que ele tá doente quando tá com algum defeito…
– Então por que naquela oficina de carro tá escrito “Injeção”?

(Konrado, 7 anos)

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Era uma vez…

Li o livro “Lino” na escola e disse às crianças que quem o escreveu foi André Neves. No dia seguinte reli o livro e perguntei:
– Quem é o autor do livro?
E o Wenderson gritou todo animado:
– Branco… Branca… Branca de Neve!

(Wenderson, 5 anos)

Enviado pela Erica Bosi

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O Horário

O Henrique sempre bebe um copo de leite antes de dormir, mas certa noite ele insistiu para tomar mais cedo:
– Mamãe, eu quero tetê
– Henrique, você tem que esperar o horário chegar
– Mas se o horário não chegar, você pode fazer a tetê por ele?

(Henrique, 2 anos)

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A prova d’água

A Isabella jogou o celular da mãe no chão e acabou indo ficar de castigo. Trinta segundos depois, a mãe olhou para ela e questionou:

– Isabella, você está chorando? Você fez besteira, não pode jogar o celular da mamãe no chão…
– Isabella não tá chorando.
– Ah… você não tá chorando? Então que é isso no seu olho?
– Maquiagem.
(Isabella, 2 anos)
Enviado pela Marcella Maciel
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Orgulhosa

A família toda no carro, a Nina chama lá de trás:
– Mamãe?
– Oi, filha.
– Você tem orgulho do seu pai?
– Tenho, sim, Nina. Tenho muito orgulho do meu pai. E você?
– Eu também.
E o pai, que dirigia, sorriu todo cheio.
– Mamãe?
– Oi.
– O que é orgulho?

(Nina, 5 anos)

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Fases de crianças

Antes que elas cresçam
Affonso Romano de Sant’Anna
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.
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Quer pagar quanto?

Estávamos numa livraria comprando um presente para a mamãe e eu resolvi checar o preço do livro num daqueles leitores de código de barras. Coloquei o livro, esperei e o preço apareceu na tela. Então, me dirigi à fila do caixa pra pagar. Quando olhei para trás, a Nina estava ali parada em frente ao equipamento passando a mãozinha pelo leitor.
– Vem, Nina, vem logo!
Desapontada, ela olhou pra mim e se lamentou:
– Puxa, minha mão não vale nem 1 real!?

(Nina, 5 anos)

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Show de bola

O Lincoln ganhou uma camiseta nova, de um personagem de histórias em quadrinhos. Quando a avó chegou, viu o presente e comentou:
– Nossa, que camiseta show de bola!
E ele:
– Não é show de bola, vó, é do Homem de Ferro.

(Lincoln 3 anos)

Enviado pela Sabrina Soares

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Em nome do pai

Brincando no quarto:
– Então, mocinha, como é seu nome mesmo?
– Nina.
– Hmm. Mas e o meu nome, você sabe?
– Sei, é Loizenrique!
– Hahah, isso aí. Mas são dois nomes, filha: Luiz e Henrique. Tem gente que me chama de Luiz, tem gente que chama Henrique, outros chamam de Rique…
– E tem gente que te chama de papai!

(Nina, 3 anos)

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Sonhando com o trono

Dia desses, de madrugada, eu estava na sala trabalhando no computador. Em casa, aquele silêncio, tudo escuro, minha esposa e a Nina dormindo tranquilas. De repente, ouço um resmungo vindo do quarto da minha filha. Paro o que estou fazendo e fico de ouvido alerta… passa um instante e ouço com clareza:
– Prooonto!!
É a típica expressão da Nina quando termina de usar o banheiro. Larguei tudo, corri para o quarto, a cama inteira molhada e ela, meio sem entender, só teve tempo de perguntar:
– Pai, o que vai acontecer agora?

(Nina, 3 anos)

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Nana papai

São 19:00 e tento colocar a Lis para dormir. Coloco-a no berço e fico admirando sua vontade de brigar com o sono. Apoio minha cabeça nos braços e finjo estar dormindo para ver se a pequena dorme. Ela tenta a dormir uma, duas e na terceira vez, levanta-se, olha para mim, que ainda estou lá finjindo, e fala num tom de voz bem baixinho:
– Xiuuu, papai nanou, papai nanou. Nanou, papai?

(Lis 1 ano)

Enviado pelo Surrer Younes

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Blog – Estamos em falta

Amigos,

Estamos em falta com o blog, é verdade. Nem adianta explicar muito porque, imaginamos, vocês entendem perfeitamente o que se passa nessa vida corporativa, paulistana, moderna e conectada.

Se o dia tivesse mais uma hora, mas só uma horinha a mais, a gente passaria postando coisas por aqui.

Mas não tem. Prometemos que vamos nos organizar, ler os e-mails, responder a todos, editar as frases e postar tudo o que tiver de bacana em nossa lista de pendências, ok?

Abraços a todos e… vamos, Brasil!

Manú e Henrique

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Vídeo bonitinho do dia

Não tem jeito, de vez em quando a gente se rende a esses clichês que vemos pela rede e cedemos ao impulso de agir como os recém-integrados à vida digital e encaminhamos um ppt bonitinho, um e-mail engraçado e, porque não, um vídeo com liçõezinhas do YouTube.

Esse é um desses. A gente sabe de tudo o que está ali, sabe que é brega, mas ainda assim não tem como ficar indiferente.

“100 formas de mostrar as crianças que você se importa” é um vídeo bacana (sem falar na trilha).

Divirta-se com seus filhos.

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Agora falando sério

Tá certo, esse blog é para ser engraçado. Desde o começo, a intenção sempre foi (e continua sendo) de reunir pais e mães interessados em falar sobre o lado divertido e descontraído da melhor parte de nossas vidas – sim, estou falando dos filhos 🙂

Mas às vezes é bom a gente parar e refletir um pouco. Não, o FdC não vai virar um espaço para falar de educação, saúde, como fazer seu filho dormir e essas coisas que outros sites já fazem muito bem (tá aí o Bebê.com.br, padrinho-parceiro-comparsa, que não nos deixa mentir).

Por isso, quando for adequado e oportuno, colocaremos aqui algumas mensagens que nos façam pensar em como nossas atitudes – e o reflexo que tem na sociedade – afetam o futuro dos nossos pequenos.

Resumindo: vamos com calma, gente.

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Francesinha

Outro dia fui cortar o cabelo e minha esposa e minha filha me acompanharam. Chegando lá, havia um homem fazendo as unhas e a Isabelle, que adora pintar as unhas, ficou toda interessada e intrigada (afinal ela nunca havia visto um homem fazendo as unhas). O sujeito percebeu ela rondando com cara de curiosa e olhou pra ela sorrindo. Antes que ele dissesse alguma coisa, ela mandou com carinha de sacana:
– Vai pintar de rosa chiclete, né safado?

(Isabelle, 4 anos)

Enviado pelo Ivan Ferreira