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Quer pagar quanto?

Estávamos em casa lanchando e tínhamos a opção de esquentar o lanche no microondas ou na forminha de misto quente. Minha mãe perguntou e todos escolheram a forminha. O Hermes então virou pro microondas, deu um tapinha nele e disse:
– É microondas, você tá perdendo pra concorrência.

(Hermes, 8 anos)

Enviado pela Bárbara Caretta

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A lua cheia

A Gabriela, quando pequena, terminava de comer, estufava a barriguinha e batia com as duas mãozinhas dizendo:
– Tô cheia!
Prisicla, a irmã mais velha, logo a corrigiu, dizendo que aquilo não era coisa de mocinha. Mocinhas simplesmente diziam estar satisfeitas. Ela aprendeu, mesmo não dando conta de dizer sa-tis-fei-ta.
Até o belo dia em que, passeando com o pai durante a noite ela disse:
– Papai! Olha, a lua tá grande!
– É filha. A lua tá cheia!
– Cheia não, papai. É feio! A lua tá “sfastifeita”!

(Gabriela, aos 4 anos – hoje já tem 15)

Enviado pelo Paulo Mesquita

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Da próxima vez

O Felipe gritou na sala de aula porque não gostou do Pedro ter abraçado ele tão forte.
Eu disse:
– Lipe, na próxima vez, você não precisa gritar, é só dizer pro seu amigo que não gosta de abraço muito forte.
Virei as costas e ouvi a Olivia aconselhando, no mesmo tom em que eu disse:
– Lipe, na próxima vez, você não precisa gritar, é só bater nele.

(Lipe, Olivia e Pedro – 3 anos)

Enviado pela Isabella Ianelli

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Deus no telefone

Ceceu, na casa dos avós, atende o telefone.
– Alô, quem tá falando?
Do outro lado da linha:
– É o Jesus. Posso falar com o Seu Ângelo?
Ceceu tira o telefone da orelha e grita:
– Vovô! Papai do Céu quer falar contigo!

(Ceceu, 4 anos)

Enviado pela Carolina Ferreira

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DVD furado

Comprei o DVD do Charlie & Lola para meus filhos e eles a-do-ra-ram. Dia desses pela manhã escutei os passinhos do Chico bem cedo e, quando olhei para o lado, ele estava ao lado da minha cama.
– Que foi Chico?
– Mãe quero continuar vendo o Charlie e a Lola.
– A não Chico, toda hora, você já viu bastante. Vamos mudar um pouco.
– Ahhh mãe, mas eu quero!
– Mas Chico desse jeito o DVD vai furar!
– Não vai não, mãe, ele já tem um furo!

(Chico, 4 anos)

Enviado pela Melissa Sabo

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Participe do blog

Aproveitando a onda da notícia da parceria com o Bebê.com.br, gostaríamos também de reforçar os canais de interação que tentamos manter por aqui.

O blog, como sabem, é colaborativo. Tudo o que postamos aqui (com raras excessões) chega de pais, mães, tias, madrinhas, avós e tantos corujas que nos mandam por email.

Para participar do blog, envie sua pérola para o email frasesdecriancas@gmail.com – ficaremos muito felizes em receber e nos corresponder. Mas por favor, envie também seu nome, o nome da criança e a idade dela. E se quiser um link para seu site ou Twitter, envie o endereço junto.

Agora, temos também outros jeitos para você acompanhar o blog. E os links abaixo já são o caminho:

E se tiver alguma outra ideia, a caixa de comentários está aberta logo abaixo.

Grande abraço,
Manú e Henrique

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Cara lavada

A Catarina estava pensativa, calada e com uma expressão um pouco preocupada.
– Catarina, por que você está com essa cara?
– Ué mãe, porque todas as outras caras “tão” pra lavar…

(Catarina, 3 anos)

Enviado pela Mariane Tichauer

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Blog – Uma boa notícia


Olás,

Começou oficialmente na última quinta-feira, mas a divulgação vale a partir de hoje.

Pois é que a tal da boa notícia que viria e fez com que ficássemos atrasados com posts, emails não respondidos e tuitadas finalmente pode ser divulgada.

Vocês devem ter notado (ou não) a referência aí ao lado. É que o Frases de Crianças – agora muito chique – é o primeiro blog parceiro do Bebê.com.br, site da Editora Abril, o maior do país dedicado a gestantes, mães e educação de filhos.

É engraçado pensar que a gente tem tanto orgulho dos nossos pequenos que – como bem serve o propósito dessa página – anotamos e gostamos de divulgar seus comentários espertos. E então, numa hora como essa, a gente fica orgulhoso também desse tipo de filhote, um blog, que não nasceu da gente mas que, mais hora, menos hora, vai se enchendo de autonomia e começa a andar com as próprias pernas.

Estamos muito felizes. Em tão pouco tempo tudo tem dado tão certo.

Vida longa ao blog e à parceria com o Bebê (nosso obrigado especial ao Kaio e à Ana, tão gentis desde sempre). E vida eterna às boas amizades que temos construído com cada coruja orgulhosa que nos envia frases por email, Twitter ou pelo Facebook. Obrigado a cada um de vocês.

Abraços,
Manú e Henrique

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Esculturas

Estava eu conversando com uma amiga e minha sobrinha começou a me chamar insistentemente e eu fingi que não estava escutando.
Depois de umas 5 tentativas, ela virou-se e disse:
– Você não tem “escultor” não?

(Graciele, 4 anos)

Enviado pela Eliana Cerqueira

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Machismo precoce

O Caio ganhou um filhote de marreco por uma semana, já que seria impossível deixá-lo no apartamento por muito tempo. Quando o pobre bicho partiu, foi revelado algo surpreendente sobre sua natureza.
– Caio, você não vai acreditar. Além do pato ser marreco, ele era na verdade uma ‘marreca’!
– Marreca? – o Caio exclama surpreso e com cara de nojo.
– Isso Caio, uma marreca.
– Se eu soubesse disso, tinha mandado ela embora no primeiro dia.
– Nossa Caio, porque isso?
– Tá explicado porque ela piava tanto.

(Caio, 6 anos)

Enviado pelo Sérgio Dantas

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Desenhos de crianças trazidos “à vida”

O artista Dave Devries reuniu desenhos feitos por crianças e resolveu “dar vida” à ideia dos pequenos. A partir dos originais, Dave arte-finalizou e tentou chegar à versão final imaginada pela criançada.

O projeto foi publicado no livro The Monster Engine e ganhou versão digital no site do artista.

Veja alguns exemplos, publicados aqui pelo pessoal do blog Byte Que Eu Gosto:

Enviado pelo Jr. Miranda

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O cavalo na bicicleta

Estávamos no carro com meu sobrinho, quando um homem em uma bicicleta pulou de repente na frente do carro. Minha mãe instintivamente gritou para meu pai:
– Joel, cuidado com o cavalo na bicicleta!
Meu sobrinho sem entender nada, pergunta rapidamente:
– Cadê? Cadê o cavalo, vó!?
Todos caímos na gargalhada e, sem entender nada novamente, ele dispara:
– Dããrrr vó, cavalo não anda de bicicleta!

(Gabriel, 3 anos)

Enviado pela Katy Leitner

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The book is on the table

– Filha, como foi a escolinha hoje?
– Agora tem aula de inglês…
– Aula de inglês? Que linda! Mas, me conta, o que você aprendeu na aula de inglês?
– Aula de inglês.
– Eu sei, Nina. Mas me fala o que você aprendeu na aula.
– Mamãe, a-u-l-a  d-e  i-n-g-l-ê-s.

(Nina, 2 anos)

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Calma, não é o que parece!

O Conrado estava sentado no cadeirão jantando e minha mãe, recém operada, estava deitada assistindo TV. De repente, ele pára de comer e solta:
– Mamãe, a puta da vovó tá cagada!
Na hora, minha mãe me olhou e nós duas começamos a rir sem parar. Ele, sem entender nada, se entregou às risadas também. Só quando nos acalmamos é que pude traduzir:
– Mamãe a fruta da vovó esta estragada.

(Conrado, 2 anos)

Enviado pela Cristiane Moura (@crisfonsecam)

(comentário da mãe coruja: o mais bonitinho foi a inocência dele de rir junto com a gente pelo simples fato de estarmos rindo sem saber o motivo)

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Cenas domésticas: conversa séria

Lá em casa, toda vez que a Nina passa do ponto nas birras ou apronta alguma coisa realmente muito grave, nós a chamamos para “uma conversa muito séria” lá no quarto (calma, antes que a polícia bata na porta de casa, quero deixar claro que “uma conversa muito séria” não passa de três minutos de bronca, a sós, olhando bem na bolinha nos olhos).

Pois bem, num sábado pela manhã estávamos no quarto assistindo TV, enrolando para levantar e a mãe fez o favorzão de trazer café na cama para nós. Bolo, pão com requeijão, iogurte, Nescau no copo, bolachas… só coisa boa. A certa altura, já quase satisfeitos, a Nina foi tentar virar de lado na cama e acabou dando um chute no meu copo de Nescau. Sim senhoras e senhores, lá foram 400ml de líquido marrom bem escuro sendo absorvidos por lençóis, edredon e pelo colchão.

Ela ficou preocupada.

– Pai, disculpa…
– Nina, não se preocupe, filha. Não tem problema, tá? Não foi culpa sua, foi sem querer.

Limpamos a cama, levamos a tralha para o tanque e eu fui para a sala terminar de dar o café da manhã para a Nina. Só havia sobrado o iogurte. Abri, lambi a “tampinha” de alumínio, me ajeitei no sofá e enquanto tentava pegar a primeira colheirada para servir minha filha, fiz alguma grande besteira e espirrei iogurte para todo lado. Sofá, almofadas, roupas e o piso, tudo devidamente afetado.

Eu fiquei preocupado.

Corri para providenciar minha segunda faxina em menos de uma hora e a Nina observava sentadinha no sofá. Quando voltei, meio ofegante, retomei o assunto.

– Ixi, Nina, você viu o que o papai fez?
– Derrubou tudo, né?
– É… aiaiai. Mas agora já está tudo pronto. Vamos tomar o seu danone?
– Mas… pai?
– Oi, Nina.
– E quem é que vai “conversar muito sério” com você?

(Nina, 2 anos)

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Cartada

No final de semana passado, uma amiga minha veio em casa e queria que a Luísa pegasse o jogo novo que comprei, de cartas e cores. Então eu pedi a ela:

– Lu, mostra pra Elen como é que se joga esse jogo!

E ela, imediatamente jogou todas a cartas pra cima.

(Luísa, 2 anos)

Enviado pela Fernanda Piovezani

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Presente de aniversário

No dia do seu aniversário, o Miguel chegou e fez uma observação categorica:

– Mamãe, hoje é meu aniversário e você não pode brigar comigo!

Logo depois, quase no final da festinha, ele foi até uma convidada e a perguntou a ela se havia gostado da festa. Ao ouvir ela dizer que “sim”, ele me deu o troco:

– Então vai até a mamãe e dê um beijo nela.

Forma de agradecimento sublime.

(Miguel, 4 anos)

Enviado pela Edna Rosa Batista

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Como chama?

Fui buscar a Luísa na escolinha e, querendo saber se ela já sabia o
nome da professora, perguntei:

– Lu, como chama a tia da escola?

E ela, mais que depressa, colocando as mãozinhas em volta da boca, grita:

– Tiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa…..

(Luísa, 2 anos)

Enviado pela Fernanda Piovezani

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Cenas domésticas: nunca é cedo para ensinar

Era cedo. Estávamos na cozinha e como todos os dias, eu preparava um copo de Nescau para a Nina. “Leitinho, papai, leitinho” é a fala matinal que me desperta, junto com a música do Louis Armstrong que toca no relógio.

Hoje ela foi atrás de mim. Enquanto eu ajeitava o lanchinho da escola, ela virava o copo de leite numa golada só. Depois, não satisfeita, pediu:

– Pai, eu quero também aquele outro. O amarelo.
– Que amarelo, filha?
– Aquele, pai. Abre o armário.

Bom, eram seis da manhã, eu estava com sono e você precisa me desculpar pela falta de paciência com minha pequena.

– Ah, filha, isso não é hora de olhar o armário. Não é hora de doce. E você já comeu.
– Nããão, pai. Eu quero aquele amarelo. Eu esqueci o como chama…
– Nina, eu não sei o que você está querendo. Você já tomou seu leite, agora é hora de se arrumar e ir pra escola.
– Ah, pai… por favoooor! (ela agora está com essa mania de dizer “por favoooor” pra qualquer coisa que queira mesmo, como se fosse um apelo em última instância. Funciona).
– Tá. Eu vou abrir o armário.

Abri a porta e só via pacotes de biscoito, o açucareiro, Nescafé, sal, Ovomaltine, uma lata amarela de leite Ninho… Opa, amarelo!? Leite Ninho?

– Nina, é isso aqui que você quer? Um grudinho*?

Ela sorriu. Ficou um tempo sem dizer nada. Eu, com a cara amassada de sono ainda esperava retomar a rotina. E ela arremata:

– Viu como você aprende?

Realmente.

(*Grudinho é um troço que minha sogra inventou e a Nina adora. A receita é simples: duas colheronas de leite em pó e uns 10 ou 20 mililitros de água. Vira uma pasta grudenta e, segundo dizem, deliciosa – há paladar para tudo)

(Nina, 2 anos)

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Sorvete de quê?

Estávamos na casa de uma tia e a Nina abusava da condição de sobrinha-neta lá na cozinha. Quando entrei para ver o que estava aprontando, vi minha filha chupando cubinhos de gelo. Ela se deliciava.

– Humm, é geladinho! Humm, tem um gostinho de água!

(Nina, 2 anos)

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Jogo da velha

Pai e filho no shopping:

– Pronto, Dudu, pode brincar com meu celular.
– Hmmm, tem jogo da velha!
– Tem sim. E esse você sabe.
– Acho que esse não dá pra jogar com a vovó.
– Mas porque?
– Jogo da velha, ué. Ela ganha…

(Eduardo, 8 anos)

Enviado pelo Anésio

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Casual day

Sexta-feira, dia de ir menos formal para o trabalho (bem, rotineiramente já não vou, então o “nível de relaxo” estava mais evidente), acordei cedo e me aprontei para o trabalho. Depois, acordei a Nina e a vesti com o uniforme da escola. Quando, depois de meia-hora, ela se deu conta de que já estava acordada, ela me olhou, me mediu e perguntou:

– Você vai trabalhar?
– Ahãn.
– Vai nada.
– Vou sim, filha. Porque você tá falando isso?
– Então vai colocar roupa de trabalho! Essa nem tem botão!

Ah, se minha chefe resolve pensar igual…

(Nina, 2 anos)

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Prioridades

Como todo pai que se preze, sempre esperei que a primeira palavra de meu filho recém nascido fosse o bom e velho “papa” (bem, eu até aceitaria um mísero “pa”). Mas, em casa, depois de incentivar meu filho por muito tempo, a primeira palavra que ele falou na vida foi:

– Coca!

(Mateus)

Enviado por Silas de Oliveira

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Pret a porter

Família pronta pra sair de casa, todo mundo se arrumando. Pegue as chaves. Leve a nina pra fazer xixi. Não esquece a chupeta. Você viu meu celular? Achei. E a carteira, tá por aí? Anda logo, filha, venha que estamos atrasados!

Então, a Nina e eu já estávamos no hall do elevador esperando a mãe chegar. Quando ela saiu do quarto, com a roupa trocada e o perfume passado, a Nina a mediu da cabeça aos pés e sugeriu:

– Mamãe, você tem que trocar esse pijama.

(Nina, 2 anos)

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Little girl

A família de férias em NY e nós, num típico programa de turista, fomos ao Central Park levar a Nina para brincar. Enquanto ela balançava num dos brinquedos, viu uma garotinha americana correndo atrás de uma bola.

– Menininha! Ei, menininha! – ela chamava insistentemente.

E, por razões obvias, a garotinha não olhava.

– Menini-nhaaa!

Nada.

– Pai, acho que ela não sabe ouvir.

(Nina, 2 anos)

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Férias (com crianças)

Amigos,

Estamos em férias. E por isso, ficaremos um pouco fora do ar por alguns dias. Se der tempo (e a conexão ajudar), postamos novidades por aqui.

Mande-nos frases. Vamos ler e atualizar sempre que possível.

Abraços,
Henrique, Manu e Nina

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Cenas domésticas: Trapalhadas paternas 2

– Filha, você quer ir trabalhar com o papai hoje?

Tive que levar a Nina pro escritório. Além da grandiosa, epopéica, dificílima e quase impossível tarefa de pegá-la na escola, levar pra casa, dar o almoço e trocar de roupa, ainda me restava o desafio de carregar minha filha para o trabalho num dia em que minha esposa estaria presa em reuniões e não poderia estar em casa mais cedo.

Confesso que eu tinha medo de como ela reagiria ao ambiente, mas, eu não imaginava, o primeiro martírio foi meu e não dela. É constrangedor notar como você passa a ser o foco número um de olhares estranhos te seguindo os passos ao entrar de mãos dadas com um serzinho cor-de-rosa e menos de um metro de altura no seu ambiente de trabalho.

Vencida a barreira dos olhares e comentários, chegamos à minha mesa, tirei os badulaques, brinquedos e.

Passada a via-crúcis paterna, tudo ótimo. Minha filha me enchia de orgulho desenhando com seu super-lápis-de-cor no verso de alguns relatórios confidenciais que eu tinha que analisar. Ganhou mimos, saiu com uma colega para ganhar presentes na redação de revistas infantis, voltou feliz da vida com seu “kit das princesas” e perdeu um pouco a inibição do início de já conversava abertamente com as pessoas.

Até que…

Até que, o presidente da empresa entrou em nossa sala. Peraí, você leu direito isso aí? Eu disse: até que o PRESIDENTE da empresa entrou na sala! E minha filha ficou olhando aquela figura engravatada caminhar na nossa direção.

– Opa! Quem é essa aí? – ele disse sorrindo (bom, o fato de seu super-chefe sorrir não alivia em nada a tensão do momento).

– É a chefe nova – eu disse e, em seguida, já me arrependi (bom, o fato de você fazer uma brincadeira sem graça enquanto está diante do seu super-chefe demonstra que você nunca pode confiar em si mesmo diante de situações constrangedoras).

– Oi mocinha! Como você chama?

– Nina – ufa, ela respondeu!

– Que bonitinha…

Então ela olhou para as mãos dele, fitou nos olhos e soltou:

– Que isso aí na sua mão?

Eu já nem respirava mais.

– O quê? Ahh, você gosta de gibis? Esse aqui é o Pernalonga, conhece? – bem, antes que você pense que presidentes de grandes empresas andam com revistas em quadrinhos pelos corredores ao invés de relatórios e planilhas complexas, acho importante dizer que eu trabalho numa editora.

– Deixa eu ver?

– Olha aqui ó – ele ainda sorria (e um filme com a retrospectiva da minha carreira passava em minha mente em alta velocidade).

Então ele perguntou:

– Nina, você gosta de balas?

Ela, como filha educada que é, olhou para mim e ficou esperando a resposta. Ele, em sei lá qual condição, também me olhou e esperava uma resposta. E então, pela primeira e última vez na minha vida eu me vi dando alguma autorização para o presidente.

– Sim, pode dar – eu disse num misto de pavor e um pingo de satisfação.

– Vem comigo, Nina. Dá a mão pro tio.

Ela saiu pelo corredor de mãos dadas com ele. O tempo passava e eu não conseguia pensar em nada enquanto olhava fixamente pela porta por onde ela saiu.

Cinco, dez, 20 ou 190 minutos depois ela voltou. Da sala do presidente, ela chegou com as mãos cheias de balas 7Belo:

– Papai, papai! Olha!

– Eu falei pra ela pegar a balinha e ela me perguntou se “pode pegar duas”. Aí eu mandei ela encher a mão – ele me disse, ainda sorrindo (e isso já começava a me aliviar) – vai lá, Nina. Vai lá com seu pai.

– Puxa, obrigado Sr. Fulano… e, filha, agradeça o tio.

– Bligada!

– Ô, que nada. Tchau.

Eu me recuperava de um quase infarto e ela já enchia boca com duas balas ao mesmo tempo. Eu sei que ela nem tem dimensão da experiência que teve e é isso que mais me apaixona nas crianças. A ousadia livre de não ter sua opinião abalada pela posição das pessoas e apenas aceitá-las sem barreiras se elas lhe parecem sinceras e amigáveis (é claro que um pacotinho de 7Belo influencia muito nessa reciprocidade).

Minutos depois, um conference call acontecia na mesa ao lado e ela, já totalmente amiga de todo mundo, falava pelos cotovelos.

– Nina, shhhhiu… silêncio, filha!

Ela olhou para os lados, sondou as pessoas e perguntou sussurrando:

– Quem ali tá durmindo?

Meu telefone tocou. Era minha chefe. Eu, numa ligação mega-ultra-hiper-urgente tentava assimilar as decisões que ela me pedia para tomar enquanto prestava atenção na minha filha fugindo pelo escritório em direção à saída.

Um homem vinha pelo corredor e a pegou no colo. Primeira sensação: alívio (ela estava a salvo e eu poderia me concentrar no telefonema). Segunda sensação: dúvida (quem era o cara, afinal?). Terceira sensação: desespero (era o diretor de RH!).

O foco necessário na conversa telefônica me impede de analisar o que a Nina e ele conversaram naqueles minutos, mas eu confesso que ainda prefiro não saber o que se passou.

Antes de encerrar a ligação, o diretor já havia saído do local, a Nina estava sentada outra vez, de volta aos desenhos e às Princesas.

Terminei o que precisava fazer, enviei alguns últimos emails e desliguei o computador. Recolhi as coisinhas multicoloridas que enfeitavam minha mesa e enquanto a Nina se aprontava (e chupava a oitava balinha 7Belo), fiquei pensando nas duas novas amizades da minha filha, na visita a sós na sala do presidente, no cafuné recebido pelo diretor de RH e o agrado geral causado com a equipe.

– É, filha, em três horas por aqui você conquistou o que seu pai nunca conseguiu em sete anos de empresa.

(Nina, 2 anos)

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Cenas domésticas: Trapalhadas paternas 1

Hoje minha esposa precisou sair mais cedo de casa e eu fiquei com a incumbência de acordar, vestir, dar o Nescau e levar a Nina para a escola – bem, é evidente que ela deixou cada peça de roupa devidamente separada e o lanchinho pronto sobre a pia, para eu não esquecer.

– Henrique… Henrique? Henrique!?
– Ahn? Oi…
– Amor, estou saindo pro trabalho mais cedo. Acorde e preste bem atenção.
– Tá.

E até agora uma sucessão de palavras fora de ordem e tarefas desconexas ainda tentam encontrar algum sentido na minha mente.

Acordei atrasado, me aprontei, ajeitei as coisas, me atrapalhei, acordei a Nina, segui o passo-a-passo matinal e fiquei tentando convencer minha filha de dois anos de que ir à escola é mais legal do que parquinho, desenho na TV, casa da vovó e brincadeira com o priminho.

Finalmente, convencida e com a mochila nas costas, saímos do apartamento e esperávamos pelo elevador quando ela se deu conta de que alguma coisa estava diferente na rotina dela:

– Cadê a mamãe?
– A mamãe já foi para o trabalho, filha. Hoje ela tinha que ir mais cedo.

Ela pensou, olhou para o elevador, para a porta e, espantada, exclamou:

– Nóis tá sozinho!?

Pois é, querida, seu pai conseguiu…

(Nina, 2 anos)