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Contornando

A avó do Carlos chegou em casa, viu ele comendo e disse:
– Mastigue direitinho para poder engolir, igual a vovó. A vovó mastiga direitinho.
– Com a sua dentadura?
– Quem disse que eu uso dentadura?
Tentando contornar, ele respondeu:
– Mas toda moça bonita da sua idade usa dentadura.

(Carlos, 6 anos)

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Procuradora

Conversando com minha sobrinha de manhã:
– Tia, onde você trabalha?
– Na Procuradoria, Lice.
Horas mais tarde minha irmã perguntou:
– Alice, onde está o carregador?
– Pergunta pra titia, mãe. Ela é procuradora profissional!

(Alice, 6 anos)

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Constatando

Minha amiga conversando com a Sofia:
– Que massinha interessante. É de comer?
– Não! É de brincar. Só uma pessoa esquisita comeria isso.
– Mas existem pessoas esquisitas, Sofia.
– E você é uma delas?

(Sofia, 6 anos)

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Dependência

Meu irmão estava estudando para a prova de ciências da escola, quando de repente olhou para mim e disse:
– Bu, acho que nós temos uma relação de mutualismo.
– Por que, Álvaro?
– Porque eu não vivo sem você e você não vive sem mim.

(Álvaro, 11 anos)

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Ui

A Bibi chegou da escola e me contou, apreensiva:
– Mamãe, a professora criou uma regra. Escreve a palavra “parque” na lousa e cada vez que alguém apronta ela risca uma letra. Se riscar todas, ficamos sem parquinho!
Falei que ia fazer o mesmo com a TV em casa. Imediatamente ela retrucou: – Escreva pelo menos o nome verdadeiro “televisão”!

(Giulia Bianca, 6 anos)

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Criança aprende rápido

Estávamos brincando com um jogo que trabalha os sentimentos. Caiu em uma pergunta: “Se você quebrasse um vaso da sua mãe, como você se sentiria?” Aí complementei:
– Lembra, filho, que você quebrou o vaso da mamãe uma vez? Como você se sentiu?
– Quebrei, não! Isso é fake news!

(Leonardo, 5 anos)

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Saudades

– Mamãe, hoje eu chorei quando você foi para o trabalho.
Com a voz embargada, respondi:
– Ahh filha, eu também senti saudades e quase chorei.
– Não, mãe. Eu chorei porque a minha chupeta ficou no seu carro.

(Ana, 3 anos)

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Igual, mas diferente

Hoje, no parquinho, um menino da idade da Tete perguntou sem pudor:
– Você é menina ou menino?
Ela respondeu:
– Menina.
Então, o irmão mais velho, preocupado, repreendeu o caçula dizendo que ela poderia ficar triste com a pergunta. Ela olhou bem para ele e perguntou:
– Por que eu ficaria triste? É ruim ser menino?

(Teresa, 4 anos)

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É sim

Estava conversando com o Greg e ensinando a ele o nome dos avós:
– Mas, mamãe, Reginaldo é o nome do papai, e não do vovô!
– Sim, filho. Mas eles têm nomes iguais. O papai é Reginaldo Filho…
– Não! O papai é Reginaldo adulto!

(Gregório, 3 anos)

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Na sua pele

Tenho muitas tatuagens e a Giulia comentou:
– Eu fui na praia e fiz uma tatuagem, mas eu tomei banho e saiu. Você não toma banho, tia?
– Tomo, sim. Mas minha tatuagem é de verdade, fiz com agulha.
Então o João entrou na conversa:
– Com agulha, tia? Doeu e você não chorou?
– Chorei não, João.
A Giulia completou:
– Adulto só chora quando sente saudade, João.

(Giulia e João Gabriel, 4 anos)

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Fora do cardápio

‭Estávamos brincando de sorveteria, quando o Artur me convidou para ser sua cliente e me ofereceu um sorvete imaginário que custava mil reais.‬
‭- E você vende fiado, Artur? ‬
‭- Titia Paula, não vendo fiado, eu vendo sorvete!‬

‭(Artur, 5 anos)‬

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10 anos! As melhores frases de cada fase

Hoje, o Frases de Crianças faz dez anos. Começamos com um blog caseiro lá em 2009. A Nina tinha dois anos e soltava suas primeiras pérolas que, somadas a uma coleção de outras da nossa priminha Luiza, deram caldo para os posts inaugurais. Agora, aos doze, a Nina quase nos faz precisar criar um novo blog para um outro tipo de momento, de questionamentos e experiências nos ocupam quando começamos a deixar a infância para trás. Há quatro anos, nasceu a Cecília, que continua nos dando repertório para que os momentos da nossa família ainda estejam representados nesses posts.

Mas, desde o primeiro ou segundo mês, o blog se tornou bem mais do que o repositório das experiências de nossas crianças e de filhos de gente querida convivendo ao redor. Foi porque abrimos espaço para que vocês também enviassem frases de seus filhos, afilhados, alunos, sobrinhos… Só não tínhamos ideia da quantidade de mensagens com pérolas tão engraçadas que receberíamos com o passar do tempo. Hoje, são mais de duzentos e-mails novos todos os dias, fora as mensagens diretas no Facebook, Twitter e Instagram.

A comunidade de corujas cresce em larga escala. No Facebook, somos 1.100.000 e no Instagram ultrapassamos os 450 mil, o que só nos serve como sinal de que tem gente que gosta e se diverte com isso aqui tanto quanto nós. E a ideia de celebrar a pureza, a inocência e a graça da infância tem eco nos corações de outras pessoas — e ultimamente esse trabalho é acompanhado por uma convicção cada vez maior de que a gente pode ajudar a colorir com um pouco de alegria o ambiente tóxico e chato que nossas timelines se tornaram.

Em dez anos, o blog nunca deixou de ser isso aqui: o passatempo de um casal que, no meio da bagunça da rotina, pára para pinçar uma frase recebida de um leitor ou leitora para compartilhar com os outros leitores e leitoras. A gente organiza a comunidade, mas o conteúdo vem de vocês. Sem compromisso, quando dá, como se estivéssemos todos aqui na sala de casa contando uns para os outros a última pérola de nossos pequenos.

Por isso, contamos com os alertas, avisos e ajuda de todos para que esse espaço seja sempre saudável, coletivo e, sobretudo, de todos nós.

Obrigado por esses 10 anos!

Beijos,

Manú e Henrique

PS: Ao longo da última semana e também nos próximos dias, estamos contando algumas novidades por aqui. Um canal experimental no YouTube, grupos de conversas no Facebook, uma playlist pública no Spotify com músicas infantis e outras coisas legais que ainda virão. Veja lá e depois conte pra gente o que achou.

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Melhorou?

– Vó, tô penteando o cabelo de vovô para ele ir bem bonito na padaria.
Aí a moça da padaria vai falar assim: “Oi, Lis, hoje seu avô tá um gato!”
– O que, Lis?! O que a moça da padaria vai falar do seu avô?
– Ahhh… ela vai falar: “Oi, Lis, hoje seu avô tá menos feio!”

(Lis, 5 anos)

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Tempo

– Mãe, que dia é amanhã?
– É depois que você dormir, filha.
No outro dia, assim que ela acordou, correu no meu quarto e perguntou:
– Mãe, hoje é amanhã?
– Não, filha. Hoje é hoje.
– Mãe, você está me enganando.

(Priscila, 5 anos)

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Use a imaginação

Na cantina da escola:
– Tia, quero um salgado e um suco. Alice, com as mãos fechadas, estica os braços para pagar. Mas quando abre as mãos não tem nada.
A tia da cantina perguntou:
– Cadê o dinheiro, Alice?
– Tá aí! Você não aceita dinheiro imaginário?

(Alice, 3 anos)