0

Função

Voltando de carro da casa dos avós, observando os moinhos de vento pela janela (moramos na Holanda), Yasmin perguntou:
– Porque é que venta? O vento serve para quê?
O papai manteve a idéia de motivar ela a pensar e perguntou:
– Para que você acha que serve o vento? Me conta?
– Eu acho que serve pra secar a roupa do varal. Senão como iríamos vestir roupa sequinha?

(Yasmin, 3 anos)

0

Cuidando

O avô fumando cigarro na sala e o neto falou:
– Vô, pare de fumar ou vá fumar lá fora.
Rindo o avô respondeu:
– Léo, vai cuidar da sua vida.
– Ué, mas é isso que eu estou fazendo.

(Leonardo, 6 anos)

0

Vocação

No carro:
– Mãe, quando eu crescer quero ser professora de natação, motorista de táxi e cowboy. Mas sabe mesmo o que eu quero?
– Que legal, filha. O quê?
– Quero ter um caminhão de lixo bem grande para levar você e o papai para passear.

(Beatriz, 5 anos)

0

Acordo sindical

Manu arrancou seu primeiro dente na casa da Dinda, que perguntou:
– Manu, com quanto será que a Fada do Dente vai te presentear?
A mãe dela prontamente respondeu:
– Uma moedinha de um Real, claro!
Manu disse:
– Fiquei sabendo que as Fadas dos Dentes agora só trabalham com notinhas…

(Manuela, 5 anos)

0

Control+Z

– Meninos, semana que vem vocês vão dormir um dia na vovó. O papai e eu precisaremos estar bem cedo no hospital porque o papai vai operar.
– Operar o que, mãe?
– Ele vai fazer uma cirurgia para não ter mais filhos.
– Meu Deus, mãe! Então a gente não vai mais ser filho dele?

(Davi, 7 anos com Pedro, 9 e Lucas, 4)

0

Exames

Fui fazer um exame em uma clínica de medicina diagnóstica e levei a Raínne comigo.
Nós aguardamos o atendimento ao lado da atendente que marcava os exames dos pacientes pelo telefone. Ela ficou observando a moça trabalhar e quando chegamos em casa, ela colocou uma mesinha na sala, pegou um telefone velho e começou a brincar de atendente.
Quando passei perto dela, disfarcei pra vê-la brincado e ouvi:
– Tudo bem senhor Roberto, sua ultra-sonografia transvaginal foi marcada com sucesso. Tenha uma boa tarde!

(Raínne, 7 anos)

0

Poliglota

– Filho, que música é essa que você está assobiando?
– Não adivinhou, papai?
– Assobia novamente!
– Em inglês ou português?                                           

(Piero, 7 anos)
0

Fôlego de vida

A amiga da minha filha foi dormir na nossa casa e quando apagamos as luzes ela perguntou:
– Aqui tem monstros?
Minha filha respondeu:
– Não! Só espírito.
Assustada a Olívia perguntou:
– Mas como assim?
– Espírito, ué?! Espírito de Deus.

(Mariane e Olívia, 6 anos)

0

Check in

Estava sentado no sofá, a Anne chegou e disse:
– Quero sentar aqui, tio. Eu estava sentada aqui.
E assim ficou insistindo, até que respondi:
– Não estou vendo nenhum “A” de Anne aqui, marcando seu lugar.
– Mas ali do lado está escrito “tio Daniel”.

(Anne Louisa, 3 anos)

0

Fica a dica

Minha filha estava jogando Mortal Kombat e deu um golpe muito bom. Perguntei na hora:
– Como você fez isso, Malu?
– O segredo é não olhar, mãe! Eu não olho e aperto todos os botões.

(Malu, 6 anos)

0

Etapa

Bia me pergunta se eu sei como é a idade dos gatos, já que a dos cachorros ela sabe que é 7 anos para cada ano do ser-humano. Eu digo que não sei, que apenas sei que os primeiros seis meses são a infância, dos seis meses à um ano é a adolescência e de um ano em diante é a idade adulta. Ela, então, na lata diz:
– Meu Deus, se ele tem 4 meses, então meu filho é um pré-adolescente. A pior fase!

(Bia, 9 anos)

0

Consagrado

Rafaella foi à missa com sua vó. A avó decidiu tomar a hóstia e foi para a fila. Rafaella foi junto pois estava muito curiosa sobre o que estava acontecendo. Após ver a avó receber a hóstia ela perguntou:
– Vó, o que é isso que está comendo?
– É o corpo de Cristo.
A Rafaella fiou brava e disse:
– Vó, você é vegetariana. Não pode!

(Rafaella, 7 anos)

0

Alimento

Minha irmã contou que tinha feito purê de batata para o almoço e meu sobrinho respondeu:
– Mamãe, purê de batata é igual oração, né?
– Igual oração, Arthur? Por quê?
– Olha, mamãe: – Papai do céu, muito obrigado “purêsse” papá, amém.

(Arthur, 3 anos)

0

O país do futuro

Estava assistindo ao desenrolar da crise política na TV e a Nina, sentada ao meu lado, lia alguma coisa. No final da reportagem, ela baixou o livro e me perguntou:
– Pai, me explica o que aconteceu?
Tentei resumir a coisa toda. Falei sobre corrupção, sobre o sistema político no país e como algumas pessoas desviavam dinheiro de empresas públicas e agora estavam sendo descobertas e investigadas. Concluí tentando mostrar que quem sofria com isso tudo era o povo, que o dinheiro roubado, no fim, deixava de ser investido em hospitais, escolas e benefícios para as pessoas que mais precisam:
– No fim, filha, a maioria só está preocupada em tirar vantagem para si. Eles não pensam no povo. Eles roubam muito. E para piorar, ficam ricos, muito ricos, desviando o nosso dinheiro e tirando dos mais pobres.
Ela refletiu um segundo…
– Entendi. Mas então eu acho que vou ser política, pai.
– Por que, Nina?! Você não entendeu o que eles fazem?
– Entendi. Mas alguém tem que chegar lá para arrumar essa bagunça.

(Nina, 10 anos)

0

Pinóquio?!

Virou para a vó recém operada de câncer de pele no nariz:
– Vovó, o que aconteceu com o seu nariz?
– A vovó tirou um pedacinho.
– Vovó, você andou mentindo?

(Lavínia, 4 anos)

0

Extra! Extra!

Cheguei em casa depois do trabalho e meu irmão falou:
– Bú! Bú! A mãe vai ser repórter!
– Como assim? Repórter por quê?
– É porque ela foi fazer entrevista de emprego.

(Matheus, 9 anos)

0

Amparo

A avó chegou em casa cansada, cheia de coisas para fazer e falou consigo mesma:
– Meu Deus, nem sei onde estou.
A Laura de longe, ouvindo tudo, chegou perto e disse olhando nos olhos dela:
– Tá difícil! Você está em casa! Esta aqui é a sua casa!

(Laura, 5 anos)

0

Negação

– Duda, não estamos mais tomando refrigerante aqui em casa. Tem que tomar suco natural.
– Então, titia, compra o refrigerante para a gente e esconde de você.

(Duda, 6 anos)

0

Semana

– Bem que a vida poderia ser ao contrário, né Vic?
– Como assim ao contrário?
– Cinco dias de descanso e dois dias de trabalho.

(Mariana, 7 anos)

0

Objetivos

– Tia, qual o sentido da vida?
– Perdoar, amar e ser amado.
Algum tempo depois:
– E pra você, Julia? Qual o sentido da vida?
– Comer.

(Julia, 5 anos)

0

Genérico

Estávamos rezando o Pai Nosso antes de dormir e deixei o Isaac falar primeiro enquanto eu repetia a reza. No final ele disse:
– Então, não nos deixeis cair… em… algum lugar. Amém “

(Isaac, 5 anos)

0

Curta

Estamos no site comprando ingressos para o cinema. Samara viu que pedi duas inteiras e uma meia entrada, então questiona:
– Mãe, porque meia entrada?
– É para você, Sam.
– Mas eu quero assistir o filme inteiro. Não meio filme.

(Samara, 8 anos)

0

Lançamento

– Mãe, não pode mentir, né?
– Não!
– Só pode mentir no cinema, né?
– Não! Também não pode. Por quê?
– Porque o homem da TV disse: “Somente nos cinemas”.

(Ryan, 7 anos)

0

Teste vocacional

Conversando sobre as possibilidades de cursar uma licenciatura e vendo a página de uma faculdade privada, eu disse:
 – Ah, desses cursos aqui, eu acho que eu faria o de Sociologia e o de Letras.
Meu irmão, indignado, logo interfere:
 – Letras? Que horror! Que tal fazer faculdade de números? Eu acho bem melhor.

(Tiago, 11 anos)

0

Puro malte

Em um restaurante, a garçonete veio recolher os pedidos. 
– Eu quero um whisky! 
– Mas Murillo, você não tem idade pra isso! 
Ele apontou o cardápio e disse: 
– Claro que tenho, mãe! Está escrito aqui: whisky, 8 anos e whisky, 12 anos. Eu quero o de 8! 

(Murillo, 8 anos)
0

Estado civil

– Camila, você não vai mais poder dormir com a vovó. Agora a cama dela é de solteiro.
– Por que, madrinha? Eu também sou solteira.

(Camila, 8 anos)

0

Segredo

Voltando da escola:
– Mãe, eu tenho um segredo muito importante. Não posso te contar que você vai ganhar um sabonete no dia das mães.

(Teodoro, 5 anos)

0

Plantando, dá

Cecília veio da cozinha com a mãozinha fechada.
– Olha, pai.
Abriu a mão e mostrou alguns milhos apertadinhos.
– O que é isso, filha?
– Semente.
– Ah é? Semente de que?
– Semente de pipoca.

(Cecília, 2 anos)

0

Correlação

Na porta da escola foi colocado um desenho de umas abelhas com mel e uma frase de dia das mães: “Mamãe é tão doce como o mel”.
Meu aluno me perguntou:
– Tia, já está chegando o dia das abelhas? Porque já passou o do coelho.

(Carlos Eduardo, 3 anos)

0

Presente

Estávamos assistindo o jornal da noite que falava sobre as eleições presidenciais nos EUA e meu sobrinho, sempre muito atento às reportagens, exclamou:
– Nos Estados Unidos o candidato que vence ganha a Casa Branca. Aqui no Brasil ganha a crise.

(Lucas, 6 anos)

0

Tradutor

Minha sobrinha foi morar recentemente no USA. Eu querendo fazer uma gracinha, falei:
– Hello!
– Relou onde, tia Paula?

(Gabriely Vitória, 7 anos)

0

Tempo passa

Olhando uma foto do nosso casamento, Samuel me perguntou:
– Mãe, você era desse jeito quando se casou?
– Sim. Desse jeitinho, Sam.
– Com pouca carne?

(Samuel, 6 anos)

0

Codinome

– Mãe, como chama mesmo a periquita?
– Que periquita, Beatriz?
Bia aponta para a periquita dela e diz:
– Essa aqui. Não é Regina?

(Beatriz, 5 anos)