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Volume baixo

Minha avó estava no carro estacionado com meu priminho, ouvindo música, quando ela avistou uma conhecida no outro lado da rua. Olhando para a amiga, ela pediu para ele:
– Lucas, abaixa para eu falar “oi” para a minha amiga.
Nada do som abaixar.
– Lucas, abaixa.
Nada…
– Lucas, abaixa para a vovó poder falar “oi”!
Quando ela finalmente olhou de volta para ele para ver porque o som não diminuiu, ela encontrou o menino todo encolhido no chão do carro.
– Já abaixei, vovó! Mas, me fala: por que é que sua amiga não pode me ver aqui?

(Lucas, 7 anos)

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Miragem

Meu sobrinho em uma viagem:
– Mãe, estou com sede.
– Já estamos chegando, filho.
– Olha mãe, um caminhão. Peça uma água.
– Não tem água ali, filho.
– Mas olha, está escrito “sedex”.

(Benjamin, 6 anos)

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Especulação

Em um domingo em que toda a família estava reunida, eu e todos meus primos fomos dar uma volta no bairro durante a tarde. Várias casas estavam à venda, foi quando meu primo Henrique perguntou:
– Nossa, que casa bonita. Quanto será que custa?
Gustavo, o irmão mais velho, respondeu:
– Ah, uma casa dessas deve valer uns dez mil reais.
E ele ainda brincou:
– Eu já tenho dez reais aqui.
 Foi quando o Henrique falou sério:
– Ah, então agora a gente só precisa de mais mil.

(Henrique, 4 anos e Gustavo, 9)

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Sonhador

Colocando meu filho para dormir:
– Boa noite, Pedro.
– Boa noite, pai.
– Tenha bons sonhos. Te amo.
– Também te amo, pai.
– Pedro, você sabe o que é um sonho?
– Aham. É um tipo de pãozinho.

(Pedro, 4 anos)

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Melhor presente

– Mãe, o que você está fazendo?
– Estou pesquisando onde comprar panetone para as sacolinhas das crianças.
– Das crianças sem pai nem mãe?
– Isso, filho. Das crianças do orfanato que não tem pai nem mãe.
Pensativo, ele pega a baqueta da bateria e diz:
– Mãe, com a minha varinha mágica vou fazer um pai e uma mãe para eles. Vão gostar mais do que ganhar panetone.

(Samuel, 3 anos)

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Regra

Explicando o uso do plural:

– Quando você fala sobre uma casa, você não usa o “s” no final. É só “casa”. E quando é mais de uma? Como você fala?
– Duas.


(Maria Eduarda, 6 anos)
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Rota

– Mamãe, vamos passear hoje?
– Hoje não, filha. Não temos dinheiro para passear.
– Mas, mamãe, eu estou te chamando para ir passear e não para ir no mercado.

(Julia, 3 anos)

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Voluntário

– Filha, quem te deu esse presente lindo?
– Foi o Rodrigo, mamãe.
– E você disse obrigada?
– Não, mamãe. Ele não foi obrigado, ele deu porque quis.

(Marcela, 4 anos)

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Acerto de contas

Em uma situação em que fui contrariada por meu marido, eu disse:
– Deixa que eu pego ele na curva.
Algum tempo depois, viajando em uma estrada sinuosa, minha filha perguntou:
– Mãe, é nessa curva que você vai pegar o meu pai?

(Raquel, 6 anos)

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Mágica

Enchi a colher de comida e dei para a Elisa. Ela olhou bem e soltou:

– Abracadabra! Faça com que eu goste de tudo o que tem nessa colher!

(Elisa, 6 anos)
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Com jeitinho

– Laura, desligue essa televisão agora e vá dormir.
– Vovó, a senhora poderia ser mais carinhosa comigo e dizer assim: “Laurinha, minha filha, desligue essa TV.” E eu responderia: “Daqui a pouco, vovozinha” e a senhora falaria: “Tudo bem, minha filha.”

(Laura, 5 anos)

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Privada?

Irmãs conversando com a mãe sobre o que aprenderam na escola:
– Mãe, a professora falou que falar privada é feio. Tem que falar vaso unitário.
A irmã mais nova retrucou:
– Não é vaso unitário é vaso centenário.

(Regina, 4 anos e Lúcia, 5)

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Personalizado

Certo dia, estava no supermercado com minha filha e passando pela sessão de massas, ela olhou um pacote de macarrão parafuso, apontou e disse:
– Pai, o que é isso?
– É macarrão, filha.
Ela achou diferente e perguntou:
– Macarrão, pai?
– É, filha. Macarrão parafuso.
– Não é, pai. É Macarrão “para Alice”

(Alice, 3 anos)

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São Longuinho

– Stella, onde está a chave do carro?
– Não sei.
– Pois pode procurar!
– São Longuinho, São Longuinho…
– Stella, achou?
– Mãe, eu já falei com São Longuinho.
– E daí?
– Daí que ele não achou ainda.

(Stella, 3 anos)
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Panelinha

Gabriel pegou um livro de receitas, olhou a capa e viu várias coisas gostosas. Abriu a primeira página e falou:
– Hummm, mãe, olha, você já comeu Sumário?

(Gabriel, 8 anos)

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Feliz Ano Novo

Final de ano na escola. Os alunos faziam um trabalho relacionado ao Natal. Gabriel levantou e foi tirar uma dúvida com a professora:
– Professora, como é que se escreve áspero?
A professora soletrou a palavra, mesmo sem entender como ela entraria no tema proposto. No final da atividade, o menino entregou o trabalho. Nele estava escrito:

“FELIZ NATAL E UM ÁSPERO ANO NOVO!” 

(Gabriel, 8 anos)
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Blog – Mais engraçado do que a ficção

Fanfic. Até semana passada a gente nem sabia o que isso significava. Mas notamos que começaram a surgir comentários no Facebook dizendo que estávamos fazendo isso e precisamos correr para aprender mais um termo.

Bom, gente, precisamos dizer: não fazemos fanfic no Frases de Crianças. Também não inventamos frases e nem copiamos de nenhum lugar. Primeiro, porque não temos tanta criatividade assim e seria impossível, dadas nossas limitações, inventar coisas tão divertidas. Segundo, porque isso fere gravemente o princípio pelo qual o blog foi criado.

Compartilhar as pérolas ditas pelas nossas crianças é parte de algo elementar em que acreditamos: que a inocência da infância merece ser celebrada e que crianças não são seres menores, limitados ou menos inteligentes que os adultos. Mas, precisamente o contrário, são perspicazes, sensíveis e capazes de nos surpreender diariamente com sua graça. Quem convive com uma criança diariamente, sabe disso.

O Frases de Crianças é um blog colaborativo. Tudo o que postamos aqui é dito por crianças que convivem com a gente (filhas, sobrinhos, filhos de amigos) ou recebemos por email ou mensagem da comunidade de leitores que temos. Nos emails que recebemos (são mais de mil todos os meses), constam o nome completo do adulto que nos enviou e o nome e idade da criança. Não colocamos esses dados nos posts para garantir a privacidade dessas pessoas, mas temos os emails guardados, até como prova e autorização para que possamos compartilhar conteúdo de terceiros por aqui.

Talvez seja inevitável que, em algum momento, alguma frase falsa chegue em nossa caixa de entrada (hoje, somos mais de 130 mil pessoas aqui no Facebook e, no blog, chegamos a 500 mil acessos mensalmente). Mas se isso acontecer, acreditamos que, tal como confiamos na honestidade dos que contribuem com conteúdo para o blog, confiamos também que esse conteúdo será denunciado por essa mesma comunidade para que possamos excluí-lo.

Obrigado por continuarem com a gente.

Beijos,
Manú e Henrique

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Situação

– Mãe, baleia casa ou namora?
– Não sei, filha. Por quê?
– É que passou na tv que uma baleia morreu encalhada em Búzios.

(Ana Beatriz, 8 anos)

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Roteiro

– Angelina, cadê sua avó?
– Foi para a igreja e depois ela vai sair com as amigas para beber cerveja sem álcool.

(Angelina, 5 anos)

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Crediário

Minha prima, encantada com os efeitos do Snapchat, pediu para que eu “criasse um Snap” para ela também. Então respondi:
– Duda, a prima vai fazer a conta no Snapchat para você, ok?!
– Conta, prima?! Conta?! Como vou pagar uma conta?

(Eduarda, 7 anos)

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Aproveitando

– Evelyn, você foi boa o ano todo? Se não o Papai Noel vai te dar um carvão.
– Eu fui. E você?
– Ah, não sei. Mas se o Papai Noel me der um carvão eu faço um churrasco.

(Pedro Henrique, 5 anos)

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Quem tem pressa come cru

Minha filha estava vendo desenho e eu a chamei para tomar banho. Como ela demorava muito, eu disse:
– Vamos, vamos! Já está na hora.
– Calma, mãe, espera.
– Não espero, não.
Ela me olhou sorrindo e disse devagar:
– Ah, mamãe. Coisas boas vem para quem espera. Não sabia?

(Ana Laura, 5 anos)

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Complete a frase

Eu tava “dengando” minha irmã, falando coisas pra ela completar:
– A menina mais linda é a Ana…
– Luísa!
– Que é maravi…
– lhosa!
– E chei…
– rosa!
– E den…
– gosa!
– E gos…
– ta de sorvete!

(Ana Luísa, 4 anos)

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Spoiler

Pedro se alfabetizou muito cedo. Quando ele tinha 4 anos, estávamos em uma igreja cheia, quando ele veio correndo, no meio do culto, com o livro de louvor na mão e gritando:
– Mãããeee do céu, Jesus morreeeeeeu!

(Pedro, 4 anos)

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AA

– Mãe, você gosta de vinho?
– Gosto, mas gosto mais de cerveja.
– Ah legal, mas eu estava perguntando da cor mesmo.

(Sofia, 6 anos)

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Necessário

Enquanto eu lavo louça, Geovanna, toda serelepe, apontou para o chão e me disse:
– Eu que matei essa barata.
– Foi mesmo? E você matou com o quê?
– Com coragem!

(Lara Geovanna, 3 anos)

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Promovida

– Vovó, sabia que eu tinha uma tataravó? O nome dela era Anita, igual ao meu.
– Ela virou uma estrelinha?
– Virou um esqueleto, vó.

(Anita, 4 anos)

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Publicidade

Enquanto desenhavam sobre o natal, perguntei para o Samuel:
– Esse é o Papai Noel?
– Não, profe. Esse é o empresário que coloca as propagandas de brinquedos na TV para as crianças pedirem e os pais comprarem. Daí ele fica mais rico e os pais mais pobres.

(Samuel, 5 anos)

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Ponto de vista

Minha irmã estava bastante gripada. A cada espirro que ela dava, eu dizia: saúde.
Logo ela se irritou e disse:
– Que saúde?! Isso é gripe. Olha só o meu nariz.

(Karoline Vitória, 5 anos)

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Independente

A Maria Fernanda deu um espirro muito forte na sala e a avó gritou da cozinha:
– Deus te ajude.
Ela gritou de volta:
– Eu faço sozinha.

 (Maria Fernanda, 3 anos)

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Nosso primeiro livro

Aqui no blog, compartilhamos há mais de sete anos as pérolas e frases engraçadas ditas por crianças do mundo todo. Mas desde que nos tornamos pais, começamos a misturar entre os contos e crônicas que escrevíamos, as nossas histórias familiares.

O Frases de Crianças cresceu muito, virou essa coisa de gente grande (sobre gente pequena) e se tornou essa comunidade que adoramos atualizar todos os dias. Mas nossas histórias também continuaram e, junto com as nossas filhas, elas cresceram. E agora viraram um livro, que gostaríamos que você conhecesse.

Se quiser ler, clique em um desses links para baixar em seu celular, tablet ou computador:
Amazon (Kindle)
Google Play (Android)
Apple iBooks (iPhone/iPad)
– Tem nas outras também: Kobo, Saraiva, Livraria Cultura etc.

Depois nos escreva contando o que achou. Queremos conhecer a sua história também 🙂

Abraços,
Henrique e Manú

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Nome próprio ou impróprio?

Camila contou que um coleguinha deu um soco nela. O pai, preocupado, tentou orientar:
– Camila, tu não podes deixar ninguém bater em ti. Se acontecer, chame a professora e diga: “Profe, o Fulano me bateu e eu não gostei. Quero que tu converse com ele…”
– Mas, pai, eu não tenho nenhum colega chamado Fulano.

(Camila, 4 anos)