A avó perguntou para a neta:
– Julinha, ainda está fazendo o curso de inglês?
– Uhum.
– Já está conseguindo falar em inglês?
– Sim. Mas eu estou de férias.
(Julia, 11 anos)
A avó perguntou para a neta:
– Julinha, ainda está fazendo o curso de inglês?
– Uhum.
– Já está conseguindo falar em inglês?
– Sim. Mas eu estou de férias.
(Julia, 11 anos)
Alicia passeando no centro da cidade comigo quando uma senhora nos abordou e disse:
– Que Deus abençoe essa princesa mais linda.
Eu agradeci o elogio e perguntei para Alicia:
– Você não se cansa de ser linda?
Super séria, ela respondeu:
– Não, eu acho normal. Se você também fosse se cansaria?
(Alicia, 6 anos)
Percebi que a Ana apertava as perninhas, uma na outra, como as meninas fazem quando querem segurar o xixi. Então perguntei:
– Ana, quer fazer xixi?
– Não, tia.
– Tem certeza que você não vai fazer xixi nas calças?
– Sim, estou de vestido.
(Ana, 4 anos)
Estou assistindo um filme legendado com o meu filho e ele pergunta:
– Mãe, o que significa “I don’t know”?
– Eu não sei.
– Eu também não, mãe.
(Lucas, 7 anos)
– Carol, o que tu vai ser quando crescer?
– Atriz. Igual minha prima Bia.
– Mas, Carol, a Bia não é atriz.
– É, sim. Todo mundo chama ela de Beatriz.
(Carol, 4 anos)
Estava conversando com a minha irmã caçula e contando algo que eu havia feito na infância, até que ela me perguntou:
– Quantos anos você tinha?
– Onze anos.
– Que legal! Eu nunca tive onze anos.
(Monize, 7 anos)
– Mãe, às vezes dá vontade de gritar: “Fora, Dilma!”. Mas eu ainda prefiro a política do que a guerra.
(Nina, 8 anos)
– Ana, o seu chocolate é o meio amargo, né? É desse que você gosta?
– Não. Eu gosto dele inteiro amargo.
(Ana Luíza, 5 anos)
Somos de Minas Gerais e fomos para uma praia em Santa Catarina. Depois de uns dias, perguntamos para a Giovana se ela estava gostando e ela respondeu:
– Estou, sim. Mas quando vamos voltar para o Brasil? Eu acho que a vovó está com saudade de mim.
(Giovana, 5 anos)
No quintal da casa da avó, enquanto espantava as galinhas para longe:
– Eu tenho medo de aves. Mas de passarinho, não. Só de aves.
(Ana Clara, 3 anos)
Certa noite, viajávamos de carro e eu mostrava as constelações no céu para as crianças. Na época, a moeda havia mudado recentemente e a Débora, muito atenta, me perguntou:
– Mamãe, o Cruzeiro do Sul agora é Cruzado do Sul?
(Débora, 6 anos)
Todas as noites, faço uma oração com meu filho. Como ele ainda é pequeno, peço que repita as palavras que eu digo. Então comecei:
– Papai do Céu…
E ele repetiu:
– Papa o chéu.
Eu disse:
– Obrigado…
E ele:
– De nada.
(Calebe, 2 anos)
Alisson é bem encanado com a morte e assistindo ao filme ele perguntou:
– Ele vai morrer?
– Não. Ele é o principal.
Admirado e com um esboço de sorriso, questiona:
– A gente é o principal?
(Alisson, 5 anos)
Maria Letícia estava brincando com suas bonequinhas e disse para uma delas:
– “Não precisa ter ciúmes…”
Fiquei curioso e perguntei:
– Lê, o que é ciúmes?
Ela, com a resposta na ponta da língua, disse:
– Ciúmes é quando a gente tem alguém no coração muito forte.
(Maria Letícia, 3 anos)
Eu e a Maria Vitória estávamos vendo o filme da Bela Adormecida e ela me perguntou:
– Ana, você tem um namorado, igual a Bela?
– Não, Mavi. Ainda não tenho.
– Eu tenho. Quando você tiver um, vamos sair de casal?
– Vai demorar pra eu ter um namorado.
– Aninha, se demorar te empresto o meu.
(Maria Vitória, 5 anos)
– Mainha, o computador de Manú é tão rápido, que parece que saiu da concessionária agora.
(Henrique, 13 anos)
Orando com a mãe antes de dormir, minha neta sempre repete o que a mãe fala, frase por frase.
Num certo dia a oração teve um desfecho que ela não concordou. Depois de repetir: “Senhor, cuida de nossas vidas, nossa família, blá blá blá e me faça digno para morar em sua casa”, Cecília, quase chorando, olhou sério pra mãe e disse:
– Isso não vou falar, não.
A mãe questionou:
– Por que não, filha?
– É porque eu quero continuar morando aqui, com vocês.
(Cecília, 4 anos)
Estava fazendo o jantar, quando chega a Maria Eduarda:
– Mamãe, posso te ajudar a fazer a comida?
– Pode, filha. Pegue uma colher para a mamãe mexer o arroz.
– Uma colher de pau, mamãe?
– De preferência, filha.
Segundos em silêncio e ela pergunta:
– Mamãe, o que é uma colher de preferência?
(Maria Eduarda, 6 anos)
– Mãe, eu tenho um amigo gafanhoto.
– O quê, filho?
– Gafanhoto, mãe. Meu amigo da escola é gafanhoto.
– Filho, desculpe, mas a mamãe não entendeu. Ele é muito magrinho?
– Não, mãe. Gafanhoto porque ele escreve com a mão errada.
(Luca, 6 anos)
As irmãs, Laura e Marianna, correram para entrar no carro e como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, quase se machucaram. A mãe deu uma bronca, colocou as duas afastadas no banco de trás e mandou que elas pensassem no que fizeram.
Marianna com cara de preocupada diz:
– Mãe, como é que faz pra pensar?
(Laura, 6 anos e Marianna, 3)
Antes de dormir o Noah perguntou:
– Talita, Deus também dorme?
Quando eu iria responder a Mehlanie disse:
– Claro que não! Deus nem pisca pra poder olhar pra gente.
(Noah, 8 anos e Mehlanie, 6)
– Mamãe, se o papai plantou uma sementinha em você, por que eu não sou uma fruta?
(Alice 4 anos)
A escola convidou minha filha para ser a atriz principal da peça de fim de ano “A joaninha sem pinta”. Então perguntei:
– Rayssa, você topa ser a joaninha na peça?
– Tá. Mas como é?
– Ah, a joaninha é tristinha porque as outras joaninhas tem pinta, mas ela não. Aí…
– Nããão! Não posso ser a Joaninha!
– Por quê?
– Uai, porque eu sou muito feliz!
(Rayssa, 3 anos)
Amanda leu toda a coleção Diário de um Banana e só depois assistiu ao filme. Ficou espantada e comentou:
– Mãe, os atores são iguaizinhos aos dos livros, só a voz deles é diferente.
(Amanda, 8 anos)
– Pai, você sabia que no bolo de laranja coloca-se suco de laranja em vez de leite?
– Não, filho. Eu não entendo nada de culinária.
– Mas, você não trabalha na “Receita” Federal?!
(Luiz, 9 anos)
Estava na farmácia, entra uma senhora com um menino e ela cumprimenta o farmacêutico:
– Boa noite, Luiz. Tudo bem?
– Boa noite, senhora.
Então ela pede para que o neto também o cumprimente e o Felipe fala:
– E aí, Vacilão!
A avó fica vermelha, roxa, azul e sem saber onde enfiar a cara, diz:
– Felipe, pelo amor de Deus, peça desculpas.
– Ai, vovó. O nome dele é Vacilão. Meu pai sempre chama ele assim.
(Felipe, 4 anos)
Dei para minha filha um calendário que ganhei no mês de janeiro.
Ela ficou um bom tempo olhando e resmungando. Então, perguntei:
– Está vendo quando cai seu aniversário, Helen?
– Mãe, estou vendo aqui o mês de dezembro. O Natal cai no dia 25, de novo. E o Réveillon, no dia 31. Igual este ano. É muita coincidência.
(Helen, 9 anos)
Encontrei duas crianças brincando na piscina. O David de 4 anos, loiro de olhos verdes e a Ana de 7 anos, cabelos e olhos castanhos.
Como eram bem diferentes, perguntei para o David:
– É verdade que vocês são irmãos?
– Sim.
– Mas são tão diferentes.
– É que não somos gêmeos.
(David, 4 anos)
Estávamos na fazenda dos nossos amigos e comecei a brincar com a Letícia. Entre uma brincadeira e outra, eu a provocava e testava sua paciência.
Depois de um tempo, a Lelê já cansada, aproveitou um trovão bem forte, apontou para o céu e disse:
– Vai chover. Acho melhor você ir embora.
(Letícia, 3 anos)
Meu filho foi tirar foto no estúdio com a mãe, a irmã e a avó.
Quando acabou, a moça do estúdio perguntou se alguém queria que consertasse alguma coisa no Photoshop. A mãe pediu pra tirar uma espinha e a avó pediu pra tirar uma pinta do nariz. Então perguntou para o Gabriel e ele respondeu:
– Pode tirar a vovó Meire.
(Gabriel, 3 anos)
Antes de dormir, já no final da oração, pergunto para meu filho:
– O que você quer falar para o Papai do Céu?
– Mamãe, você fala com o Papai do Céu e eu falo com o Papai Noel.
(Gael, 4 anos)
Fui a um chá de bebê com minha filha. Ela parou em frente a gestante e perguntou:
– Keila, como você colocou o neném aí dentro? Você “goliu” ele?
(Pyetra, 3 anos)
– Filho, se eu tenho uma banana e ganho mais uma, eu fico com quantas?
– Com muitas. Porque você disse que se eu tenho dois brinquedos eu tenho muitos.
(Victor, 4 anos)
Eduardo foi a uma festinha de aniversário no paintball. Na volta perguntei:
– Como foi a festa, Edu?
– Teve lanche, coxinha, bolo, brigadeiro.
– Ok. E o paintball, em si?
– Não foi em si, mãe. Foi em grupo.
(Eduardo, 09 anos)
Estávamos a caminho do casamento do meu filho, numa noite chuvosa, quando de repente o carro deslizou. Graças a Deus não batemos em ninguém.
Depois do susto, falei para minha sobrinha:
– Acho melhor orarmos, Lú.
– Sim, mas de olhos bem abertos, tia.
(Luiza, 9 anos)
– Pare de fazer bagunça senão você não vai para o céu.
– Eu não quero ir para o céu. Quero ir para a praia.
(Pedro, 3 anos)
– Tio, coloca aquela música do “acaju”?
– Que música é essa?
– Aquela: “O acaju vai me proteger, enquanto eu andar distraído… “
(Gabriel, 6 anos)
A Sophia viu uma propaganda de cueca com um modelo todo musculoso. Olhou pra minha cara e mandou:
– Papai, compra essa cueca… aí você vai ficar forte.
(Sophia, 4 anos)
– Mamãe, estou com fome e quero tudo. Menos carapaça.
– “Carapaça”, Juju?
– É. Esse verdinho que tem sobre o salmão.
– Ah, as alcaparras?
(Juliana, 9 anos)
– Vovó, como se faz desenho animado?
– Gui, um pessoal faz o desenho e outro faz o som.
– Ah, já sei vovó. O pessoal do som é o volume né?
(Guilherme, 3 anos)
(Duda, 9 anos e Nina, 8)
– Natália, eu estou cansada, filha. Será que você pode colaborar com a mamãe?
– Não, não posso, não.
– Por quê?
– Porque eu não sei o que é colaborar.
(Natália, 4 anos)
Estava brincando com minha sobrinha na areia da praia, quando ela pegou um balde e começou a amontoar areia. Então, perguntei:
– Você vai fazer um castelo?
Indignada com a pergunta ela respondeu:
– Eu não. Princesa não mora na praia.
(Mayumi, 5 anos)
– Papai, o que tem dentro da minha cabeça?
– Cérebro, ué…
– Não, papai. Tem fotos, vídeos, músicas…
(Laura, 3 anos)
Na saída da escola, eu com meu modelito macaquinho de malha (quem é mãe de dois sabe entender a importância de vestir uma peça só) e meu chinelo Ipanema de R$ 12,00. Rafa pendurado no meu pescoço (geralmente transformando meu penteado “coque elegante desalinhado” num rabo de cavalo absurdamente desgrenhado), vem a Júlia:
– Mãe, como tem umas mães elegantes aqui, né?
– Hum….
– Elas vem de salto, maquiagem e até saia.
– Pois é, Júlia. Diferente da mamãe, né?
– Ah, mãe…. mas você, quando se arruma fica elegante. Não igual como você está hoje… mas de vez em quando você também fica elegante.
(Julia, 6 anos)
Passamos uma semana fora de casa e longe das crianças. A Nina ficou com dores de barriga durante todo o período. Quando chegamos, as dores repentinamente passaram. Mais tarde, conversando com a avó, ela comentou:
– Ah, vovó, acho que era falta de felicidade.
(Nina, 8 anos)
– Mamãe, por que você não está me obedecendo?
– Porque quem tem que obedecer é o…
– Papai!
(Arthur, 4 anos)
A tia estava lendo uma piada em voz alta:
– Sem saber se vai ter emprego em 2016, Dilma é flagrada fazendo ENEM.
E a Nina, assustada, parou o que estava fazendo e perguntou:
– A Dilma vai ter um neném?!
(Nina, 8 anos)
– Dudu, você é o galã da mamãe.
– Ahhh mamãe, você também é minha galinha.
(Dudu, 6 anos)
Estávamos na sala conversando com um amigo, quando a Nina chegou arrastando um pufe, apagou boa parte das luzes, subiu no palco improvisado e cantou uma música. Terminada a apresentação, já recebia os aplausos, quando nos interrompeu dizendo:
– Pronto, agora podem fazer as perguntas.
– Que perguntas, filha?
– Dos jurados.
– Ahhh – tínhamos assistido um reality show musical na TV há poucos minutos – muito bem, então se prepare.
– Qual é o seu nome?
– Nina.
– Nina, quando você começou sua carreia artística?
– Hoje.
– Ok. E qual foi o maior público para quem você já se apresentou?
– Vocês.
– Qual é a sua fonte de inspiração?
– O quê?
– O que te inspira a cantar?
– Ah, não sei…
– Fale assim: você! – o pai insistiu, querendo ser bajulado.
– Ah, tá. Eu mesma.
– E, Nina, para concluir: onde você se vê daqui 5 anos?
– Hum, no espelho.
(Nina, 6 anos)