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American Idol

Estávamos na sala conversando com um amigo, quando a Nina chegou arrastando um pufe, apagou boa parte das luzes, subiu no palco improvisado e cantou uma música. Terminada a apresentação, já recebia os aplausos, quando nos interrompeu dizendo:
– Pronto, agora podem fazer as perguntas.
– Que perguntas, filha?
– Dos jurados.
– Ahhh – tínhamos assistido um reality show musical na TV há poucos minutos – muito bem, então se prepare.
– Qual é o seu nome?
– Nina.
– Nina, quando você começou sua carreia artística?
– Hoje.
– Ok. E qual foi o maior público para quem você já se apresentou?
– Vocês.
– Qual é a sua fonte de inspiração?
– O quê?
– O que te inspira a cantar?
– Ah, não sei…
– Fale assim: você! – o pai insistiu, querendo ser bajulado.
– Ah, tá. Eu mesma.
– E, Nina, para concluir: onde você se vê daqui 5 anos?
– Hum, no espelho.

 (Nina, 6 anos)

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Independência

Arthur conversando com um amigo do pai dele:
– Você tem filhos?
– Não.
– Então você mora com seu pai?
– Não. Eu moro sozinho.
– E você toma banho?

(Arthur, 6 anos)

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Botando fé

Depois de me ver conversando com um senhor no mercado, a minha neta perguntou:

– Quem era, vovó?
– Um amigo santista, querida.
– Santista? Então ele não acredita em Deus?
(Nina, 8 anos)
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Surpresa

Estávamos nos arrumando para ir na festa surpresa da nossa vizinha, quando ela apareceu em casa e perguntou:

– Clarice, onde você vai tão linda?
– Na sua festa surpresa.
(Clarice, 3 anos)
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Ops

– Pedro, a mamãe e o papai são iguais ao casal do filme Up Altas Aventuras?
– Não, ela é magra.
(Pedro, 06 anos)
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O bem sempre vence

Antonia Flor estava pintando um livro das princesas quando chegou na parte da madrasta da Branca de Neve:

– Tia, ela é uma bruxa, né?
– Sim, Tonton.
– Então ela tem que ser feia, né?
– Ah, sei lá, Flor. Tem bruxa que é bonita.
– Mas tia, ela é malvada. Vou pintar ela bem feia.
– Tá bem, Tonton.
Passou alguns minutos e ela falou:
– Ai, não consigo pintar ela feia. Pintei ela colorida.
(Antonia Flor, 4 anos)
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Imagem

– Quem vem me buscar hoje, tia?
– Seu pai.
– Meu pai? Puxa, vou ter que dormir aqui, então… Meu pai é meio irresponsável, sabe?!
(Vitória, 5 anos)
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Quase

Marcos estava assistindo a um filme na TV quando começou a passar a abertura da filme Wall-E. Então, ele perguntou:
– Mãe, o que é pichar?
Eu estanhei, mas respondi:
– É quando alguém faz rabisco ou pinta coisas nas ruas ou nos muros das casas dos outros sem pedir autorização. Mas, onde você ouviu isso?
– Aí no filme…
Olhei para a tela e então percebi que ele tinha lido “Pixar”, o nome da produtora do filme.

(Marcos, 5 anos)

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Igual mas diferente

Rennan viu a foto de uma mulher com seios à mostra em uma revista. Olhou para a mãe e disse: 
– Iguais aos seus, mamãe. Só que os seus são mais “abaixados”.
(Rennan, 5 anos)
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Vela

Lucas entrou no quarto e viu que tinha uma vela:
– Mãe, uma vela. Mãe, uma vela.

– É, filho.

– Essa que é a Vela Adormecida?

(Lucas, 3 anos)
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Paciência

Chamei minha filha várias vezes e nada dela aparecer. Daí eu chamei mais brava: 
– Cecília, vem aqui, agora!
E ela:
– Mamãe, você tem que aprender a esperar.

(Cecília, 4 anos)

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Joel Santana

Manú passou as festas de final de ano em companhia de sua prima, Julia, que vive nos Estados Unidos. Embora fale muito bem o português, Julia normalmente apresenta as famosas trocas de concordâncias e mudanças no tempo verbal, do tipo: “eu quer, eu faz, Manuela pai, Manuela mãe”.
Percebi que Manuela passou a falar do mesmo modo que a Julia. Quando eu chamei sua atenção, me respondeu:
– Mas, mãe, é que eu quero falar em inglês.

 (Manuela, 3 anos)

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Hora exata

Alana vai de van para escola e já estava quase no horário: – Mamãe, vamos. Já é meio dia meio dia! 
– Como? Ela respondeu:
– Ué, está 12:12. Então é meio dia meio dia.

(Alana, 6 anos)

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Doutoras

Faço faculdade de medicina e, certa vez, recebemos visitas em casa que perguntaram à minha irmã se ela também gostaria de ser médica. Ela respondeu, toda orgulhosa: 
– Eu vou ser médica de bichos e minha irmã veterinária de gente.
(Deiglis, 4 anos)
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Água

Passeando por Ilha Grande, aquela praia linda com um braço de rio, eis que o Natan diz: 
– Mãe, primeiro vou mergulhar na água salgada e depois na água doce. Assim eu fico agridoce.

(Natan, 8 anos)
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O crime não compensa

Viajei na sexta e só voltei na segunda-feira. Quando revi minha irmã, ela correu para um abraço.

– André, que saudade.
– Sarinha, que abraço gostoso. Me conta, que foi que tu fez?
– Nada de errado.

(Sarah, 5 anos)
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Moda

A Maria Giovanna vestiu uma meia que já estava velhinha, com o elástico esticado na borda. Eu falei:
– Troca essa meia. Já está feia.
– Não está, não. É meia boca de sino.
(Maria Giovanna, 7 anos)
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Autenticidade

– Pois é, mãe, por isso que adulto não é feliz. Adulto finge demais as coisas. Se eu gosto, eu gosto. Se eu não gosto eu vou ter que fingir que gosto?!
(Gabriela, 7 anos)

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O tempo não passa

Estava saindo do salão de beleza e uma menininha de uns 4 anos, entrando com a mãe. Aí ela começou a gritar:
– Não, mãe! Pelo amor de Deus, de novo não. Você disse que a gente ia passear e não que ia me trazer no “beleireiro”.
– Vai ser rapidinho, filha.
– Mãe, você disse isso da outra vez e demorou muito mais que rapidinho.
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Normal

– Mamãe, o papai tem alguma doença? – Não, filho. Por quê? – Porque ele estava falando com os cachorros lá no quintal. – Ah, e daí filho? Nós também falamos com eles… – Mas, mãe, ele estava esperando a resposta. (Daniel, 7 anos)

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Quer?

– Mãe, tem naftalina na geladeira. Você quer?
– Naftalina? Eu, não. Quer me matar?
– Mãe, é isso aqui, ó.
– Nectarina, Júllia. Não é naftalina.

(Júllia, 09 anos)

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Mulher macho

Meu filho chegou bem pertinho do meu rosto e notou os pelinhos no canto da minha boca.
– Mãe, o que é isso?
– É bigode, filho.
– Mãe, então você é o tio.

(Victor, 2 anos)

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Festa Junina

A escola mandou um bilhetinho para ver quais alunos querem participar da quadrilha esse ano. 
Eu perguntei para o meu filho se ele iria dançar quadrilha e ele me respondeu:
– Quem é a Drilha?

(Guilherme, 7 anos)

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Passeando e cantando…

Contando uma história para a Sofia no trajeto da escola:

– Era uma vez uma menininha que não se comportava na escola. Daí o papai ficou muito triste com ela…

E a Sofia interrompe:
– Sabe, papai, eu sei por que a menininha não se comportava. É porque o papai dela não levava ela pra passear. Se ele levasse ela iria se comportar.
(Sofia, 4 anos)
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Nobre

Fomos almoçar e quando fui sentar o Matheus ficou atrás da minha cadeira. Eu disse:
 – Vai sentar, filho.
 – Não, mãe. Esqueceu que eu sou o homem e tenho que empurrar a cadeira para você?

(Matheus, 5 anos)

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Sinceridade

Levei a Mariana na padaria e gentilmente a funcionária ofereceu um salgadinho para provarmos. 
Depois que Mariana havia comido, fui lembrá-la que deveria agradecer a moça pela gentileza:
– Filha, com fala para tia?
– Me dá outro?
(Mariana, 3 anos)
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Prazo exato

No banco de trás do carro:
– Olha, Nina, acho que hoje inauguram o parquinho no condomínio.
– Sério, Jujú?! Então a tarde a gente pode descer para brincar.
O pai comentou:
– Meninas, acho que ainda não. Acredito que essa semana avisam sobre a data de inauguração.
E a Duda, até então em silêncio, interveio:
– Meninas, assim: o parquinho vai inaugurar, no mínimo, esse sábado e, no máximo, em dezembro.

(Nina e Jujú, 8 anos e Duda, 9 anos)

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Erguei as mãos

Aguardando para atravessar a rua enquanto passava a ‘marcha para Jesus’ com milhares de pessoas, ouço a pergunta: 

– O que é isso, mãe? Porque essa multidão de gente na rua? 
– É a marcha para Jesus. Acontece todo ano.
– Vixi! Vamos sair logo daqui, mãe.
– Calma, porque tanta pressa? 
– Imagine, mãe, até eles chegarem lá no céu…
(William, 6 anos)

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Cavalheiro

Eu estava numa festa de aniversário infantil e me encantei com um menininho lindo. Eu queria tirar foto com ele a todo momento, porém ele evitava. Então perguntei:
 – Por que você não quer tirar foto comigo? Eu sou feia?
Imediatamente ele respondeu: 
– Nããão. Eu que sou.

(Marcos Paulo, 3 anos)

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Plural

Eu havia ensinado minha neta a falar as palavras no plural, alertando que devíamos colocar sempre o “s” no final de cada palavra.
Exemplo: A casa… as casas. A boneca… as bonecas.
Alguns dias depois, ela observava pela janela alguns passarinhos no jardim e falou:
– Olha, vó. Os passarinho.
Em seguida completou:
– Sssss.

(Julinha, 3 anos)

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Cachola

No consultório, enquanto converso com o pediatra, a Flora sentou no chão e começou a cantar e falar sozinha.
Eu, meio sem jeito, viro para o médico e digo:
– Gostaria de saber o que se passa nessa cabecinha.
Ela, mais do que depressa, responde:
– Shampoo!
(Flora, 4 anos)
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Magamalabares

– Mãe, coloca Marisa Monte?
– Qual música? 
– Aquela que a gente ouve no carro.
– Ok. Mas, qual?
– Para bandeira.
– Qual música é essa?
– Aquela que começa assim: “Para bandeira nã nã, para bandeira nã nã…”

(Arthur, 4 anos)

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Ensinando

Depois de trabalhar uma semana inteira sobre a temática, perguntei aos alunos:
– Os médicos dizem que a água está em segundo lugar entre os principais alimentos para nossa vida. Vocês sabem qual é o primeiro? Começa com a letra O.
Toda a turminha gritando freneticamente:
– Ooovoo.
Toda sem graça, respondo:
– Não gente, é o oxigênio.

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Pureza

Uma noite dessas, eu estava no carro, voltando para casa, quando minha filha decide abrir o vidro.

 – Laninha, não abra o vidro que pode vir algum trombadinha.

 – Mamãe, trombadinha é elefante, né?

(Alana, 4 anos)

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Profissão

 – Mãe, hoje você vai ao médico?
 – Vou ao cardiologista. É um médico que cuida do coração, filho.
 – Hum… Mãe, eu não quero que você morra.
 – Por quê?
 – Quem é que vai desenhar os carros para eu pintar?
 – Só por isso você precisa de mim, Pedro?
 – Claro que não, mãe. São várias coisas também, mas fazer os desenhos é o principal motivo.

(Pedro, 5 anos)

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O caderno

Enquanto eu preparava o jantar, escutei a Nina cantando Toquinho:
“Sou eu que vou seguir você. Por todos os caminhos. Até o Ceará…”

(Nina, 8 anos)

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Comunhão

Na volta da escola dominical a Nina comenta:
– Mamãe, sabe o que eu aprendi? Que Jesus morreu na cruz para nos salvar. E que o sangue Dele é suquinho de uva.

(Nina, 4 anos)

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Sensor de ré

No estacionamento do shopping:

– Henrique, é difícil manobrar esse carro. Você deveria instalar um sensor de ré.
Ao que a Nina interveio:

– Mas já tem, mamãe.
– Não, filha. Só tem no carro da mamãe. Nesse aqui não tem.
– Tem, sim. Você, que fica falando: “já deu, deu, deeeu, deeeeeeeeu”.
(Nina, 7 anos)