Caio olha para seu bisavô sentado na poltrona e pergunta:
– Por que seu braço tá murcho?
O bisavô começa a chorar e diz:
– Tô velho. Tem que jogar fora, no lixo…
– Nããão. Eu gosto de braço murcho.
(Caio, 4 anos e seu bisavô 89)
Caio olha para seu bisavô sentado na poltrona e pergunta:
– Por que seu braço tá murcho?
O bisavô começa a chorar e diz:
– Tô velho. Tem que jogar fora, no lixo…
– Nããão. Eu gosto de braço murcho.
(Caio, 4 anos e seu bisavô 89)
– E “moon” em português, o que quer dizer?
– Vaca, né, professora?! Va-ca.
(Guilherme, 4 anos)
– Benjamin, quantos anos você tem?
– “Teis”.
– E depois do três vem o quê?
– Jááá!
(Benjamin, 3 anos)
Papo da noite na hora de escovar os dentes:
– Pai, hoje a gente leu a história do homem cabeludo na igreja.
– Ah é, filha?
– É, do Fofão.
O pai, sem prestar muita atenção, foi dando corda e concordando com a filha:
– É, filha, o Fofão era cabeludo mesmo e…
Até que a mãe gritou lá do quarto:
– É Sansão!
(Clarice, 4 anos)
Na volta do shopping, tivemos que pegar outra rota já que a via principal estava interditada por causa da neve. Liguei meu GPS e de repente meu filho começou a falar lá do banco de trás:
– Meu Deus do céu, estamos perdidos. Não vamos chegar em casa a tempo.
– A tempo de quê, meu filho?
– Eu não sei, mãe. Só a tempo.
(Eduardo, 7 anos)
– Vitória, o que é esse buraquinho na barriga?
– Umbigo.
– E se fossem dois buraquinhos na barriga?
– Seria “doisbigo”.
(Vitória, 5 anos)
Meu sobrinho estava com minha mãe no campo, quando ela se machucou. Vendo que começou a sangrar, ele falou:
– Calma, vovó. Depois de casar sara.
Já em casa, minha mãe perguntou:
– Mas como poderia sarar depois de casada se eu já me casei?
E ele respondeu:
– Eu sei, vovó. Era só para te acalmar.
(Murilo Gabriel, 5 anos)
– É um leão – disse o Daniel fazendo careta de leão.
– Na verdade é uma onça, filho – disse a mamãe.
– Não é! É um “onço”, não está vendo que é um menino? Está até todo pintado – retrucou a Luisa.
Daniel (2 anos) e Luisa (5 anos)
Nina no laboratório, depois de fazer um raio-x:
– Papai, eu olhei na foto que o médico tirou de mim mas não vi Jesus lá dentro.
(Nina, 4 anos)
– Mamãe, estou com uma dor nas dobradiças das minhas pernas.
(William, 3 anos)
Estava muito frio. O Rafa tinha que tomar banho e foi direto para o banheiro, sem levar nada. Eu o chamei e disse que tinha uma sugestão:
– Pegue a roupa que vai usar depois para já vesti-la no banheiro e não ter que sair pelado pela casa até o quarto, passando frio.
Ele então me disse:
– Ótima sugestão, Zeize. Obrigado. Merece um abraço, um abraço de uma hora.
Ele veio e me abraçou. Então eu disse que era melhor ele ir logo tomar banho, mas que depois eu iria cobrar meu abraço de uma hora. E ele:
– Ah, mas sabe como é, o imposto tira a metade.
(Rafael, 9 anos)
– Vovó, você tem namorado?
– Não, não tenho, Vitoria.
– Não se preocupe. Eu vou arranjar um para você, bem velhinho, igual a senhora.
(Vitoria, 5 anos)
– Dinda, a dentista arrancou meu dente.
– Por quê?
– Porque doía muito.
– Hum, e agora não dói mais?
– Não sei.
– Como não sabe?
– Eu não estou mais com ele.
(Isabele, 5 anos)
– Tatá, achei um bicho na cozinha.
– Bruninho, você achou um grilo.
– Um grilo?
– Igual ao grilo do Pinóquio, um grilo falante.
– Não, Tatá. É um grilo pulante.
(Bruno, 4 anos)
João Pedro fez um pequeno machucado no dedo e acabou saindo a pele.
Então, de manhã, meus dois filhos estavam na minha cama e o Julio, de apenas 4 meses, pegou na mão do João. Na hora o João tirou a mão e disse:
– O maninho, não mexa no meu dodói. Está faltando peça.
(João Pedro, 2 anos)
– Ah, filha. Você é um amor. Nem sei como te agradecer.
– Ah, mamãe, é fácil. Eu te ensino. Você diz “obrigado” e eu respondo “de nada”. Assim.
(Nina, 2 anos)
Meu filho Isaque recebeu um amigo em casa e na hora do lanche falei:
– Hoje cada um faz seu lanche e lava sua louça. Ok?
O Edú topou mas o Isaque falou:
– Ah, não. Eu não quero lavar a louça.
– Vai lavar, sim. Cada um lava a sua, filho.
– Ah, pai. Eu não gosto de lavar a louça.
A Thais também entrou na conversa:
– Gostar, também não gosto, mas precisa lavar. É a vida.
– Mas a vida precisa ser mais do que isso.
(Isaque, 10 anos)
Manú e Henrique
Quando eu tinha 40 anos, nasceu minha filha Clara e com o passar dos anos eu disse para ela:
– Ihhhh! Quando você fizer 10 anos a mamãe vai fazer 50!
Na mesma hora ela saiu com essa:
– Então você vai ser minha avó?
(Clara, 4 anos)
– Rodrigo, já está tarde. Vá dormir.
– Ah, mãe, não. Se eu for dormir agora e você não for, eu vou chegar lá no amanhã primeiro e vou ficar sozinho.
(Rodrigo, 3 anos)
– Mãe, hoje eu tive aula de karatê na escola. É assim, ó…
Depois de fazer alguns movimentos com seu jeitinho de criança, falei:
– Filha, acho que isso é aula de judô.
– Não, mamãe, ele não ajudou. Ele ensinou.
(Estela, 4 anos)
– Lara, desça da cadeira. Você vai cair.
Ela nem me respondeu.
– Lara, eu vou tomar essa cadeira de você.
– Não.
– Então você vai tomar cuidado?
– Vou. Vou tomar tudo.
(Lara, 4 anos)
O Caique estava aprendendo a olhar aqueles encartes de propaganda. Então, apontou para um brinquedo do encarte e pediu:
– Tia, dá esse brinquedo pra mim?
– A tia não tem dinheiro pra comprar presente pra você, querido.
Ele logo disse:
– Não precisa vir de presente, não. Pode vir na sacolinha mesmo.
(Caique, 3 anos)
Conversando com a minha prima, comentei:
– Isa, que legal! Você fez tatuagem de henna?
Ela prontamente respondeu:
– Não, de borboleta.
(Isabella, 6 anos)
Em nossa oficina Da Horta para a Mesa, estávamos conversando sobre a horta, colhendo cenouras e beterrabas, quando perguntei ao aniversariante:
– Você gosta de cenoura?
E ele respondeu com toda a sinceridade de uma criança aos 3 anos:
– Eu prefiro chocolate!
– Carlos, tu não gosta de leite de vaca?
– Nããão. Eu só tomo leite de caixinha.
(Carlos, 7 anos)
– Heloísa, já falei dez vezes para colocar o tênis. Por que ainda está sem tênis?
– Ué?! Porque você ainda não pegou o tênis pra mim.
– Ah, tá! Então você só põe o tênis se eu pegar? E se eu morrer você vai fazer o quê?
– Vish, mãe! Acho que vou usar só chinelo.
(Heloísa, 5 anos)
Pedro estava mascando chiclete e depois de um tempo o pai perguntou:
– Pedro, cadê seu chiclete?
– Caiu.
Já procurando pelo chão e entre as cobertas, o pai perguntou:
– Onde caiu? Você engoliu, Pedro?
– Eu não engoli. Ele caiu bem aqui, na minha garganta.
(Pedro, 3 anos)
Eu estava dirigindo com a Nicolle na cadeirinha atrás, quando ela disse:
– Nossa, mãe, você dirigi muito mal.
Brava, perguntei:
– O que você disse, Nicolle?
– Não, mãe. Eu quis dizer que a mulher que trabalha na minha creche dirigi mal.
(Nicolle, 3 anos)
Deixei meu namorado na casa dele e levei minha filha junto. Voltando para casa o papo foi assim:
– Mamãe, por que o tio Daniel foi embora?
– Porque ele tem que ensaiar com a banda dele, filha.
– Ah, entendi. Ele toca o quê, mamãe?
– Ele toca baixo.
– Mas, mamãe, isso tá errado. Se ele tem uma banda ele tem que tocar alto. Se ele tocar baixo ninguém escuta!
(Bárbara, 5 anos)
A Pietra estava espirrando. Então, como eu vivo chamando a atenção dela para não ficar sem blusa, eu disse:
– Vaaaiii!
– Por que você não fala “saúde”, que é muito mais sensato de se falar para os outros?
(Pietra, 5 anos)
– Vicenzo, o que é isso na parede? A mamãe não te explicou que não pode escrever nas paredes?
– Mas, mãe, tá escrito: “Mãe, eu te amo”.
(Vincenzo, 4 anos)
– Thamara, meu pai foi no médico do coração.
– Foi, Samara? O que ele tem?
– Partiram o coração dele.
(Samara, 3 anos)
– Mãe, alguém já viveu mais de 100 anos?
– Sim, várias pessoas.
– E mais de mil anos?
– Não.
– Nem Deus?
– Bom, nem todos acreditam em Deus, eu mesma não acredito e…
– Deus existe, sim!
– E como você sabe?
– Ele é como açúcar no suco: você não vê, mas sente.
(Larissa, 5 anos)
Estudando geografia com as filhas, perguntei:
– Meninas, quais os movimentos da terra?
– Rotação e inflação.
(Helena, 6 anos)
Enquanto eu amamentava minha filha recém nascida, escorreu um pouco de leite branquinho e o meu mais velho perguntou:
– Não tem Nescau materno, mamãe?
(Gabriel, 4 anos)
– Mãe, me dá um irmãozinho, desses que vem prontos? Esses da barriga demoram muito para chegar.
(Pietro, 3 anos)
Minha sobrinha estava no banheiro fazendo cocô e quando terminou, gritou:
– Acaaaabeeeeeei! E acabou o papel “nojênico”!
(Lígia, 4 anos)
Eu estava vendo um clipe da Lady Gaga com meus irmãos e a Bia falou:
– Ná, tá vendo que ela fica repetindo as coisas na música dela? Esse “ma ma, rô ma ma”?
– Hum… e aí?
– Ela faz isso porque é gaga. Por isso que se chama Lady Gaga, né?
(Beatriz, 7 anos)
A Carol estava tomando banho com sua irmã mais velha, que possuía seios bem grandes. Então, a irmã perguntou:
– Carol, quando crescer você vai querer ter bastante seio?
Depois de um olhar sobre si mesma, ela respondeu:
– Não, só dois.
(Carol, 3 anos)
– Pai, quebrou o meu carrinho. Você conserta?
– Claro, filho. Eu conserto.
– Nossa, pai, você é muito prestativo.
– Sério, filho?
– É.
– Mas vem cá, porque eu sou prestativo?
– Ah, é porque você empresta as coisas para as pessoas.
(Allan, 3 anos)
– Mamãe, como chama o buraco que fica no meio do meu bumbum?
Virei uma estátua e mandei:
– Ânus.
– Nunca vi um buraco que chama ânus. “Ânus” eu tenho 4.
(Enzo, 4 anos)
– Que flor linda dentro do copo. De quem é?
– Eu trouxe pra Tatá, da escola.
– Ah. E a minha?
– Faz assim, mãe, corte a flor no meio.
(Pedro, 05 anos)
A Luiza atendeu uma ligação:
– Oi, Lú. Seu pai tá aí?
– Não. Ele foi levar a Dori no veterinário.
– Ué, mas o seu pai não é veterinário?
– É, mas ele está no horário de almoço.
(Luiza, 7 anos)
– Bom dia, Pedro!
– Bom dia nada. Eu tô dormindo ainda.
(Pedro, 4 anos)
Olívia estava fazendo a lição de casa enquanto Luisa desenhava ao seu lado. Olívia parou, pensou um pouco e me disse:
– Mamãe, já sou crescida e não me importo mais de perder se estou jogando. Faz parte, né?
– É, sim, filha.
Luisa logo disse:
– Eu também, eu também, mamãe. Já sou grande e não me importo nem um pouco se você perder.
(Olívia, 7 anos e Luisa, 4)
Eu expliquei o motivo da manifestação do povo brasileiro para o Pedro. E ele concluiu:
– Mãe, esses políticos pegam o nosso dinheiro e não usam pra fazer coisas para nós. Eles não deveriam ser presos? Isso não é roubar?
(Pedro, 6 anos)
Durante um café e muita conversa, a tia Lene questionou:
– Quando foi que Jesus nasceu?
– Quando a gente ainda estava morto.
(Brenda, 7 anos)
Meu filho cantando:
– “O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada…”
– Mãe, eu sou o cravo.
E eu, prontamente perguntei:
– E eu sou a rosa, filho?
– Não, mãe. A rosa é a Anna, minha colega da escola. Xiii, mãe… você vai ter que ser a sacada.
(João Pedro, 5 anos)
Depois do banho, eu estava ajudando o Bernardo se trocar e ele me pediu pra que não colocasse a calça do pijama daquela maneira.
Eu questionei:
– Bernardo, você é cheio de manias, né?
– Foi Deus quem me fez assim.
(Bernardo, 5 anos)