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Vida dupla

Após organizar a casa, fui dar banho na Luiza e ela me disse:
– Eu queria ter duas mamães.
– Como assim, minha filha? Quem seria a outra mamãe?
– Seria “gêmeas” de ti.
– E o que a outra mamãe faria?
– Tu me dava banho e ela lavava a louça.

(Luiza Vitória, 4 anos)

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Quer pagar quanto?

– Joana, se você não guardar esses brinquedos eu vou jogar tudo fora.
– Mãe, eu só brinco com eles, você que comprou. Então, se quiser, pode jogar fora. Eu não mando em nada, só mando na minha vida…
Depois de ter disfarçado para rir, eu respondi:
– Nem na sua vida você manda. Sou eu que mando.
– Você comprou a minha vida também?

(Joana, 5 anos)

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Últimos desejos

Estávamos na sala vendo TV, quando minha mãe falou algo sobre alguém morrer e uma das minhas filhas começou a chorar. Então perguntei:
– Por quê você está chorando?
– Eu não quero morrer. Se eu morrer, não como mais comida e eu quero comer muita comida antes de morrer, mamãe. Eu amo comer!

(Ananda, 6 anos)

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Peça pelo número

– Jú, o que é isso aí que você está comendo?
– Espetinho de gato. Você quer?
– Eu quero.
Então levei meu irmão para comprar o espetinho e o rapaz da barraquinha mostrou as opções:
– Tenho de kafta, linguiça, frango, carne…
Jorginho respondeu:
– Nããão! Quero um espetinho de gato mesmo. Igual o da minha irmã.

(Jorge, 5 anos)

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Na medida

Depois de ter deixado meu filho pela primeira vez com a vovó e o vovô por um final de semana, perguntei:
– Vini, quantos chocolates a vovó te deu?
Ele pensou e disse:
– Mais ou menos bastante, mãe.

(Vinícius, 4 anos)

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Se construir, eles virão

Um dia depois do bolinho de 5 anos do João Diogo, ele falou:
– Mamãe, eu já pensei na minha próxima festa de aniversário. Será no Mangueirão (maior estádio de futebol de nossa cidade) e a senhora vai ter que convidar bastante gente pra encher a arquibancada.
– João Diogo, tu tás pensando o quê?
– Grande!

(João Diogo, 5 anos)

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Cuidado

⁃ Sai, pernilongo!
A Nina estava espantando um pernilongo que rodeava a Cecília e deu um tapinha na perna dela para afastá-lo. Depois perguntou:
⁃ Matei o pernilongo?
⁃ Você matou a minha perna, Nina.

(Nina, 11 e Cecília, 3 anos)

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Futuro economista

O Lucas conseguiu tirar seu dente sozinho. Realizado, pediu para colocá-lo embaixo do travesseiro. No momento de reflexão surgiu uma dúvida e ele me perguntou:
– Mãe, a fada do dente existe mesmo?
– Sim. Se você quiser que ela exista.
Ele pensou mais um pouco e perguntou:
– Você é a fada do dente?
– E se eu for? Algum problema para você?
– Sim, mãe. Você deve estar gastando muito.

(Lucas, 8 anos)

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Comparações

A Tata estava fazendo as unhas da Isabelly e usou um palito para limpar debaixo das unhas. Quando estava quase acabando a Tata se distraiu e forçou um pouco mais o palito no dedo da Isabelly e ela reclamou:
– Ai! Cuidado, Tata.
– Desculpa! Machucou?
– Nossa, foi tipo um parto!

(Isabelly, 6 anos)

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Castigo

Revoltada porque um político estava mudando a sinalização e transformando as ruas do bairro em mão única, eu disse:
– Tá louco! Agora todo lugar que você vai virar o carro, a placa diz ok mas a pintura nova na rua diz que não pode. Ele está pintando tudo, um caminho simples vira um labirinto.
E meu sobrinho completa:
– Deviam fazer ele apagar essa pintura com uma borrachinha bem pequena.

(Vitor, 7 anos)

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Deduções

Estava com meu sobrinho em frente ao túmulo do meu pai. Como o cemitério é no interior, a identificação é feita em uma cruz de madeira, no qual vem o nome, data de nascimento e falecimento. Paulo Henrique perguntou:
– Tia, a letra “N” significa o quê?
– É a data de nascimento do seu avô.
– E o “F” é de “Foi”?

(Paulo Henrique, 11 anos)

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IML

Eu conversando com meu filho:
– Thiago, amanhã vamos ao médico fazer exame de sangue, tá?
– Mãe, você só me leva em médico que dá injeção, coisa que dói. Já ouviu falar no Instituto Médico Legal? Lá deve ser bem legal.

(Thiago, 7 anos)

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Incorrigível

Comprei uma camiseta nova para meu filho e quando chegamos em casa ele foi mostrar para o pai.
Assim que o pai olhou, me perguntou:
– Outra roupa nova para ele?
Meu filho imediatamente respondeu:
– É, mamãe, você não tem jeito!

(Rodrigo, 2 anos)

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Parquinhologia

Francisco enterrou uma tartaruguinha de brinquedo no parquinho e a deixou lá. Na semana seguinte, ele se lembrou da tartaruga e foi cavar para procurar. Cavou, cavou, cavou tanto que praticamente tomou para si todo o espaço da areia. Foi então que se aproximou um bebezinho e começou a jogar areia no imenso buraco que ele fazia. Ele olhava para o bebê e não dizia nada. Ele cavava e o bebê jogava a areia de volta. Até que ele suspirou, olhou em volta e perguntou num tom impaciente, mas sem irritação:
– Quem é mãe desse bebê?
Uma moça, meio sem graça, disse que era ela. E ele disse:
– A senhora pode avisar seu bebê que ele está atrapalhando o trabalho da ciência?
A mãe, já rindo, perguntou que trabalho era esse. E ele:
– Uma escavação arqueológica. Estou procurando os restos fossilizados de uma tartaruga pré-histórica! E seu bebê está me atrapalhando!

(Francisco, 7 anos)

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50.000 obrigados!

50 mil seguidores!

Quando demos a luz a esse blog, quase 7 anos atrás, a gente não imaginava que existiam tantas corujas navegando pela internet que passariam a se divertir com a gente por aqui.
Começamos com posts de frases da Nina, que começava a falar suas primeiras frases, e da Luiza, nossa impagável priminha que inaugurou um caderno onde antes as frases eram anotadas (cadernos são a versão pré-histórica dos blogs).
Hoje, 943 posts depois, batemos a boa marca de 50 mil seguidores em nossa página no Facebook. O blog bate recordes de audiência todos os meses (em maio, tivemos 193 mil visualizações). Todos os dias recebemos e-mails com ótimas pérolas para postar e mais e mais gente compartilha outras frases nos comentários e murais do Facebook.
Bom, tudo isso aí para dizer uma coisa só: obrigado! 50 mil vezes obrigado!

Manú e Henrique

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O blog cresce, mas nossas crianças, não

Manter esse blog é, sem dúvida, uma das coisas mais divertidas que a gente faz. Quem acompanha desde o começo, sabe como as coisas começaram. A ideia de compartilhar as pérolas de nossas crianças sempre foi para que pudéssemos rir juntos da espontaneidade dos nossos pequenos, mas também para, de algum jeito, celebrar a inocência e a graça da infância.

Ficamos imensamente felizes em conhecer, dia após dia, mais pessoas que gostam do que o blog promove e passam a acompanhar e contribuir com novas frases. E às vezes, esses novos leitores ajudam a ampliar a nossa voz. Foi o que aconteceu recentemente, com a divulgação que o Frases — aqui em casa a gente só chama ele pelo primeiro nome 😉 — recebeu em alguns veículos de mídia.

Primeiro, o Catraca Livre publicou um artigo citando algumas das pérolas das nossas crianças e ajudando a divulgar o nosso e-mail para contribuição (frasesdecriancas@gmail.com, caso tenha falhado a memória). Algumas semanas depois, a Nathalia Ilovatte do R7 ligou e escreveu uma matéria muito gentil contando um pouco de como o blog surgiu e falando da Nina e da Luiza. E hoje, a Marcela Campos também falou sobre o blog em sua coluna na Gazeta do Povo.

A gente sabe que nesse espaço ninguém quer ouvir assunto dos adultos, mas às vezes vale a pena interromper a risada para comemorarmos um pouco. Juntos, porque o Frases só é feito com as pérolas que vocês nos mandam.

Abraços,
Henrique, Manú e Nina

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Por que sua barriga é grande assim?

Entrei em um ônibus e sentei ao lado de um garotinho de, no máximo, quatro anos. A certa altura, ele perguntou:
– Moça, por que sua barriga é grande assim?
– Por que tem um bebezinho aqui dentro.
– Uau! Um bebê de verdade!?
– Sim. Um bebê de verdade.
Depois de alguns segundos pensando, ele fala para a barriga:
-Viiiu porque eu me comporto?
Ao risos, expliquei que os bebês tem que ficar na barriga da mãe e blá blá blá. Ele pensou um pouco e devolveu:
-Aaah entendi! Você é uma mamãe canguru!

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O segredo

Certa vez estava cuidando da minha priminha, Valentina. Como ela estava muito agitada resolvi achar uma brincadeira em que, ao menos, ela ficasse sentada. Chamei ela e disse:
– Vem cá, vou te contar um segredo.
Com a mão em concha me aproximei do ouvido e disse:
– Te amo.
Valentina riu muito e pediu para que contasse outro segredo. Repeti a frase:
– Te amo – e ela riu.
Assim foram algumas vezes. Ela pedindo para eu falar segredos e eu repetindo a frase. Num determinado momento, disse que era a vez dela me contar um. Ela se aproximou de minha orelha com a mãozinha em concha, e num sussurro disse:
– “Seguedo”

(Valentina, 2 anos)

Enviado pela Joyce Noronha

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Um grande obstáculo

Estávamos brincando no quarto quando eu resolvi ir pra sala. Quando o Rafael percebeu que a farra iria acabar, levantou correndo e se colocou na frente da porta ameaçando:
– Você só sai daqui por cima do meu cardápio.

(Rafael, 5 anos)

Enviado pela Priscila Pinto