– Mamãe, o que é esse remédio que você tomou?
– Anticoncepcional. Remédio para não ter mais filho.
– Mamãe, eu não quero morrer!
(Matheus, 6 anos)
– Mamãe, o que é esse remédio que você tomou?
– Anticoncepcional. Remédio para não ter mais filho.
– Mamãe, eu não quero morrer!
(Matheus, 6 anos)
Após organizar a casa, fui dar banho na Luiza e ela me disse:
– Eu queria ter duas mamães.
– Como assim, minha filha? Quem seria a outra mamãe?
– Seria “gêmeas” de ti.
– E o que a outra mamãe faria?
– Tu me dava banho e ela lavava a louça.
(Luiza Vitória, 4 anos)
Depois de ouvir minha filha falar por mais de meia hora direto, eu falei:
– Filha, você não para de falar, não? Shut up! Sabe o que é isso?
– Sei, sim. Remédio pra tosse.
(Lara, 6 anos)
– Joana, se você não guardar esses brinquedos eu vou jogar tudo fora.
– Mãe, eu só brinco com eles, você que comprou. Então, se quiser, pode jogar fora. Eu não mando em nada, só mando na minha vida…
Depois de ter disfarçado para rir, eu respondi:
– Nem na sua vida você manda. Sou eu que mando.
– Você comprou a minha vida também?
(Joana, 5 anos)
Tinha um cartaz na escolinha escrito “Temos bife de fígado. Faça seu pedido.”
Ruth pegou um bife e fez um pedido, como quem faz um pedido para a estrela cadente:
– Quero entrar na escolinha de futebol.
(Ruth, 7 anos)
Estávamos na sala vendo TV, quando minha mãe falou algo sobre alguém morrer e uma das minhas filhas começou a chorar. Então perguntei:
– Por quê você está chorando?
– Eu não quero morrer. Se eu morrer, não como mais comida e eu quero comer muita comida antes de morrer, mamãe. Eu amo comer!
(Ananda, 6 anos)
– Jú, o que é isso aí que você está comendo?
– Espetinho de gato. Você quer?
– Eu quero.
Então levei meu irmão para comprar o espetinho e o rapaz da barraquinha mostrou as opções:
– Tenho de kafta, linguiça, frango, carne…
Jorginho respondeu:
– Nããão! Quero um espetinho de gato mesmo. Igual o da minha irmã.
(Jorge, 5 anos)
Depois de ter deixado meu filho pela primeira vez com a vovó e o vovô por um final de semana, perguntei:
– Vini, quantos chocolates a vovó te deu?
Ele pensou e disse:
– Mais ou menos bastante, mãe.
(Vinícius, 4 anos)
Yasmin vendo a gente aflito, assistindo a Copa, falou:
– Eu tô achando que o problema é a bola.
(Yasmin, 4 anos)
Meu irmão brincava com minha filha de mágica. Tirava moeda da orelha dela e ela guardava no cofrinho. Depois de algumas moedas, ela falou:
– Agora dinheiro de papel, tio.
(Gabrielly, 6 anos)
Um dia depois do bolinho de 5 anos do João Diogo, ele falou:
– Mamãe, eu já pensei na minha próxima festa de aniversário. Será no Mangueirão (maior estádio de futebol de nossa cidade) e a senhora vai ter que convidar bastante gente pra encher a arquibancada.
– João Diogo, tu tás pensando o quê?
– Grande!
(João Diogo, 5 anos)
– Gabriel, o que é felicidade para você?
– É cosquinha na barriga.
(Gabriel, 7 anos)
– Mamãe, por que as pessoas dizem que uma comida podre venceu? A comida venceu algum campeonato ou batalha?
(Maria, 7 anos)
– Lukas, você é católico ou evangélico?
– Católico, lógico.
– Por quê?
– Porque tem bingo!
(Lukas, 9 anos)
– Nana, você já está vivendo seu futuro?
(Isabella, 6 anos)
Depois de doze horas de voo e mais quatro horas de trem, chegamos no hotel acabados e a Cecília soltou:
– Ninguém desiste da vida, hein?!
(Cecília, 3 anos)
⁃ Sai, pernilongo!
A Nina estava espantando um pernilongo que rodeava a Cecília e deu um tapinha na perna dela para afastá-lo. Depois perguntou:
⁃ Matei o pernilongo?
⁃ Você matou a minha perna, Nina.
(Nina, 11 e Cecília, 3 anos)
– Alice, você me ama?
– Amo só um pouquinho.
– Por que só um pouquinho?
– Porque se amar demais, derrama, né?
(Alice, 2 anos)
O Lucas conseguiu tirar seu dente sozinho. Realizado, pediu para colocá-lo embaixo do travesseiro. No momento de reflexão surgiu uma dúvida e ele me perguntou:
– Mãe, a fada do dente existe mesmo?
– Sim. Se você quiser que ela exista.
Ele pensou mais um pouco e perguntou:
– Você é a fada do dente?
– E se eu for? Algum problema para você?
– Sim, mãe. Você deve estar gastando muito.
(Lucas, 8 anos)
Cecília provando escondidinho de carne:
– Eu não gosto disso. Mas é uma delícia.
(Cecília, 3 anos)
– Mãe, Quinzinho miou quando estava dormindo.
– Ele deve ter tido um pesadelo, filha.
– Tá vendo o que acontece quando não reza antes de dormir?!
(Flávia, 5 anos)
A Tata estava fazendo as unhas da Isabelly e usou um palito para limpar debaixo das unhas. Quando estava quase acabando a Tata se distraiu e forçou um pouco mais o palito no dedo da Isabelly e ela reclamou:
– Ai! Cuidado, Tata.
– Desculpa! Machucou?
– Nossa, foi tipo um parto!
(Isabelly, 6 anos)
– As crianças sabem quando os adultos precisam de um abraço.
(Laura, 4 anos)
Revoltada porque um político estava mudando a sinalização e transformando as ruas do bairro em mão única, eu disse:
– Tá louco! Agora todo lugar que você vai virar o carro, a placa diz ok mas a pintura nova na rua diz que não pode. Ele está pintando tudo, um caminho simples vira um labirinto.
E meu sobrinho completa:
– Deviam fazer ele apagar essa pintura com uma borrachinha bem pequena.
(Vitor, 7 anos)
– Poxa, mãe, quer dizer que para emagrecer eu tenho que deixar de comer um monte de coisas que eu gosto? Isso não é justo!
(Sofia, 8 anos)
Estava com meu sobrinho em frente ao túmulo do meu pai. Como o cemitério é no interior, a identificação é feita em uma cruz de madeira, no qual vem o nome, data de nascimento e falecimento. Paulo Henrique perguntou:
– Tia, a letra “N” significa o quê?
– É a data de nascimento do seu avô.
– E o “F” é de “Foi”?
(Paulo Henrique, 11 anos)
– É muito ruim andar sem dinheiro.
– Então pula.
(Kimberly, 5 anos)
– Ana, se você sabe a senha do meu celular, sinta-se importante.
– Eu não vou me sentir importante. Eu tive que descobrir sozinha.
(Ana Pietra, 8 anos)
Assistindo ao jogo do Brasil na Copa, Isabela soltou um comentário sobre o jogador número 11 da Suiça, que levou um cartão amarelo:
– Ele é bonito por fora, mas por dentro é “derrubador”.
(Isabela, 8 anos)
Eu conversando com meu filho:
– Thiago, amanhã vamos ao médico fazer exame de sangue, tá?
– Mãe, você só me leva em médico que dá injeção, coisa que dói. Já ouviu falar no Instituto Médico Legal? Lá deve ser bem legal.
(Thiago, 7 anos)
Estava me despedindo da minha sobrinha, que iria viajar e ela fala:
– Tia Natália, você mora na minha cabeça e no meu coração.
(Maria Alice, 4 anos)
– Eu torço para qualquer time que faça gol.
(Alice, 8 anos)
– Filha quem é essa minhoca que você desenhou?
– Não é minhoca, é o Sorilóis.
– Ah, filha, esse é seu amigo imaginário?
– Não, mamãe, marido imaginário.
(Beatriz, 5 anos)
– Qual princesa você é? Cinderela, Branca de Neve ou Bela Adormecida?
– Eu sou a princesa do papai.
(Cecília, 3 anos)
Voltando da escolinha, a Lia disse:
– Mamãe, tá rolando uma festinha na Rússia, vamos?
(Lia, 4 anos)
Falei para minha filha que iria tirar a OAB. Expliquei que era uma prova bem difícil, igual as lições da escolinha dela, e ela respondeu:
– Então faz um desenho bem bonito, papai.
(Manuela, 4 anos)
– Eu não quero ir para a escola.
– Para você ser médico, tem que ir para a escola.
– Médico cuida das pessoas, não fica pintando, não.
(Arthur, 3 anos)
– Nossa, madrinha, tá muito boa sua comida. O que você colocou?
– Coloquei amor, Sophia.
– Amor é salgado, madrinha?
(Sophia, 7 anos)
Comprei uma camiseta nova para meu filho e quando chegamos em casa ele foi mostrar para o pai.
Assim que o pai olhou, me perguntou:
– Outra roupa nova para ele?
Meu filho imediatamente respondeu:
– É, mamãe, você não tem jeito!
(Rodrigo, 2 anos)
– Eu não gosto da forma que você me trata.
– E como é que eu te trato?
– Como uma criança.
– E como você quer ser tratado?
– Como um super-herói.
(Gabriel, 6 anos)
– Mamãe, o que é uma olaria?
– É o lugar onde se fazem objetos de cerâmica, filha.
– Ah, achei que era um lugar para as pessoas ficarem falando “olá, olá, olá…”
(Caroline, 7 anos)
Francisco enterrou uma tartaruguinha de brinquedo no parquinho e a deixou lá. Na semana seguinte, ele se lembrou da tartaruga e foi cavar para procurar. Cavou, cavou, cavou tanto que praticamente tomou para si todo o espaço da areia. Foi então que se aproximou um bebezinho e começou a jogar areia no imenso buraco que ele fazia. Ele olhava para o bebê e não dizia nada. Ele cavava e o bebê jogava a areia de volta. Até que ele suspirou, olhou em volta e perguntou num tom impaciente, mas sem irritação:
– Quem é mãe desse bebê?
Uma moça, meio sem graça, disse que era ela. E ele disse:
– A senhora pode avisar seu bebê que ele está atrapalhando o trabalho da ciência?
A mãe, já rindo, perguntou que trabalho era esse. E ele:
– Uma escavação arqueológica. Estou procurando os restos fossilizados de uma tartaruga pré-histórica! E seu bebê está me atrapalhando!
(Francisco, 7 anos)
Manú e Henrique
Manter esse blog é, sem dúvida, uma das coisas mais divertidas que a gente faz. Quem acompanha desde o começo, sabe como as coisas começaram. A ideia de compartilhar as pérolas de nossas crianças sempre foi para que pudéssemos rir juntos da espontaneidade dos nossos pequenos, mas também para, de algum jeito, celebrar a inocência e a graça da infância.
Ficamos imensamente felizes em conhecer, dia após dia, mais pessoas que gostam do que o blog promove e passam a acompanhar e contribuir com novas frases. E às vezes, esses novos leitores ajudam a ampliar a nossa voz. Foi o que aconteceu recentemente, com a divulgação que o Frases — aqui em casa a gente só chama ele pelo primeiro nome 😉 — recebeu em alguns veículos de mídia.
Primeiro, o Catraca Livre publicou um artigo citando algumas das pérolas das nossas crianças e ajudando a divulgar o nosso e-mail para contribuição (frasesdecriancas@gmail.com, caso tenha falhado a memória). Algumas semanas depois, a Nathalia Ilovatte do R7 ligou e escreveu uma matéria muito gentil contando um pouco de como o blog surgiu e falando da Nina e da Luiza. E hoje, a Marcela Campos também falou sobre o blog em sua coluna na Gazeta do Povo.
A gente sabe que nesse espaço ninguém quer ouvir assunto dos adultos, mas às vezes vale a pena interromper a risada para comemorarmos um pouco. Juntos, porque o Frases só é feito com as pérolas que vocês nos mandam.
Abraços,
Henrique, Manú e Nina
– Vivi, vem escovar os dentes!
– Eu já escovei!
– Escovou nada!
– Escovei sim…
– Ah é? Quando você escovou?
– Eu escovei dia 8…
(Victória, 2 anos)
Entrei em um ônibus e sentei ao lado de um garotinho de, no máximo, quatro anos. A certa altura, ele perguntou:
– Moça, por que sua barriga é grande assim?
– Por que tem um bebezinho aqui dentro.
– Uau! Um bebê de verdade!?
– Sim. Um bebê de verdade.
Depois de alguns segundos pensando, ele fala para a barriga:
-Viiiu porque eu me comporto?
Ao risos, expliquei que os bebês tem que ficar na barriga da mãe e blá blá blá. Ele pensou um pouco e devolveu:
-Aaah entendi! Você é uma mamãe canguru!
– Rafa, por que é que eu amo tanto o teu pai?
– Porque você é linda.
– E por que é que eu te amo tanto?
– Porque eu sou lindo.
(Rafael, 4 anos)
– Mamãe, vou comer biscoito de maionese…
– Maizena, filha.
(Camila)
Certa vez estava cuidando da minha priminha, Valentina. Como ela estava muito agitada resolvi achar uma brincadeira em que, ao menos, ela ficasse sentada. Chamei ela e disse:
– Vem cá, vou te contar um segredo.
Com a mão em concha me aproximei do ouvido e disse:
– Te amo.
Valentina riu muito e pediu para que contasse outro segredo. Repeti a frase:
– Te amo – e ela riu.
Assim foram algumas vezes. Ela pedindo para eu falar segredos e eu repetindo a frase. Num determinado momento, disse que era a vez dela me contar um. Ela se aproximou de minha orelha com a mãozinha em concha, e num sussurro disse:
– “Seguedo”
(Valentina, 2 anos)
Enviado pela Joyce Noronha
Estávamos brincando no quarto quando eu resolvi ir pra sala. Quando o Rafael percebeu que a farra iria acabar, levantou correndo e se colocou na frente da porta ameaçando:
– Você só sai daqui por cima do meu cardápio.
(Rafael, 5 anos)
Enviado pela Priscila Pinto